quarta-feira, fevereiro 22, 2006

U2 - 21/02/06 - Estádio Do Morumbi - São Paulo



05h00 - Toca o despertador. Cocô, Yakult, Gilette, Corona (a Ducha Corona, não o Lauro), TIM, Rádio Táxi Faixa Vermelha e lá vou eu para mais uma viagem a serviço do capitalismo selvagem, ô-ô-ô.

07h00 - HSBC, TAM e lá vou eu rumo à cidade que não pode parar. 1/2 jogo de futebol depois das 08h00 e lá estou eu em São Paulo.

09h00 - Horário comercial. Man at work.

11h00 - Xixi.

13h00 - Hotel. Invento de tentar descansar antes da maratona continuar. Não deu. Enquanto eu comia um linguado de cueca no quarto (eu de cueca, não o peixe), minha colega de trabalho Larissa almoçava na tal da Figueira (?) na mesa ao lado de uma celebridade. Silvio Santos? Não: Larry Mullen Jr. Creda, que gay essa parágrafa ficou.

15h00 - De volta ao horário comercial. Man at work again.

17h00 - Boa nova: motoboy chega com um envelope contendo um presente de um fornecedor: um ingresso cortesia para o grande show da noite. Morumbi, lá vou eu.

19h00 - Morumbi, lá estou eu. Antes, fora do campo tricolor, uma boa Skol. (Adendo: Isso de não vender cerveja em estádio de SP é um porre.) Depois, com os dois pés lá dentro, um cachorro-quente ruim do Bob's e um péssimo lugar na arquibancada. Zente, digo: nunca, mas nunca escolham/prefiram ver um show na arquibancada. É mais longe, mais frio, mais tudo de ruim. Meu primeiro Rolling Stones no Brasil foi assim e serviu para descobrir isso. Pista é 1.000.000 x melhor. Gaste e paste o que for possível e impossível, mas quando o pápulo é espetáculo, por favor pise na grama.

21h00 - FFim de um grande show. Franz Ferdinand é de FFoder! Os escoceses tocaram apenas uma horinha, mas foi o suficiente para provar que são dos bão. Tudo bem que banda de abertura de show grande não tem som nem luz que prestem, e também que estádio é cousa demais para o tamanho do grupo, mas FFoda-se: Franz Ferdinand é FFera! O set list foi rachado meio a meio entre sucessos dos dois primeiros discos, com destaque para alguns hits que fizeram o público aplaudir de coração, como "Take Me Out" (que fez eu me lembrar da minha filha, que adora a música do "sha-la-la-la" do meu disco preto) e "Do You Want To?" (que fez eu me lembrar da minha namorada, que ama a cançã em questã e queria estar comigo lá). I'm lucky, lucky, I'm so lucky. FFico imaginando como seria em um lugar FFechado em vez de um palco aberto. Entre quatro paredes, o que o Franz Ferdinand deve FFazer é FFoda! (Adendo again: conheça também outra opinião do show do FF aqui.) E creda again, que gay essa parágrafa ficou também.

21h01 - Toca o celular. Trampo chama. Novamente de volta ao horário comercial. Man at work again one more time e madrugada adentro. Bye, bye, rock & roll all night. Morumbi, lá vou eu pela saída, cumprir o meu dever de cidadão trabalhador de papel passado e carteira assinada, sem nem ver ou ouvir os irlandeses do U2 no palco. Mas ok: eu nunca fui muito fã mesmo.

Fim.

: )

P.S.: última: 11h00 de hoje e mais de 24 horas depois do início da saga de ontem, entra em cena mais uma celebridade (?): Leão, atual técnico porco, junto com um segurança do Palmeiras, esperando um táxi ao meu lado na porta do hotel. Cruzes, o cara parece uma vovozinha com esteróides. Eu, hein.

Fim again.

: )

P.S. again: agora leia o post anterior e faça como eu: fique com inveja dos amigos mafrenses no Rio. Show!

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Rolling Stones - 18/02/06 - Praia De Copacabana - Rio De Janeiro



Sonolento demais para concatenar as palavras. Cansado demais para digitá-las. Extasiado demais para encontrar as mais condizentes. Mas it's only Rolling Stones, gente. Só que com eles nada nunca it's only.
O fato é que as véia-caqueca do rock são foda. E tudo vale a pena quando a praia não é pequena.
Valem a pena as quase doze horas de viagem noturna, com direito a túneis repetidos de um RodoAnel onde a gente errou feio a saída.
Vale a pena a caminhada de Botafogo até Copacabana, com direito à travessia claustrofóbica e escaldante do Túnel Novo (é esse o nome?).
Vale (e muito) a pena chegar na praia às 14 horas, já achando que o melhor lugar que encontraríamos seria um mocó qualquer a uns duzentos quilômetros do palco, e se posicionar no primeiro grupo de gentes.
Vale a pena enfrentar o sol na venta, o cansaço nas pernas, o sono nos olhos, a areia no corpo, a chatice do AfroReggae e todo o resto.



E foi mesmo assim: uma longa viagem de carro, ultrapassando ônibus e mais ônibus de excursão pelo caminho, em meio a muito papo, risadas, cds pulando, cochilos ocasionais e paradas estratégicas para xixi, água, refri, café e misto morno. Ao entrar na cidade, mais ônibus e ônibus de excursão, a polícia-mais-bem-preparada do Brasil (uma das muitas piadas particulares que não cabem explicar aqui e agora porque demóóóóra) em cada esquina, e uma fila de ônibus que atravessava o Rio de Janeiro inteiro - ou assim me pareceu. Fudeu, pensei. Vamos ficar mais longe do quê o mais longe que eu já pensava que ficaríamos, repensei. Então o jeito era relaxar, tomar um banho, sair do banho já suando de novo, vestir a camiseta exclusiva, a mochila com o kitão de sobrevivência e camelar. Ao chegarmos em Copa, marcamos um ponto de encontro bem longe da muvuca pro caso de nos perdermos - o que aconteceu - e vislumbramos a praia. E o palco. Tinha gente pra tudo que é lado, mas nenhum aglomerado. A galera circulava, comia, bebia e se escondia do sol nas sombras das parcas árvores. Vamos em frente, falei. E fomos. E chegamos lá no começo, quase diante de uma grade de proteção. Foi quando percebemos que, se seguíssemos pelo lado, poderíamos contornar esta tal grade. Compramos uns sandubas numa barraquinha com os simpáticos dizeres "Vem Sem Medo" e passamos para a segunda "galeria". E não é que havia ainda mais uma galeria à frente, logo antes de área VIP? O Jorge foi lá fuçar e acabamos descobrindo que era possível entrar lá também. E foi assim que nos acomodamos do ladinho do palco pequeno. Na seqüência rolou besuntação geral com Sundown 30 e cerveja a dois pilas - o mesmo preço das praias paranaenses (!). Ainda conseguimos emprestar um pouco de sombra de um guarda-sol mineiro. Muito Gatorede, Nutry, água de coco e cerveja depois, o DJ não-sei-quem conseguiu levantar um pouco a galera com uma seleção coerente de musiquetas. Depois veio o AfroMalaReggae, que não conseguiu fazer a gente levantar-se da areia. De lá pude ouvir os caras assassinando "Mosca Na Sopa", "Que País É Este" e "Imagine". Em seguida vieram os Titãs, com um show surpreendentemente vigoroso, compacto e animado (surpreendente porque ultimamente os caras viraram uns chatonildos burocráticos). Mas a performance nada sonífera dos representantes do velho brock conseguiu levantar legal a galera e abrir terreno para os britânicos incendiarem o milhãozinho de pessoas. E não demorou muito.



Após uma viagenzinha semi-lisérgica em um vídeo no telão, os acordes de "Jumpin" Jack Flash" fizeram a galera explodir. A festa de aniversário do Jorge estava começando. Eu e meu irmão o abraçamos e pulamos ao som daqueles velhacos. E digam o que quiserem dos Stones: que já passaram do tempo, que seus shows são caça-níqueis, que não inovam mais em nada. Tudo cai por terra, ou por areia, quando eles entram estraçalhando no palco. Mick parece ligado no 220. Todos os gestos podem e devem ser calculados, mas funcionam bem demais. Não consigo imaginar outro frontman como ele, vivo e esgoelante . Keith é uma múmia viva, conservada em álcool, drogas e rock'n'roll. E toca pra carái. Sem falar que mantém uma baita sinergia com a guitarra do outro maracujá-de-gaveta, Ron Wood. Lá do fundo, Charlie conserva a tal fleuma britânica de tocar (muito bem) bateria (se é que existe fleuma pra tal instrumento). O som estava límpido, puro, cristalino. A voz de Jagger nunca pareceu tão boa. Coisa doida. Ao contrário das outras duas passagens pelo Brasil, desta vez a grande pirotecnia visual foi deixada de lado, o que aguçou a qualidade musical e as músicas em si. O set incluiu três boas músicas do disco novo, uma do Voodoo Lounge, além de um esperto bloco bluseiro, com uma "Midnight Rambler" pesadona e vermelha e uma maravilhosa versão de "The Night Time Is The Right Time", que eu conhecia com os The Animals e não sabia que era do Ray Charles. Tivemos ainda a linda, maravilhosa, irretocável "Wild Horses" e até mesmo a divertida "Get Out Off Of My Cloud". E mais quase todos os clássicos, quatro deles incluídos no bis poderoso.



Dispensável dizer que passei um pouco mal no meio do show e tive que me afastar para respirar direito. Dispensável dizer que esperei pelos meus companheiros de show por mais de uma hora no ponto de encontro. Dispensável dizer que a volta foi cansativa e que nos arrastávamos pelas ruas. Dispensável dizer que no dia seguinte nos assumimos turistas e conhecemos o Cristo Redentor, além de Ipanema, Leblon e Arpoador. E que ainda vimos um jogo no Maracanã, onde o atual campeão da Taça Guanabara bem que poderia ter levado uma goleada do Nova Iguaçu, mas segurou um empate. Dispensável dizer que a viagem de volta foi longa e sonolenta. Tudo que tinha pra ser dito foi cantado em coro durante duas horas. E pronto.

Adendo 1: muitos fatos, situações e frases não são de minha autoria, mas dos meus companheiros de show.
Adendo 2: conheça também outras opiniões de antes e depois e depois do show.
Adendo 3: se você tiver saco e visão-de-falcão-além-do-alcance, pode tentar me achar aqui.

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Amanhã, TALVEZ, você me encontre aqui para ver estes frenéticos aqui e, QUIÇÁ, estes proféticos aqui.
COLUNA DO VÉIO RANZINZA

Esta conturbada vinda do U2 foi oportuna, principalmente para dirimir uma questão que há algum tempo me frita a cachola. Que porra de meia entrada é essa? Por que um bando de adolescentes pagam metade do preço para ver um show e o já espoliado contribuinte comum tem que pagar 200 reais, quase 100 dólares. Viraram patrocinador do porre da molecada. À merda! Shows de rock tem a única e exclusiva finalidade na vida de qualquer ser humano que é beber pra caralho e cantar as músicas e a mulherada, nada mais que isso. E que cada um arque do próprio bolso seus vícios.

Meia entrada tem que valer para comprar livros, para fazer pesquisa, trabalhos aprofundados, adquirir cultura de verdade. Não tem que patrocinar shows de rock ou qualquer outra estultice dita artística. Vão se entupir de Goethe, Kafka, Machado de Assis. Vá a um museu, com obras de valor e talento. Com certeza vão aproveitar para a vida toda e ampliar a capacidade mental já tão degenerada. Confiem no Véio!!

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

HSBC(u)

No fim do ano passado, meu nome entrou no Serasa graças a uma grande cagada do HSBC. Eles aceitaram e deram como "sem fundos" um cheque meu de 1994, que foi roubado e devidamente sustado com BO e tudo o mais. Pior, o cheque era de 30 reais e o limite por folha, na época, era de R$ 32,00. Pior ainda, a conta havia sido fechada em 1999 e o imbecil que assinou o cheque errou até o meu próprio nome. Ainda assim, o cheque foi "aceito" pelo banco e o meu nome foi parar no Serasa. Como sou de boa paz, não quis processar o banco, apenas deixei que resolvessem o pepino para mim.

No ano passado, quando minha filha nasceu, abri uma poupança no nome dela. Aliás, foi um caos para abrir esta poupança. Parecia que eu estava fazendo algo proibido, ruim para o banco, tantos foram os documentos e os dias para regularizar a abertura da conta, com mil e tantos reais.
Na semana passada, puto com a dificuldade para aplicar mais recursos na conta, pedi o resgate ao meu gerente. Após consultar o computador, sabe o que ele me disse? "Esta conta não existe". Assim, puft. A poupança simplesmente não existe, apesar de eu ter o comprovante original do depósito inicial. Tem número e tudo, mas a poupança não existe. Legal, né?
Amanhã você me encontra aqui pra ver estes caquéticos aqui.
Rolling Stones ou U2?

terça-feira, fevereiro 14, 2006

De esguelha



"Olhar para um decote é como olhar para o sol. Você não olha diretamente. É muito arriscado. Você dá uma conferida e então disfarça e olha pro outro lado." (Jerry Sienfeld)

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

O Futuro É Vortex



Lembra que no futuro...

...de "De Volta Para O Futuro 2" a chuva era prevista com uma absurda precisão matemática, mas em compensação quase todo mundo tinha a cara do Michael J. Fox?

...de "Blade Runner" havia superpopulação e chuva ácida, mas em compensação você podia encontrar uma andróide com a cara da Sean Young quando ela ainda era young, bonita e gostosa?

...de "2.001 - Uma Odisséia No Espaço" um supercomputador sacaneava os humanos enquanto um monólito negro dava um puta nó na cabeça da gente, mas em compensação tudo compensava quando o filme era do Kubrick?

...de "Laranja Mecânica" rolava ultra-violência, Tratamento Ludovico e outras sacanagens distópicas, mas em compensação tudo compensava de novo e sempre quando o filme era do Kubrick?

...de "Fuga De Nova York" a grande maçã virava uma grande prisão, mas em compensação você escapava dali fácil, fácil, desde que o seu nome fosse Cobra Plissken?

... de "Brazil - O Filme" um estado totalitário e opressor impedia até mesmo de sonhar, mas em compensação tudo era embalado pela bela Aquarela Do Brasil?

...de "Akira" tudo era caos e devastação (como quase sempre nestes filmes futuristas), mas em compensação tudo era maravilhosamente bem desenhado e animado?

...de "O Dorminhoco" as mulheres eram frígidas, os homens impotentes e o estado era totalitário, mas em compensação o humor do Woody Allen estava afiadíssimo?

...de "O Demolidor" só existia sexo virtual, mas em compensação nada compensava num futuro que tinha Sylvester Stallone e Wesley Snipes se estapeando?

...de "Tron - Uma Odisséia Eletrônica" você podia entrar dentro do computador, mas em compensação o tal computador não passava de um 386 bem meia-boca?

...de "Mad Max" tudo era desolação e a gasolina valia mais do que a água, mas em compensação você... é... hmmm... podia comer bastante areia?

...de "Solaris" (o russo) tudo era devagar quase parado, mas em compensação o final arrepiava?

...de "O Vingador Do Futuro" sua vida era amontoado de mentiras, mas em compensação uma dessas mentiras era a Sharon Stone?

E aí, lembra de mais coisas daquele futuro que não é mais como era antigamente?
O Diego foi ver Brokeback Mountain.
TEM FESTA NA COLONHA!!



Os auditores do RankBrasil estarão no dia 10 de fevereiro de 2.006 às 19 horas, em Colombo/PR, acompanhando o recorde da polenta mais comprida, a qual irá medir aproximadamente 43 metros de comprimento x 70 cm de largura. Após a medição ser realizada, a polenta será servida gratuitamente a todo o público presente. A festa é considerada a maior da colônia italiana do Estado do Paraná, será a 43ª Festa da Uva. Marco da imigração italiana no município, a festa teve início em 1959 e a cada edição registra grande crescimento no número de expositores e público.

É, o Colono não vai dar as caras hoje. Deve tá mexendo o tacho, senão desanda a polenta.
Brokeback To The Future.

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Jennifer Governo



As pessoas têm nome e seus sobrenomes são os nomes das companhias para que trabalham. Eu, por exemplo, seria Xarape Meditabundas, apesar de não ter trabalhado muito por aqui nos últimos dias.
Mas a história começa assim: dois sujeitos chamados John Nike, que trabalham no marketing da companhia, convencem Hack Nike, do merchandising, a trabalhar para eles. Animado com a possibilidade de melhorar de emprego, Hack assina um contrato sem conseguir ler as letras miúdas. Ali, porém, está escrito que ele terá que matar no mínimo 14 adolescentes que comprarem o tênis Mercúrio, produto da própria Nike e que custa dois mil dólares o par. A estratégia é, graças à repercussão dos assassinatos, vender mais e mais pares do tênis.
Quando percebe o que assinou, Hack fica desesperado e procura a polícia. Mas a polícia, assim como tudo na história, é privatizada, e avisa que se ele não cumprir o contrato vai ter que pagar milhares de dólares de indenização. Se ele o cumprir e o Governo pagar a polícia para achar o assassino, ele está ferrado. Resta, no entanto, uma saída: contratar a própria polícia para matar os jovens.
Assim começa o livro "Jennifer Government", traduzido aqui para "EU S/A".
O livro não é exatamente bem-escrito. Mesmo assim, a história é daquelas que você pega e não quer largar mais. Vale dar uma lida.

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Quero ver alguém pôr fogo no Medita!!

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Garotas & Cadáveres



Ok, a seção "Tudo Isso É Tara" já passou desta para melhor há tempos. Mas de qualquer forma, eis um link matador que não faria feio no meio daquela finada séria-série.
Data do baralho.

No dia 6 de fevereiro, há exatos 11 anos, 5 membros desse staff recebiam um canudo cada um.
Variáveis: cabelos, quilos, idade.
Constantes: piadas, piadas, amizade.
Faça as contas.

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Concurso de logomarcas fálicas.


Aniversário do UCA


Hoje. Mais alguma coisa pra comentar?

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Oscar 2006



Ontem saiu a lista do Troféu Imprensa da Sétima Arte de Hollywood e eu, para variar, não vi quase nada dos concorrentes. Assisti só um ou outro dos indicados nas diversas categorias (na maioria, os infantis) e apenas um da turma de melhor filme - a saber, "Crash". Lá vai o nego véio correr atrás do prejú...

Alguma recomendação de alguém que viu algo dos demais?

terça-feira, janeiro 31, 2006



Minha lista do mercado:
Sabão em pó
Tomate
Queijo
Maionese
Rabanete
Alface
Vinho
Cerveja
Miojo
Banana


"Banana pra quê? Pra enfiar no cú?", diria o Uca.
"Cu não tem acento, Uca", diria o Xarape.
"A banana é pro Nego", diria o Nery.
"Teu pai te enraba, nete?", diria o Nego.
"A cerveja é pra tua mãe vender na zona?", diria o Kornellius.
"Ah loco!", diria o Leleco.
"Esqueceu os ovos. Aliás, conhecem a piada dos ovos?", diria o Kowalski.

É, a intimidade é uma merda, diria eu.

terça-feira, janeiro 24, 2006

Cartaz de filme brazuca?
Surrupiei esta fábula dum blog portuga, shortdickman.blogspot.com
Ela cai muito bem nestes tempos vermelhos que agora se avizinha.

A CIGARRA E A FORMIGA NO MUNDO SOCIALISTA CONTEMPORÂNEO

A CIGARRRA E A FORMIGA
Esta é a versão clássica:

Era uma vez uma formiga que trabalhava duro, de sol a sol, construindo sua toca e acumulando suprimentos para o longo inverno que se aproximava. A cigarra pensou: "Que idiota!" E passou o verão dando gargalhadas, cantando e dançando. Assim passou todo o verão; ao chegar o inverno, enquanto a formiga estava aquecida e bem alimentada, a cigarra não tinha abrigo nem comida, morreu de fome.

Esta é a versão moderna:

Era uma vez uma formiga que trabalhava no duro, de sol a sol, construindo sua toca e acumulando suprimentos para o longo inverno que se aproximava. A cigarra pensou: "Que idiota!" E passou o verão dando gargalhadas, cantando e dançando como nunca. Ao chegar o inverno, a cigarra, tremendo de frio, armou uma barraca de lona na entrada da toca da formiga e convocou toda a imprensa para uma entrevista e exigiu explicações: Porque é permitido á formiga, uma toca aquecida e boa alimentação, enquanto as cigarras estão expostas ao frio e a morrer á fome?

Todos os órgãos de imprensa compareceram á entrevista; tiraram muitas fotos da cigarra trémula de frio e com sinais de desnutrição. As imagens dramáticas na televisão mostraram uma cigarra em deplorável condição, sentada num banquinho debaixo de uma barraca de plástico preto e mais adiante mostraram a formiga em sua toca confortável, com uma mesa farta e variada. O povo ficou perplexo e chocado com o contraste.

A notícia recebe apoio imediato, com a ressalva de que os recursos devem ser dirigidos ao programa Fome Zero do governo, e cogita uma Emenda Constitucional que aumente os impostos para as formigas e ainda obriga as comunidades a promover a integração social das cigarras. A formiga é multada por supostamente não entregar a sua quota de folhas verdes ao Ministério das Folhas e não tendo como pagar todos os impostos e contribuições que foram apurados retroactivamente, pede falência.

A Câmara instala uma comissão de inquérito para investigar a falência fraudulenta de inúmeras formigas abastadas. O Ministério das Folhas nomeia uma comissão de auditores fiscais suspeitando de que as formigas tenham desviado recursos do FF5 (Folhas Frescas nº 5 do Banco Central) e suspeitas de lavar folhas.

A cigarra decide invadir a toca da formiga e lá acampa. A formiga pede ajuda da polícia e esta informa que não dispõe de efectivo para atender ocorrências desta natureza e que também por orientação do Secretário de Segurança que deseja evitar confrontos com os "Sem Toca".

A formiga entra na justiça para obter a reintegração da toca, mas é negado, o juiz invocou um novo ramo do direito, "O Económico" e sentencia que a formiga não provou a produtividade da toca. O Ministério da Reforma Agrária desapropria a toca da formiga, por não cumprir a sua função social, e entrega-a á friorenta e desnutrida cigarra.

O Ministério da Justiça descobriu que a cigarra foi presa no passado, por promover algumas greves, assaltos e sequestros (aliás chamados de crimes políticos), e conseguiu a sua inclusão no grupo dos perseguidos políticos com direito á indeminização federal e pensão vitalícia. E o verão está de volta. As formigas trabalham e as cigarras cantam e dançam...

sexta-feira, janeiro 20, 2006

He-Man And The Masters Of Lebowski.

quinta-feira, janeiro 19, 2006



Essa é pra vocês que não sabem cantar em italiano, bando de nhoranti.
INRI T-Shirt?

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Assunto: Fw: Ferrari Ferrada




Em 18/01/2006, às 14:44, Nery escreveu:

Lembra da Ferrari que bateu num Corcel? Agora o cara aparece
empurrando a mesma em Camboriu.



On Jan 18, 2006, at 2:59 PM, Xarape wrote:

O mais engraçado é que lá atrás tem um garoto roendo a unha que
parece estar vestindo uma camiseta da Ferrari.
E tem um esquilo assassino também saindo do bueiro. Além de imagens
que remetem a 160 filmes oscarizados.


Em 18/01/2006, às 15:07, Carcamano escreveu:

É verdade. E tem um cara lá subindo uma escada com um CD do Led
Zeppelin. E vocês sabem o que acontece se tocar Stairway to Heaven ao
contrário.


On Jan 18, 2006, at 3:10 PM, Xarape wrote:

Fica "Nevaeh Yawriats", que era um músico conhecido por tocar e
dançar músicas que invocavam a neve. O nome, aliás, veio daí. Ele era
gay, e tinha pavor de ratos, o que se explica pelo sobrenome e pela
insistência dele em querer neve. Ratos, como se sabe, não se
proliferam quando neva.

On Wed Jan 18 15:13 , Nery sent:

Só os camundongos brancos é que proliferam na neve, mas ninguém consegue
vê-los de qualquer maneira.


Em Wed Jan 18 15:40, Kornellius escreveu:

Nessas fotos, o nome de quantas bandas vocês encontraram?
Eu já achei 23.

OBS: Isso, em menos de 1 hora.
O Popó É Pop!



Vocês sabem a Noêmia Duque? Ela sabe que eu existo e até falou de mim por aí! Paixonei! (Duvida? Leia aqui, ó.) : P

terça-feira, janeiro 17, 2006

Palavras



Palavras desfiadas, resvaladiças, desidratadas
Palavras jogadas no canto da sala
Encolhidas, lânguidas, cabisbaixas
Palavras enterradas vivas a sete palmos
Morrendo por falta de ar, de sol, de amor
Palavras doloridas, comprimidas, soturnas
Procurando a sombra dos becos, os cantos escuros
A fuga pura e simples, ou o simples disfarce da noite
Palavras notívagas, vampirescas, lobisômicas
Arfantes, desconexas, vociferantes
Carcomidas, condoídas, contraproducentes
Feitas de pó, de vento, de murmúrios e lendas
Palavras dolentes, aflitas, indigentes
Por vezes olvidadas, renegadas, obliteradas
Palavras que são quase nada
Que escapam de quase nenhuma boca
Que povoam quase nenhum papel
Que fazem quase nenhuma falta
Que existem quase que por acaso

Faço minhas estas palavras


Papagaio Entrega Galinha

Em Londres, um papagaio repete frases da dona e revela que ela traía o namorado. Parece piada.

sexta-feira, janeiro 13, 2006



Hoje é sexta-feira 13. Ah, azar.

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Pratique embaixadinhas.
Segundo consta, esta enquete do jornal argentino La Nación tinha a Argentina na liderança. Até que um brasileiro descobriu e...



Vote aqui

quarta-feira, janeiro 11, 2006



Glub Glub

Hoje eu sonhei que morri. How bizarre. Releve aqui as incongruências, já que sonho é sonho, meu filho. Sonhei que estava fazendo mergulho com cilindro numa piscina. De repente, bato em alguém imóvel lá no fundo da areia (sim, areia. E daí?). Puxei o cara pra fora, aos pés de umas pessoas que estavam pescando (!?), juntou gente na borda da piscina, tiraram a máscara, o fone de walkman (!??) e... era eu. Por motivos óbvios, fui o primeiro a tentar salvar(-me). Respiração boca-a-boca, massagem cardíaca, puta-merda-que-desespero-do-caralho. E eu sabia que eu era eu e era ele também. E ele/eu morreu. Bateram no meu ombro, desista, largue, mas eu continuava dando umas porradas no morto. Fiquei olhado aqueles meus olhos entreabertos de defunto e aí comecei uma filosofia de bêbado, do tipo "Mas você é um merda mesmo, nem pra tentar reagir. Você desiste fácil. EU desisto fácil. Nunca viu Tela Quente? Os americanos mortos ouvem os americanos vivos e aí vomitam água e aí babam e aí vivem.".
Acordei péssimo e fui pra cozinha pegar água. Mas não bebi porque fiquei com medo.

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Boas Entradas



Comecei o ano novo com uma tal de foliculite na axila. Pereba no sovaco, para ser mais científico e exato. Médico vai, médico vem, resultado: antibiótico e primeira quinzena de 2006 sem poder beber álcool. Isso com um calor em Curitiba que quase obriga o cidadão a uma cerveja. Mas isso não é pior: pior é o desodorante que o doutor mandou manipular na farmácia dermatológica. Uma pasta com cheiro de massa de pão. Me sinto usando um perfume francês, tipo baguete embaixo do braço. Chique, né?
Sabedoria popular com um plus a mais



"A União faz a çúcar."
PERSCRUTAÇÕES PEREMPTÓRIAS DAS
INCONGRUÊNCIAS IDIOSSINCRÁTICAS VIII



















Nestes tempos modernos,
seria Afrodite uma Afro-descendente?

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Mais um almoço bizarro no mundo de Meditabundas

Eis que, no mesmo banco de sempre, no mesmo shopping de sempre, no mesmo dia de sempre, o Uca tira de um bolo de jornal um romã do tamanho de uma jaca e parte o troço com as mãos como se estivesse na colônia (o suco róseo lhe escorrendo pelas mãos), para em seguida oferecer suas partes aos poucos e atônitos meditabundos ali presentes.



Memorável. Existe o projeto inclusive de fundar uma comunidade no orkut: "Eu já comi romã no Crystal".

terça-feira, janeiro 03, 2006

Tam-tam-tam

A TAM é ótima. Tirando o lanche de bordo, que está cada vez pior (hoje em dia é só um sanduichinho), o resto da companhia até que funciona bem. As aeromoças são simpáticas e os comandantes decolam e pousam com certa segurança (os que caem são desligados da companhia, na maior parte das vezes devido a óbito traumático). Há, no entanto, algum problema com o sistema de logística das bagagens.
Na minha recente ida a São Luís, por exemplo, eu cheguei lá inteiro, mas não posso dizer o mesmo da minha mala. Não que ela tenha chegado quebrada, aberta, violada. O fato é que ela simplesmente não chegou. Aliás, ela nem pegou o mesmo vôo. Deve ter ido a Fortaleza ou ao Recife, vai saber. Só sei que eu tive de emprestar roupas do pseudo-vovô da minha filha para poder sair de casa.
Fico imaginando como faz quem não tem um pseudo-vovô da minha filha no seu destino. Fica pelado? Não sai do hotel? Arma o maior barraco no aeroporto para exigir roupas emprestadas? Usa tudo do avesso?
Bom, para a minha sorte, a mala me foi entregue na manhã seguinte.
No domingo peguei o vôo de volta a Curitiba, também pela TAM, desta vez acompanhado pelas minhas duas pequenas. No check-in até brinquei sobre a bagagem, pois agora as chances de extravio eram quatro vezes maiores.
Era uma brincadeira, claro, mas a TAM levou a sério.
Na chegada, veio uma mala, veio a outra, e o carrossel começou a esvaziar, e os demais passageiros foram embora, e a esteira parou, e as luzes piscaram...
- Com licença, é o senhor Ricardo? ? perguntou uma comissária. E foi logo falando que a minha mala havia sido achada num galpão da companhia sei lá onde.
Aí perguntei da caixa (despachamos uma caixa com os brinquedos da pequena) e eles não sabiam de nada. Não havia uma caixa.
A mala chegou na manhã seguinte. A caixa... que caixa?
Ela também chegou, mas só no dia seguinte, quando já fazíamos as contas de tudo que havíamos perdido.
A TAM é ótima. Na verdade é quase perfeita. Basta você levar apenas bagagem de mão e dar um jeito de despistar a fome com balinhas toffee.

sexta-feira, dezembro 23, 2005

À próxima rodada













Oito cabeças. Oito sentenças mais ou menos longas, parecidas com os títulos do Neryldo. Oito bolachas de chope na mesa, como se fossem oito bolachas de vinil da coleção do Nego à espera de uma resenha definitiva entre Kaiser, Antarctica ou Brahma. Sempre oito cadeiras reservadas, pra mais ou pra menos, com o empenho sincero do cético Kornellius. Oito vozes no Crystal ao mesmo tempo, compreendendo-se quase sem se entender, igualzinho às amebas e aos desenhos do Uca no Paintbrush. Oito atitudes diferentes que convergem em decotes ou detalhes, como o raciocínio ácido e rock´n´roll do Leleco. Oito assuntos diferentes, derretendo rápido com o sorvete italiano e o humor cri-crítico do Carcamano. Oito apostas nos manifestos do Xarape pela expulsão da inveja, da mesquinhez e da mediocridade do Congresso, do mundinho e da raça humana. Oito desencontros coletivos no passeio à livraria, cada qual em sua prateleira, mas com alguma coisa em comum que não os Free que sobraram na carteira do kowalski. Só oito. Oi tô cheio de escrever essa merda. Um brinde e mui obrigado aos amigos e colaboradores da casa, pela companhia em mais um ano estranho, assustador e inesquecível.
Homenáge à Trois



Uma tímida felicitação a esses três ânus.
Terceiro



Hoje comemoramos o Terceiro Aniversário do Meditabundas. E como já dizia o Ultraje a Rigor: "pra mim tá lôco de bom".
Meditabundas Com Anos Em Festa



Feliz aniversário pra nós/vocês. ; )

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Você sabe que tem alguma coisa errada com o fim do ano se...



...Jesus não aparece na capa de pelo menos uma revista semanal de informação.

Quê mais?

terça-feira, dezembro 20, 2005

O Ministério do Trocadilho Adverte:

Desejo de Feliz Natal. : )

segunda-feira, dezembro 19, 2005

sexta-feira, dezembro 16, 2005



Potresto

Eles estão entre nós. Eles, os puxa-sacos. Compadre, eu não sei se tô ficando velho, ficando chato ou as duas coisas, o fato é que eu não sei mais lidar com isso. Não, não sei. Tô cansado do simples convívio, da observação, da convivência forçada com essa raça. Eles estão aí, na rua, no trabalho. E o que faz uma pessoa ser assim, Jesúis? Será que meu nojo é entojo? Porque não é fácil ser puxa-saco. Tem que se empenhar mesmo, é um lobby sem fim, um teatro improvisado (às vezes não, há muito ensaio). Mas é nojento. E a pessoa sabe que você sabe, mas o que importa é o dono do saco, the boss. Eu, que nunca mandei, só obedeci, pergunto: o que pensa o puxa-sacável? Ele sabe e gosta? Não sabe e gosta?
Eu passo. Não é pra mim. Não quero migalha em troca de babação. Tento dizer o que penso ou, no máximo, recolho-me à minha insignificância no cocô do cavalo do bandido. Prefiro me dar muito mal, mas não rélo nessa putaria. Vai, que puxe o saco, suba na vida e me esqueça. Erght, hoje eu tô com noja.
Falta uma semana para o aniversário de 3 anos do Meditabundas. Tá, e daí?

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Quem tem meda do bom velhinho?



Estas crianças, talvez?

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Poker Erótico





Um grupo de amigos joga poker despreocupadamente na sala. Entre um gole e outro de uísque, a conversa começa a perder o rumo:
- Vocês já fizeram o Moinho de Vento?
- Não, como é?
- Você fica deitado, assim ó, e a mulher fica em cima de você, girando.
- Ah! Sim, claro!
- Claro!
- Claro!
- Várias vezes!
- E o Pêndulo Grego?
- Hu!
- Sempre.
- É o melhor...
- O melhor mesmo é a Cavalgada Espartana.
- Coisa de louco!
- Nem me fale!
- Hu!
- Cansei de tanto fazer.
- O Estopim de Chernobil...
- Nossa!
- Bem lembrado! Bem lembrado!
- O bom é que, junto com o Estopim dá para fazer com uma Espanhola Vintage, é claro.
- Hu!
- Mas sabe o que eu gosto mesmo? É da Pirâmide Valenda.
- Pirâmide Valenda?
- É... Você coloca ela no nos ombros, de frente para você, assim ó!
- Oh!
- Oh!
- Hmmm!
Eles param por um segundo e ficam olhando para o teto, pensativos, buscando ou criando alguma imagem em suas cabeças.
Nesse momento, o filho adolescente de um deles que está ouvindo tudo no quarto ao lado grita:
- Ô... Pai! E o Ataque Kossaco?
Seu pai cai da cadeira com um Full House na mão.

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Recordação do lendário almoço de sexta

sexta-feira, dezembro 09, 2005

O Rock Errou



CPM 22, Detonautas, Cachorro Grande, Dead Fish, Tihuana, Sugar Kane, Natiruts, Maskavo, Tribo De Jah, Marcelo D2, Pitty, Engenheiros Do Hawaii, Tianastácia. Nunca vi festival pra reunir tanta coisa que não presta (também, com um nome desses). Sem dúvida a censura será 18 anos. Maior não entra. Nem vai querer.
Deu na Gazeta

...Pelé vai tirar a terceira bolinha.

quinta-feira, dezembro 08, 2005

PERSCRUTAÇÕES PEREMPTÓRIAS DAS INCONGRUÊNCIAS IDIOSSINCRÁTICAS VII



É. Definitivamente eu acredito em Papai Noel.

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Mais do mesmo, eu sei, mas qsf: conforme prometido aqui, eis outro post sobre um dos shows do Pearl Jam no Brasil em 2006. Com usted, o relato de Pedro Franco - woiski, para os íntimos, ui!

*****

Pearl Jam - Rio de Janeiro - 04/12/05 (Por woiski)



Capa dos cadernos culturais de sábado e também do primeiro caderno do jornal O Globo. O jornal estava impressionado com o caráter messiânico dos shows no Brasil e na adoração e fidelidade dos fãs. Ingressos esgotados dias antes do show, como há muito não se via em shows no RJ.

Eu e meu primo de lá, companheiro de vários gigs, inclusive um que eu reluto em admitir que foi divertido (Bon Jovi...) começamos o aquecimento no almoço. Fomos para a casa de um terceiro, com futebol na tv para ver o fim do campeonato. Mengão goleou e fomos para o sambódromo. Táxi, metrô e busão foram usados para chegar e sair de lá. Aquecimento continua na entrada, com vários botecos e lanchonetes instaladas. Bar Luiz, coisa boa, chopp de primeira. Nego me leega quando estava caminhando na passarela do samba para chegar na praça da apoteose. Acenei como bom destaque de carnaval, tchauzinho rainha elizabeth e tal. Arquibancadas vazias, Mudhoney tocando lá no fundo, onde parecia ter muuuita gente.

No meu mundo eu iria conseguir chegar lá na frente. Nada. Lugar entupido, arquibancadas cheias, bonito de se ver. Sem pique pra conquistar espaço e avançar. Ficamos perto da torre, aproveitando que tinha telão e o som estava bom. Fila gigante para comprar cerva, e as malditas faixas dizendo q as vendas seriam interrompidas yadda yadda yadda. A tática de choque e pavor teve que ser aplicada. Um copo na mão e virando outro, pra ganhar tempo. Parênteses: nova schin não é bom para seu organismo.

A banda entra e sai rasgando, como no show de Curitiba. Viva o telão, dava pra ver as expressões de alegria de todos. No começo do show uma mulher me cutuca e fala que se eu continuar pulando e incomodando ela iria me empurrar. Eu respondi bem educado 'Por favor me empurre com força, é o Pearl Jam que está ali'. Não a vi mais, deve ter ido comprar cerveja.

Eddie e sua garrafa de vinho tinto (tava um calor da porra, vai gostar de vinho assim...) arranhou português: 'O Rio de Janeiro é muito legal'. Aí ele puxa um coro 'hey ho, Rio'. Quarenta mil pessoas socando o ar e gritando 'hey ho, Rio' foi de arrepiar. Não consigo lembrar se 'I believe in miracles' veio logo na sequência. Prefiro acreditar que sim, depois confiro. Eles mandaram ver "Daughter", que não teve aqui.

Encontramos no meio do povo o amigo que foi com a gente em 95 no show do Bon Jovi aqui na Pedreira. E também um amigo mineiro, perdido por lá. Uma diferença fundamental pro show de Curitiba foi que o povo pulava e cantava em todo lugar, não apenas os que estavam na frente. Tirando a moça que me ameaçou, craro. Onde eu assisti aqui era eu, Nego e poucos dementes se atirando nas músicas.

Quando começa "Yellow Ledbetter", tradicional desfecho dos shows do PJ, a gente já se posiciona pra sair. Aí termina e ele manda "Baba O'Riley". Foda. De sair pulando até em casa. By the way, a resenha do Alvaro Pereira Júnior sobre o show de sábado, na Folha de SP desta segunda-feira, está sensacional.

PS: não consegui liberar com a operadora os códigos para poder enviar as fotos que tirei via celular. Gravei trechos do show com o celular tb, mas qdo tentei vê-los foi triste. Não dá pra entender nada. Tenho aqui comigo, mostro pra quem quiser.

terça-feira, dezembro 06, 2005

O teaser do terceiro filme dos Homens-Xis já está no ar.

segunda-feira, dezembro 05, 2005


Você assiste ao Jornal Nacional, Homer?


Deu na Carta Capital: para a Globo, o telespectador médio que assiste ao Jornal Nacional é preguiçoso, tem o raciocínio lento e gosta de ficar no sofá comendo rosquinhas e bebendo cerveja. A referência é uma perfeita descrição do Homer Simpson, que dispensa apresentações. As matérias que vão ao ar, então, são escolhidas pelo filtro: "Esta o Homer entende", "Esta o Homer não entende". E a decisão fica nas mãos do apresentador William Bonner, que também é o editor-chefe do Jornal. É a Globo, mais uma vez, servindo ao emburrecimento da Nação.

Clique aqui, Homer.

sexta-feira, dezembro 02, 2005

Pearl Jam - Pedreira Paulo Leminski - 30/11/05 (Por Nery)



Sabe quem faz um puta show? Você. E um show bem mequetrefe? Você também.

Na real pouco importa se os músicos lá no palco se quebram pra tocar bem ou se erram mais do que eu jogando bilboquê, porque é você quem faz o show ser bom. Ou ruim. É claro que volume, limpidez e equalização contam pacas. Mas mesmo assim é você, e a sua percepção de tudo isso, que fazem a diferença. É você, às vezes com a colaboração do acaso, quem escolhe as companhias. É você quem conhece ou desconhece as músicas. É você quem está no pique de agitar ou na vontade de só tomar todas e quem sabe curtir o som, se o vômito não chegar antes.

Dito tudo isso, não sei dizer o quanto gostei do Pearl Jam. É público e notório que não gosto muito do Pearl Jam. Tampouco entendo o grau de adoração/devoção que cerca a banda. Mas poxa, é rock and roll. E poderia muito bem ser um baita show. E foi.

Foi porque foi um evento agitado e barulhento. Mesmo sem aquecimento a contento, teve uma ida divertida e uma parada surreal no estacionamento secreto do woiski. E veja só: ao descermos do carro, estávamos na boca da alegria, distantes apenas dois ou três quilômetros da Pedreira.

Foi também, e inclusive, porque foi na Pedreira - local capaz de evocar os espíritos inquietos de todos aqueles outros grandes shows. Quando entramos o Mudhoney já estava no palco. Som pesado pra caralho, não fosse o volume incompreensivelmente baixo. Pelo menos pude ouvir "Touch Me I'm Sick".

Avançando multidão adentro, chegamos num local legal pro início do show principal. Mas logo vimos que seria preciso chegar ainda mais perto pra poder ouvir a banda direito - o som estava realmente baixo. Pelo menos não estava embolado. Embolada só a voz do Eddie Vedder, ainda mais tentando falar longas frases em português. Em seguida, seguiram-se algumas músicas que eu desconhecia, entremeadas por hits que todo mundo cantava junto. Até arrisquei um ou outro refrão.

O melhor, pro leigão aqui, ficou pro bis. A cover de "I Believe In Miracles", dos Ramones, evocou o clássico show dos caras na mesma Pedreira. Aliás, vendo a galera toda, e eu mesmo, pulando, deu até pra filosofar um pouco: é impressionante a capacidade pulante que a música dos Ramones tem. Qualquer show deles era clássico emendado em clássico. E todos sacolejantes. Nem os Stones tem isso nesse grau de "Hey Ho!".

Outra cover demolidora foi "Kick Out The Jam", com a participação do Mudhoney Mark Arm, que aliás veio ao Brasil no meio do ano justamente como vocal do MC5.

Mas pra não dizer que não falei dos poréns, vamos a eles. Primeiramente, o som baixo, que não condiz com show de rock. Depois, a ausência de telões - o que, para um show deste porte, é imperdoável. Não adianta o Pearl Jam dizer que não é adepto de firulas visuais. Para um público de mais de 20 mil pessoas, um telão deveria ser item de fábrica. Porque se for só pra ouvir a música sem ver nadica de nada, melhor botar o CDzão no 3 em 1. E quem ficou lá pra trás, da mesa de som e luz até o morrinho de chegada (e tinha gente se acotovelando por tudo), o resultado foi um som de radinho de pilha e um brilho de luzes no horizonte. Por fim, a suspensão da venda de cerveja às nove e meia. Que que é isso? Show de banda amish?

Mas enfim, qual o sentido deste post? Afinal, eu gostei ou não do show? Não sei. Só sei que foi uma noitada excelente. E isso é mais do que suficiente.

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Pearl Jam - Pedreira Paulo Leminski - 30/11/05 (Por Nego Lee)



Introduzindo: eu nunca conheci muito do Pearl Jam. Nada contra. Só aconteceu. O único disco que tenho é o "Ten" - e ainda nem é meu. Assim sendo, desta feita, fui ao show dominando mais os assuntos de sexo e drogas do que esse tal de rock'n'roll. E mesmo assim saí chapado com o que vi e ouvi.

São tantas emoções. Vamos a elas:

Emoção de ver o meu amigo Pedro Franco - woiski, para os íntimos, ui! - excitado faz mais de mês com a vinda da banda da vida dele ao Brasil pela primeira vez. Inclusive, não perca na semana que vem, neste mesmo blog, o exclusivo relato do cara sobre o show dos gringos no Rio. Sim, ele vai.

Emoção de saber que o tal show provocou a ressurreição dos mortos-vivos e tirou de casa dezenas e dezenas de amigos e colegas que faz muito tempo já tinham se entregando à idade e à chatice (e que, graças a Eddie Vedder & cia., enfiaram com gosto o pé na jaca e na lama nesta noite inesquecível).

Emoção de poder estar novamente na Pedreira Paulo Leminski lotada, condição que faz dela o lugar mais lindo para se assistir a um show no Brasil. Tudo bem que eu não conheço muitos outros, mas foda-se. Um local que proporcionou Ramones, AC/DC e Pixies para a gente merece todos os elogios.

Emoção de cantar junto - ok, ok, embromar junto, eu confesso - "Last Kiss", "I Believe In Miracles" e "Kick Out The Jams" com um dos maiores vocalistas vivos da atualidade. E olha que eu só falei das covers, pois a apresentação também teve "Black" e outras obras-primas. Pena que não rolou "Baba O'Riley".

Emoção de descobrir que o moleque da cadeira de rodas que esteve no palco para a última canção é amigo do meu chapa Marco "Íris" Pupo e um puta fã do grupo em questã. Segundo o já citado meu chapa, o Leandro foi vocalista de uma banda dele e merecia a homenagem mais do que ninguém.

Emoção, enfim, de me sentir vivo. Alive!

E é/foi isso. Que em 2006 venham os FF - Franz Ferdinand e/ou Foo Fighters - e quem mais tiver que ser. : )

P.S.: Mais sobre Pearl Jam? No sempre bom e velho Lucio Ribeiro de hoje. E também nos sites de notícias da vida, que, para variar, escrevem cousas boas e grandes bobagens sobre tudo que acontece. Um exemplo de cousa boa? No UOL. Um exemplo de grande bobagem? No RPC. Só para variar. : P

quarta-feira, novembro 30, 2005

Claro Q É Rock - São Paulo - 26/11/05 (Por Nego Lee)



Como domingo foi o meu aniversário, um dia antes resolvi convidar um pessoal e contratar umas bandas para tocar na comemoração. E não é que foi uma festinha das boas? Veje só. : P

Busão saindo da Praça Oswaldo Cruz às 4 da madruga e começa a maratona. Maratona para mim, no caso, já que para todos os outros passageiros deve ter sido uma via crucis. Motivo? Este que vos fala agora começou a falar assim que subiu na parada e não parou mais. Rapaz, eu gostcho disso (e o povo do resto de todas as excursões que eu já fui na vida provavelmente não, mas azar). Chegamos em Sampa sei lá que horas e, depois de um macarrão forra-bucho no Shopping Butantã, partimos rumo ao local do festival. E, entre uma hora e outra, dá-lhe cerveza com certeza.

Devidamente paramentados para uma possível vingança dos céus capitaneada por São Pedro contra os humanos profanos aqui da Terra, nós - leia-se eu, meu compadre e nuestras adoráveis companhias morenas portando capas de chuvas nos bolsos e pochetes - entramos na Chácara do Jóquei umas sei lá que horas e o palco já presenteava os poucos presentes com uma das dezenas de bandas brazucas e desconhecidas convidadas para abrir os shows dos gringos. Caralha, esse parágrafo foi escrito quase com uma frase só. Estou escrevendo cada vez pior. Ou melhor, sei lá.

Até que, um ou dois cachorros-quentes depois, começa o róque. Cachorro Grande sobe no palco A ou B sei lá e só eu da turma pula/canta/berra/tromba/etc (com os outros malas me enchendo a paciência por isso). Saldo? Muita risada, só para variar. Os gaúchos foram muito bão e até a minha filha ouviu parte do show à distância, por celular, em uma ligação feita por ieu na mesma hora para ela. Em seguida, no outlo lado do lugal, Nação Zumbi entra em cena para um show pesado, pero lento, com escolha de repertório errada e aquela eterna sensação de falta do velho Chico.

Gringos em cena! O tal do Good Charlote é uma bobagem esquecível. Esqueça. Já o Fantomas, uma besteira insuportável. Experimentalismo cabeça em festival de cu é rola, Mrs. Mike Patton. Até que entrou a terceira banda internacional da noite... Pausa. Falando em internacional, o Internacional merecia ser o Campeão Brasileiro de 2005. Timão timinho! Fim da pausa. Continuando... E tudo mudou. Se os dois primeiros shows não-brasileiros foram uma droga, o próximo foi outra droga, mas uma droga daquelas boas, alucionógenas, prazerosas e surpreeendentes.

The Flaming Lips é o nome da melhor atração da noite. Tudo que você precisava saber sobre eles mas não tinha para quem perguntar não vai ser escrito aqui. Procure no Google que lá vai ter sobre a bolha inflável na platéia, os adultos vestidos de bichinhos e o telão engraçadão. O que eu tenho a dizer: é estúpida de tão boa a sensação que eles causam nas sensações. Dos olhos aos ouvidos, das canções originais às covers ("Bohemian Rapsody" e "War Pigs"), da evidente sinceridade à escancarada cara de pau, tudo no show dos caras é absolutamente empaudurecedor. Nota 10, mofada!

Iggy Pop na área! Não tocou "Search & Destroy", mas procurou destruir tudo que viu pela frente. Não tocou "Candy" ou "The Passenger" (nem nada da carreira solo), mas foda-se. O cara é o cara. A prova viva de que heroína só mata humano. E a velha iguana não é humana. É um ser de outro mundo, estriquinado e nascido para matar. Foi massa ver o cara xingando tudo e a todos, enlouquecendo tanto a gente quanto os seguranças e, de quebra, entrando na meia-noite com "I Wanna Be Your Dog", o "Parabéns Para Você" dos meus 32 anos e o mais diferente que já tive.

Para encerrar, Nine Inch Nails. Só tenho um disco dos caras e só conhecia a tal fase industrial da carreira deles, mas nada como um banho de luz no zóio e sonzeira forte na zorêia para conquistar uma pessoa e fazer qualquer um mudar de opinião. E nisso, os tais são profissionais. Juro: fazia tempo que eu não via uma iluminação tão poderosa e um sistema de som tão arrebatador como o dessa banda. Tanto que passei mal e pedi ar no meio da apresentação. E não, não foi porque eu estava bebendo fazia mais de 24 horas não. Afinal, eu sou brasileiro e não desisto never.

E é/foi isso. Que venha hoje o Pearl Jam. : )

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Claro Q É Rock - São Paulo - 26/11/05 (Por Nery)



Impossível fazer um post breve quando o dia em questão teve todas as suas 24 horas literalmente lotadas.

Então, alonguemo-nos e pronto. Pra começar, lembro sonolentamente que o tal dia em questão começou às 3 da manhã. Cara lavada, cerveja congelada e mochila do Batman arrumada. Só faltava chamar o táxi. Ok, táxi chamado, chegado e pronto, lá estávamos, eu, a Heidy e o sono, a caminho do ponto de encontro pra pegar o busão. O Nego já esperava por nós. E pela Milena. E com a chegada dela, só faltava mesmo esperar pelos retardatários de sempre para partirmos alegres e contentes e saltitantes rumo a seis horas de (boa) viagem. Sono? Não, cerveja. E animação, papo bom, piadas ruins e risadas muitas. Tudo muito divertido não fosse o resto do ônibus, que parecia estar numa excursão para Aparecida do Norte (eu minto e exagero, claro, pois alguns bons companheiros de viagem pelo menos riam das nossas piadas ruins). Como não erramos de ônibus, erraram os incomodados. Pois então que se mudem. E se mudaram. Pelo menos o carinha de cabelo pra frente e sua respectiva de cabelo colorido e cara feia. Tchau. Mais tarde rolou um DVD de vampiros com o Christopher Lee. Melhor tirar uma pestana que sabe-se lá quando a oportunidade se repetirá. Restou só uma dúvida num dos vários abrir-e-fechar de olhos: vampiro morre com água corrente? Porque o do filme morreu, afundando num laguinho congelado.

Chegamos cedo. E com tempo feio. Nem garoa da terra da garoa era mais: era chuva mesmo. Por isso, o jeito foi comer num shopping. Como se diferente fosse se encontrássemos um sol brilhante pela frente. Ou acima da gente, que seja. Mas como andar em shopping, qualquer shopping, é sempre igual, não tenho nada pra comentar deste intervalo de tempo modorrento. Até batermos um rango, já que isso é sempre bom. Aliás, bom (e bastante) foi o prato de massa à minha frente. E nem caro foi. Impressionante. De resto, hora de retornar ao busão. Ainda bem, que já estava batendo uma mandriice braba. Hora de trocar a camiseta, se entupir de cápsulas de guaraná e cantar aquela do Iggy Pop: "We're Not Gonna Take It", claro.

A tal Chácara do Jockey, local do evento, ficava enroscada bem no meio de ruelas cheias de lançantes. O ônibus teve que nós jogar a muitas léguas da entrada. Mas tudo bem, que o cansaço físico ainda era pouco a esta hora. Ficava evidente então a primeira (de poucas) falha organizacional do show: o acesso. Na entrada principal, carros e pessoas dividiam um espaço quase inexistente, numa rua digna de cidadezinha italiana, daquelas onde rodam filmes que têm aquelas perseguições de lambreta por vielas estreitas. Melhor entrar, que logo começaria o show do Cachorro Grande e alguém, que eu não vou dizer que Nego era, queria porque queria ver.

Entrada tranqüila. Deve ter piorado à noite, mas aí o problema não era mais meu. Revista tranqüila também, com detector de metais e sem mão no saco. Banheiros tranqüilos e até mesmo limpos (àquela hora, claro). Mas que, por ficarem meio escondidos, nunca estiveram lotados, mesmo durante o fervo. Cerveja bem cara, claro, mas pelo menos decente: Bavária Premium. Havia um boato terrível de que seria a tal de Conti, mas era infundado, graças aos deuses nórdicos (que até onde eu sei são chegados numa cana). Aliás, o boato segue agora para o show do Pearl Jam (vamos orar novamente, irmãos). A comida também era cara, com um cachorro-quente saindo por cincão. Melhor opção foi o yakissoba a dez pilas, que matou a minha fome (e a da Heidy no mesmo prato) até quase o finzão da noite. De resto, mais um ponto pra organização: dois palcos. O que a princípio me parecia ser um contra-senso, por exigir deslocamento a cada show, se revelou uma bela sacada para liquidar os tradicionais atrasos. Cada show começava grudadinho no que acabava de acabar. E se você não precisasse mijar ou comer ou sei lá o quê, era possível chegar relativamente perto do palco a cada guinada de 180º. Por outro lado (ou dos dois lados), o que incomodava pra caramba eram as gruas com câmeras na ponta: trambolhos que, a cada travelling, tampavam a visão de todos que estavam atrás. E pra ajudar a piorar, os telões redondos eram pequenos e tinham uma resolução porca. Isso ajudou na nota baixa de alguns shows (continue lendo pra saber mais).

Quando entramos na parada, uma daquelas bandas vencedoras das seletivas do Claro Q É Rock estava tocando e tentando abocanhar também o grande prêmio que eu nem sabia e nem queria saber qual era. O som não ia além de um nhé, se bem que, como bem falou o Nego, fica difícil chamar a atenção num festival desses apenas com música própria (e desconhecida), muita vontade e toda plenitude da luz do dia. Só mesmo se mostrar o pinto e chamar todo mundo de nome feio.

Mas vamos aos shows:

- Cachorro Grande - eu não gosto do Cachorro Grande. Dito isso, vale dizer que o show deles fez a galera pular e cantar, obviamente contando com uma ajudinha da MTV e daquele CDzinho acusticado das bandas gaúchas. Mas não me pegou. Continuo achando os caras com cara de Garotos Da Rua reciclados para os anos dois mil, com mais pose, figurino da mod, boinas idiotas e o já manjado "resgate da sonoridade sessentista". Posso estar errado. Mas não acho que estou. Sem falar que no show rolou uma música esticada com virtuosismos bluezy que conseguiu ser ainda mais pé no saco do que todas as roquices normais dos caras.

(Após o show do Cachorro Magro, ou Grande, que seja, mais três bandas concorrentes tocaram no Palco B. E a gente aproveitou para conhecer e descansar um pouco no lounge, que ficava lá lounge - adoro trocadilho ruim).

- Good Charlotte - desde que chegamos ao local dos shows reparamos que as camisetas dos Good Chattope proliferavam como moscas do lixo nos peitos sem peitos de garotinhas de no máximo 13 anos e meio. E foram elas que, em bando, ficaram gritando na boca do palco, além de grudarem como carrapato na toalha, ou cueca, jogada por alguém da banda. As que estavam atrasadas entravam correndo desesperadas, com suas mães e tias e tios e pais e sabe-se lá mais quem correndo atrás, com cara de "quequeutôfazendoaqui?". A despeito do show irritante, como de toda banda emocore que se preza, a inclusão dos Cu Xarope foi um acerto do ponto de vista organizacional, pois levou uma galera que nunca sairia de casa pra ver as boas bandas do festival, mas que pagou o ingresso pra ver lixo, vazando logo em seguida porque precisava estar na cama antes das dez.

(Bem antes do show-baba acabar nós já esperávamos diante do Palco B pela entrada da Nação Zumbi. E não é que o Wayne Coyne, líder dos Flaming Lips, me sai sorrindo dos bastidores, avança pelo palco e joga um balão gigantão pra galera se divertir? Cara legal esse cara.)

- Nação Zumbi - banda de responsa. Dizem que o Wayne Coyne se impressionou com o bati-cum-bum vigoroso. E com a presença de palco do vocal Jorge Du Peixe. Imagine se ele visse a banda na fase-auge do Chico Science, com suas danças e disfarces maracatueiros. Além disso, o Chico era um puta compositor pop, um hitmaker mesmo. Até por isso as canções atuais (exceção para "Quando A Maré Encher", que por acaso não é da Nação e não é viajandona como as outras) não levantaram tanto assim a galera como quando "Manguetown", "Cidadão Do Mundo" e "Da Lama Ao Caos" brotaram poderosas das poderosas caixas de som. É chato comparar. Mas é inevitável. Um grande show, anyway. Daqueles que não devem nada aos gringos.

- Fantomas - nas palavras do próprio Mike Patton: "nosso som não combina muito com festivais. Quer dizer, basicamente é um pé no saco pra ouvir." O cara está certíssimo. Mas mesmo assim, foi um show fundamental. Senão quando poderíamos esvaziar as nossas bexigas e voltar a enchê-las com mais cerveja cara?

- The Flaming Lips - mágico. Em quantos momentos de sua vida você conseguiu usar este adjetivo? Poucos, obviamente. Para mim, um deles foi este show. Show não, espetáculo. Evento. Sei lá. Momento mágico feito pra gente ver, ouvir e guardar. No coração. Feliz da vida. Ao contrário da trupe de gentes vestidas como bichos de pelúcia que invadiu o palco já no início do show, o povo da banda não usa máscaras (coisa tão comum no rock and roll). Ficam ali, zanzando pelo palco antes do show, ajudando a acertar o ângulo do telão, o som do teclado, o volume do vocal. E quanto Mike Patton pára de fazer o seu barulho chato do outro lado eles entram. Pra história. Pra minha história. Se empatia instantânea tem um nome, ela se chama Wayne Coyne. O cara simplesmente comanda a massa como se fosse um amigão de longa data. Quando canta, por vezes falseia, por vezes desafina mesmo, e tudo continua coeso nesta festa tão bem armada. Vale dizer que Wayne não subiu no palco pra começar o show. Ele desceu do espaço numa bolha/nave/cápsula. E caminhou sobre os mortais, ou tentou, pelo menos. Tudo ao som da bela e episódica "Race The Prize". Em seguida rolou um karaokê maluco de "Bohemian Rhapsody", com a letra da música no telão. Só pra ganhar uma platéia que já estava ganha. Seguiram-se os semi-sucessos-meio-obscuros do último CD: "Fight Test", "Yoshimi Battles The Pink Robots" e "Do You Realize?". Depois a tal "Cow Jam" - com um surreal duelo entre guitarra e um daqueles pianinhos infantis com sons de vaca, pato e outros bichos, a ótima canção/hino "The Gash" e a maravilhosa e clássica "She Don't Use Jelly". Tudo não necessariamente nesta ordem. E tudo com direito a chuva de serpentina e papel picado, balões coloridos, mãos gigantes e fantoche de freira. Destaque ainda para o guitarrista/tecladista/backing-vocal/megafonista Steve Drozd, que mesmo com sua roupa inflável de Papai-Noel preencheu com melodias certeiras os delírios visual de seu líder. O grand-finale ficou para a demolidora "War Pigs", do Black Sabbath, em homenagem ao presidente Bush. Matador. E mágico.

- Iggy Pop & The Stooges - Ainda flaminglipstasiados, tivemos de correr pra garantir um bom lugar no que deveria ser o show da noite. Mas a bexiga solta de todos acabou por nos deixar num local ingrato. Quando Iggy entrou no palco, só víamos a grua e, logo depois, um bando de bolas infláveis da Claro, que algum idéia-de-jerico achou que seria supimpa no show do pai/mãe/avô/avó do punk. Antes de falar mais do show, um adendo (ou confissão) - eu não sou exatamente um profundo conhecedor do brevíssima carreira dos Stooges. Manjo os clássicos, manja? Então, vibrei muito com "No Fun", "1969" e as duas execuções (quase no sentido marcial da palavra) de "I Wanna Be Your Dog". Mas em outras canções simplesmente não entrei tanto assim no clima, ainda mais pela distância (continuávamos nos locomovendo pra tentar escapar da tal grua). E porque eu cheguei a pensar que o nome Iggy Pop à frente significaria talvez alguns petardos clássicos de sua extensa carreira solo, que por incrível que pareça eu conheço mais do que o seu passado tão incensado com os Stooges. Uma "High On You", "China Girl" ou "The Passenger", ou até mesmo um lado B como "Loco Mosquito" já me faria ainda mais feliz. Ou então "Raw Power", do terceiro disco dele com os Stooges, e que foi solenemente esquecido. Faltou ainda eles tocarem o "Parabéns Pra Você" pro meu compadre Nego Lee, mas a gente cantou alto o suficiente pra chácara inteira ouvir. E mesmo com todas essas ausências musicais e com todas as deficiências de localização, o velhinho mata a pau. Fez a galera subir e se esbaldar no palco, deixando loucos os seguranças - e isso não foi "armação", porque mesmo à distância a gente sentia o clima de tensão no ar. Pensei que aquilo não teria mais volta e que o show morreria ali mesmo, no caos. Mas tudo se resolveu e o velho continuou pulando e contagiando até o bis que aparentemente não queriam dar pra ele (ahlôco).

- Sonic Youth - foi um show enviesado, viajandão, pra fã. E eu não sou fã do Sonic Youth. Estou mais pra conhecedor de primeira viagem. De cara, os caras (e a guria) tocaram quatro músicas do último disco, a climática "I Love You Golden Blue", a bela e calminha "Stones", a mais animadinha "Pattern Recognition" (pena que o microfone da Kim Gordon estivesse meio baixo) e a meio Neil Young light "Unmade Bed". Tudo com as já esperadas distorções e microfonias e guitarreadas. E convenhamos que às vezes isso soa meio chatinho. O show começou para mim com a quinta música, "Schizofrenia", com a sua levada e vocal meio New Order (pra mim, pelo menos). E teve ainda a maravilhosa "Teen Age Riot", do clássico "Daydream Nation".

- Nine Inch Nails - duas da manhã. O pique, qualquer que fosse, tinha nos abandonado. Mas ainda tivemos força para achar um bom lugar, longe de gruas e relativamente perto do Palco A. Lá em cima, uma puta estrutura já estava montada. Ao meu redor, um clima sombrio, onde zumbis ressuscitados pelo Marilyn Manson me cercavam, aparentemente ávidos por um naco do meu cérebro. Mas antes que isso acontecesse, Trent Reznor e sua trupe invadiram o palco descendo porrada com a eletrônico-alucinada "Wish" - "This is the first days of my last days". O som no volume máximo, o efeitos de palco - como quando os recordes do chão e do teto iam ficando avermelhados e ígneos como uma radiografia do inferno, a iluminação caprichada - valorizando muitas vezes as sombras dos músicos; tudo muito do legal. Parece que só o Trent Reznor não gostou, e até por isso não tivemos bis. Eu ainda gostaria de ter ouvido o hit "Perfect Drug", que eles nem tocam. E também "Heresy" e "Something I Can Never Have". É claro que depois de uma hora de show a barulheira cansa e se torna um pouco repetitiva. Para mim, pelo menos, foi assim. O jeito foi sentar um pouco, que a idade às vezes pesa.

Fim de show, fim de festa. Desmaiei/amos no ônibus pra só acordar em Curitiba. Prontos pra hoje. Eita!

(Link de vídeo aqui.)

segunda-feira, novembro 28, 2005



Ontem foi aniversário do Nego Lee. Tá, e daí? Ah lôco, rimou.