terça-feira, maio 08, 2007

Pessoas



Pessoas avisam ansiosas que precisamos fazer alguma coisa urgente porque o Orkut vai passar a ser pago.

Pessoas pedem no MSN que você inclua uma flor no seu nickname para mostrar que é contra a violência.

Pessoas até enviam e-mails para a Fiat, por exemplo, para protestar (?) contra as mudanças do novo Palio.

Pessoas pela Internet são engraçadas.

Pessoas... Argh.

quarta-feira, abril 25, 2007

Faça Sua Legenda - II



Texto original: "Policial civil exibe réplica de espada medieval apreendida durante ocupação ao complexo do Pavão-Pavãozinho, no RJ; houve troca de tiros com criminosos e prisões foram efetuadas." (Fonte: UOL)

Qual seria o SEU texto para a foto? Resposta nos comentários.

quinta-feira, abril 19, 2007


Um diretor de arte e um redator,

depois de meia dúzia de cervejas,

resolveram tirar fotos num jogo de futebol.

Você é capaz de adivinhar quem tirou qual?

quarta-feira, abril 18, 2007

Ê, Meu Inimigo Charlie Brown...



Às vezes eu fazo cousas que até Zeus duvida. Escutar rádio, por exemplo. Sim, em tempos de MP3, eu ainda aciono o toca-fitas do meu SP2 para saber qual é, neguinho, qual é o quente da programação radiofônica e comercial de hoje. Ok, confesso que é mais pela comercial do que pela radiofônica, já que o que eu busco mesmo é o break, para ver a quantas anda a propaganda local do meu Paraná varonil. Ver não: ouvir. Que burro eu sou, sô.

Mas não tão burro quanto o existêncio de uma das piores bandas já nascidas pelo cu deste Brasilzão do Cão: Charlie Brown Jr. Escutar ISSO de novo me fez sentar a bunda gorda na cadeira numa madruga dessas qualquer só para sentar a lenha nos tais. Maldito seja o pai do tal Jr., que blasfemou Charles Schulz e/ou até Benito di Paula (acho) para batizar algo tão, tipo assim, maior nada a ver, sabe? - e que não presta nenhum serviço a nada ou lugar algum.

Detalhando: musicalmente, Charlie Brown Jr. é nada. E, literaturalmente, pior. Zero chance de eu querer Proust dentro de um estilo tão banal quanto o rock. Eu nunca vou me esquecer que o tal (meu) ritmo preferido iniciou com "Be-Bop-A-Lula-Be-Bop-Bem-Bom" ou algo assim. Nem que um dos grupos que mais aprecio faz cousas tão ou mais superficiais - mas muito mais adoráveis - como isso aqui. Mas jamais vou deixar me levar por algo tão ruim assim.

Quem defende diz que é música pesada e rápida, sem frescura que vai na veia. Concordo e disconcordo: música pesada por si só serve apenas para pogar; rápida como esta, somente para cabecear. E se a busca é por algo sem frescura que vai na veia, que a pessoa experimente doar sangue, então. A agulha da seringa é quentinha, o barato rola se o jejum estiver em dia e você ainda leva um Nescau de brinde na saída. Música? Usa um iPod com algo que preste, ué.

Resumindo, se você não tem corpinho de 12 anos e a cabeça de 6-6-6, CBJ é som não bão, com um discurso monossilábico, ininteligível e nada inspirador. Ou, em outras palavras, barulhinho bobo feito com letras grandes e figuras para colorir, com a mesma profundidade de "Ritmo de Festa". Com a diferença que esta obra-prima do gênio Silvio Santos, pelo menos, é sorridente, ao contrário de toda a obrada carrancuda de Chorão & seus moleques.

Resumindo de novo: delete.

sexta-feira, abril 13, 2007

Top Five - As Covers Mais Subversivas (e Divertidas) Que Eu Já Ouvi



Foi de bate-pronto. Estava ouvindo a primeira da lista e aí pensei rapidinho em outras quatro. Lembra doutras? Tasque nos comentários.

1. "(I Can't Get No) Satisfaction" - Devo (baixe - veja)
2. "Sítio Do Pica-Pau Amarelo" - Pato Fu (baixe)
3. "Sweet Child O'Mine" - Luna (baixe)
4. "Confortably Numb" - Scissor Sisters (baixe - veja)
5. "Jump" - Aztec Camera (baixe)
O Lado Ruim das Coisas - I

O lado ruim do carro funerário é que, quando morre o motor, o carona não ajuda a empurrar.

terça-feira, abril 03, 2007

It's Raining 300 Men.

quinta-feira, março 29, 2007

- Seu guarda, eu não roubei nada.


- Como não? E essas gravatas aí no seu carro?


- Ah, tinha que pagar, é?




*H. S., judeu-mor de SP, foi preso nos EUA acusado de roubar 4 gravatas de grifes como Louis Vuitton, Armani e Gucci. E depois dizem que o povo é maldoso.

segunda-feira, março 26, 2007

Faça Sua Legenda*



Texto original: "Teresita Galanto, 71 anos, fuma um charuto durante competição em Candon. O evento faz parte das comemorações do Festival do Tabaco, que estende-se por uma semana em Ilocos Sur." (Fonte: Terra)

Qual seria o SEU texto para a foto? Resposta nos comentários.

*****

* Em tempo: esta é uma tentativa de criar uma nova série de posts, digamos, temáticos aqui no Moribundas. Vamos ver se dá certo e agita um pouco isso aqui.

sexta-feira, março 23, 2007


Oh, my God!

Eu sou católico. Mas dou tanta importância para isso como para o fato de ser canhoto. Eu nasci assim, e não fiz nenhuma questão de mudar isso. Assim como escrever com a esquerda só me incomodou quando eu tinha que estudar naquelas cadeiras com apoio para o braço direito, ser católico só me incomoda quando sou obrigado a ouvir aquele blá-blá-blá bíblico (fale isso rápido) capaz de infligir sonolência instantânea no mais insone e cafeinado dos mortais.

É uma verborragia surreal cuja mensagem eu nunca entendi direito. Talvez porque, logo na segunda frase, eu já comece a divagar, a pensar em coisas mais mundanas, mais práticas ou até mais sacanas, dependendo dos decotes das amiguinhas dos noivos. Eu sei que não é o tipo de pensamento que se deva ter numa igreja, mas não vejo por parte dos padres nenhum esforço em prender minha atenção. E também nunca nenhum raio caiu na minha cabeça por causa disso. Nem na cabeça dos padres que têm hábitos estranhos - não os de vestir, mas os de despir

A situação é grave.

No meu próprio casamento fiz um esforço hercúleo para tentar captar uma mensagem daquele amontoado de passagens bíblicas lidas pelo padre, mas não foi fácil. A confusão foi tanta que devo ter respondido “sim” na hora do “amém,” “prometo” na hora do “cordeiro de Deus”, e quase coloquei a aliança na mão do padre quando deveria pegar a óstia.

Não me entenda mal. Não é por falta de vontade ou falta de fé que eu sou assim. Eu acredito e tenho fé em muita coisa. Mas é que falta à turma da batina o dom da persuasão que, combinado a uma necessária atualização, tornaria mais crível e interessante o monólogo da Igreja. E tem isso também de ser um monólogo. A Igreja não ouve o que seus fiéis seguidores têm a dizer. Quando ouve, dá um jeito de castigá-los (15 Pai-Nossos, 25 Ave-Marias...). Mas parece que ela não aprende com a experiência. Não se adapta de jeito nenhum. E por isso perde adeptos aos milhões para seitas de caráter muito mais duvidoso do que o dos padres pervertidos de quem tanto ouvimos falar.

Hoje em dia não existe mais espaço para quem prefere continuar tapando o sol com a peneira a passar um bom filtro solar.

Eu sou católico mas não tenho nada a ver com isso aí. Gostava do João Paulo II, mas não assinaria embaixo nada do que ele escreveu. Tá certo que eu não li nada do que ele escreveu, e até isso comprova a falha de tato da Igreja. É sempre a mesma história, a mesma caretice e a mesma ameaça.

E tem mais: até hoje ninguém me explicou o que Deus fazia antes de resolver criar o mundo; ou para que time Ele torce; ou ainda onde Ele nasceu. Também não entendo por que tanta gente afirma que Ele é fiel. Se bem que para isso eu tenho um palpite: a mulher Dele deve ser uma Deusa.

(reclamações e pedidos de excomungação devem ser enviados para a Caixa Postal do Meditabundas)
JC voltou para quicar uns esses



É sabido que os filmes realmente bons nunca entram em cartaz aqui nos cinemas tupiniquins. Prova cabal é este Jesus Christ Vampire Hunter. Veja aqui o trailer, aqui uma cena do filme onde JC quica uns esses e finalmente ouça aqui a sensacional canção dos créditos finais. A letra vem a seguir, caso você queira cantar junto enquanto lamenta o que está perdendo:

He came from Heaven/
Two stakes in his hand!
To smote the vampires/
And free the land!
Come now and join him/
All ye strong and bold!
We'll fight together,/
Like the days of old!
It's all good! It's all right!
Everybody get laid/
Tonight!

quinta-feira, março 22, 2007

- Eu fui excrementado, véia duma figa!

Já era a quinta vez que Lonamílson explicava sua situação para a doce senhora que ele havia encontrado no meio da faixa de pedestres de uma rua movimentada do centro.
Nas outras quatro vezes ele até que tinha sido educado, mas para quem está deitado com as duas pernas e um cotovelo quebrados, além da orelha descolada do rosto, é compreensível que se perca a paciência rapidamente. Além do que, a velha não tinha nada que ficar lá incomodando o pobre coitado. Tudo bem que ela era cega, e por isso mesmo achou estranho cutucar um corpo com sua varinha dobrável no meio da rua. Outro atenuante é que ela também era meio surda, o que complicou ainda mais a sua compreensão da cena. Com todos aqueles carros buzinando perto do seu ouvido, então, você imagina o caos.
Mas Lonamílson não estava nem aí para os problemas da velha. Ele estava era ali, estatelado no chão, gemendo e se sentindo como um pacote de ovos quebrados. Tentava refazer mentalmente a cagada que havia cometido para acabar daquele jeito, e a simples lembrança já era penitência suficiente.
Os curiosos ele sublimava - ficavam apenas olhando e fazendo cara de espanto. Duas mulheres desmaiaram. Um sujeito engomadinho deu um grito histérico, deixou cair sua pasta e saiu rebolando com a mão na testa feito um pavão desmunhecado. Um piá gordinho, daqueles que a camisa da escola mal esconde o umbigo e que parece viver com um sorvete de casquinha na mão, se agachou e perguntou como ele conseguia fazer aquilo de dobrar a perna para a frente. Mas Lonamílson nem ligou para eles.
A porra da velha é que o estava tirando do sério.
As sirenes já davam ao longe o ar da sua (des)graça quando ele agarrou a vara da velha com a mão boa que lhe restava e... bom, o resto da história é muito triste para ser contado aqui. Coitado do Lonamílson.

terça-feira, março 20, 2007

Sai Imagem Da Cabeça



Do Blue Bus de ontem: "Escandaloso | Site oferece 1,000 para blogueiro q ficar nu 'de corpo e alma'".

Aviso: aqui não, violão!

sexta-feira, março 09, 2007

Frog Explica



Sapo me dá nojo. Bem, não é nojo, igual publicitário: é medo. Não MEDO, assim, sério, só meda, sabe?

Então, ontem, cagando, me toquei... Espera, essa frase não ficou nada boa. Nada boa mesmo. De novo... Então, ontem, cagando, me toquei de uma cousa: sapo é trauma que vem da infância. Como? Sim! Como não? Olha só...

"Sapo, sapo, na beira da lagoa, não tem, não tem..."

"Sapo jururu na beira do rio..."

"Sapo não lava o pé, não lava porque não quer..."

Mas não é só/E o que é pior: em uma das piores lembranças da minha vida - a morte da Vó Lindamir - havia sapo para caralho. Atrás da capela do velório, em volta de tudo e de todos, dos olhos e orelhas na noite, na mente até hoje: sapo, sapo e sapo.

Deve ser por isso que eu não gosto do filme Magnólia.

Deve ser por texto ruim assim que eu não gosto mais de mim escrevendo aqui.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Hospedagem.org.br

Seqüestradores e estelionatários deveriam ser mandados para o inferno. E sem passagem de volta. Podem chover cartas à redação, ameaças de bomba, apelidos nazistas, não estou nem aí. O que não dá mais é conviver com esses fdps terroristas que tentam ganhar dinheiro às custas do pavor ou da ignorância do povo.
O filho da puta que mantém o site acima, por exemplo, é um desses que poderia ser excluído da sociedade sem dano algum ao meio ambiente. Pelo contrário. Seria muito bem-ido. Sabe o que ele faz? O espertalhão criou uma empresa chamada www.hospedagem.org.br. Aí ele fica mandando boletinhos para milhares de empresas que mantêm sites na internet cobrando uma anuidade de R$ 318,00. E claro que, empresas menos avisadas, ao lerem seu domínio num boleto encaminham o troço para o financeiro que paga a conta. E assim o espertalhão ganha uma grana fácil, fácil, sem precisar dar nada em troca. Afinal, no boleto ele colocou a seguinte frase: "Pagamento facultativo." Azar de quem paga. E o cara taí, soltão, rindo à toa. Bom, num país que se permite ter tantas cobras e picaretas no Congresso, no Senado e até no Alvorada, era de se esperar o quê?

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Grito De Carnaval



Sugestão para quem quiser se juntar ao bloco dos sujos e passar o Carnaval em Curitiba.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Só para lembrar

A partir de hoje, o nosso glorioso Poder Legislativo possui novos e antigos representantes.
Viva a democracia! Viva a maturidade política brasileira!
Sorriso pendurado de orelha a orelha, lá estavam as pessoas que serão responsáveis por fiscalizar o Executivo, redigir e aprovar as leis para os próximos quatro anos:
- Frank Aguiar
- Clodovil Hernandes (muito elegante, diga-se de passagem)
- Paulo Maluf
- Antônio Palocci
- José Genoíno
- Ricardo Berzoini (com os dois de cima já dá um quadrilha)
- Celso Russomano (aqui e agora, de novo)
- Enéas
- Fernando Collor (no senado)

Parabéns a todos!

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Cousas Que Eu Vi/Aprendi/Percebi/Conclui Nas Férias



Acima, grafiti num muro de Buenos Aires. Foto: Mi. : )

- Sim, você sobrevive sem Internet. Aliás, você vive sem Internet.
- Termas é um lugar 8 ou 80: ou é para criança, ou é para velho. Gente com 30 morre de tédio por lá.
- Camiseta sem-manga é a roupa masculina mais feia do mundo.
- Meu cocô fica mais clarinho na Argentina.
- Cerveja de 1 litro deveria ser obrigatório em todos os países.
- Comer Häagen-Dazs de cream cheese ouvindo Screamin' Jay Hawkins é bão, bem bão, bão para caralho.
- Preciso emagrecer urgente.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Da série Produtos Piratas - Celular com Câmera

quinta-feira, dezembro 28, 2006

O Mario tinha razão.

domingo, dezembro 24, 2006


Post de Natal do kowalski


D´us abençoe a todos nós, porque 2007 vem aí com fúria redobrada. Quem tem olhos para ler e ouvidos para ouvir, que o faça neste texto de um(a) Pessoa especial - O Guardador De Rebanhos Alberto Caeiro. Feliz Natal. É o desejo nítido e sincero deste vosso amigo de sempre - DR.




Num meio-dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
Com
flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.

(...)
Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o sol
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.

Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.
(...)

A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.
(...)

Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo um universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.

Depois eu conto-lhe histórias das cousas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos-mares.
(...)

Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.

Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate as palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.

Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.

Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há-de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?

08-03-1914

quinta-feira, dezembro 21, 2006



Bichos Escrotos
Titãs

Bichos,
saiam dos lixos
Baratas,
me deixem ver suas patas
Ratos,
entrem nos sapatos
Do cidadão civilizado
Pulgas,
que habitam minhas rugas

Oncinha pintada,
Zebrinha listrada,
Coelhinho peludo,
Vão se foder!
Porque aqui na face da terra
Só bicho escroto é que vai ter!

Bichos escrotos, saiam dos esgotos
Bichos escrotos, venham enfeitar

Meu lar,
Meu jantar,
Meu nobre paladar

PS: Há alguns meses, num fim de tarde, chegando de avião em Brasília, meu instinto mandou ligar o iPod no volume máximo e ouvir essa música. Sei lá, a imagem da Esplanada dos Ministérios aumentou em 91% meu nojo pelos bichos escrotos.
Histórias Malcontadas II - Versão post de Natal


A noite só não estava mais escura pois havia no céu (onde mais?) uma grande e brilhante estrela cuja luz patinava pelos lagos congelados da Lapônia (que não é um anagrama de Polônia). O frio era de fazer fogo pegar gripe, e de trincar o saco de quem não usava cueca de lã. Por falar em saco, a data era especial: véspera de Natal. Estava marcada para o dia seguinte a cesariana da mãe de Hagios Nikolaos, futuro bispo de Myra, na atual Turquia. Como apenas uma rena bêbada sabia, o pequeno Hagios mais tarde viria a se tornar um velho boa praça e amigo das crianças, eternizado como Saint Nicholas, Santa Claus ou apenas Santa para os entendidos.
Os pais de Nikolaos eram gregos, mas ele acabou nascendo na Lapônia pois na Grécia as parteiras não se entendiam - pareciam falar grego - e a operação corria um grande risco de dar errado. Ao nascer, porém, o pequeno e barbudo Nikolaos disse em alto e bom som - ainda que com uma voz meio efeminada - a célebre frase: ?Vinde a mim as criancinhas?. Em seguida pôs uma mão no saco e outra na nuca, deu umas reboladas meio estranhas e saiu da barriga da mãe andando para trás num passo nunca antes visto nem por Abraão nem por Abrantes, os enfermeiros de plantão.
Até hoje, dois mil e tantos anos depois, esta estranha história é passada de geração para geração através do arcaico sistema de telefone sem fio. Um sistema, digamos, não muito confiável e cheio de ruídos, que tranformou por exemplo uma irretocável melodia chamada "Just beat it" em uma sinistra (cheia de sinos, para os menos letrados) composição chamada "Jingle Bells". Acredite se quiser. E ho-ho-ho para todos.

segunda-feira, dezembro 18, 2006

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Kronos e a Arma Temporal



Num típico final de história em quadrinhos, ele se vê dependurado na beira do precipício, com apenas uma das mãos a lhe sustentar o corpanzil atlético de mais de 100 quilos. No topo, com pose de "já ganhei", o vilão maquiavélico conhecido como Kronos gargalha enquanto pisoteia a mão do pobre herói.
- Ainda não entendi o seu plano, Kronos - grita o herói, na esperança de ouvir os delírios megalomaníacos do cara do mal e assim ganhar tempo para usar o equipamento secreto oculto no solado falso de sua bota de herói.
- É simples, Ultra-Dude! Eu vou parar o tempo com a minha arma temporal e assim roubar todos os bancos do planeta. Uahuahuahuah! - gargalha Kronos qual nerd analfabeto navegando pela internet.
Ultra-Dude também ri. Só mais um segundo daquela ladainha de vilão e ele conseguirá alcançar o seu ultra-canivete-suiço, com direito a mini-cóptero, gancho de escalada e outros parangolés capazes de permitir uma escapada pirotécnica para tão vexatória situação.
- Tempo esgotado, Ultra-Dude.
Um pisão a mais e a mão do nosso herói desprende-se da beira do abismo. Ultra-Dude começa a cair em direção às rochas pontiagudas lá embaixo. Num giro rápido, ele alcança a sua bota. Num click, o fundo falso cai. O canivete pousa em sua mão. Agora é só... prungft!
A queda levou menos tempo do que Ultra-Dude esperava. Naquele instante, seu canivete deixou de ter função. Talvez ainda tenha num futuro próximo, quando o pessoal do IML tentar tirar o corpo do pobre Ultra-Dude, empalado nas rochas - afinal, o ultra-canivete-suiço tem também formão, pá e saca-rolhas.
Kronos gargalha ainda mais alto. E olha para o relógio, ansioso por ver o tempo parar. A arma temporal já está engatilhada. Um leve toque no botão principal e pronto - o tempo freia mais rápido do que perua em carro importado ao ver sinal amarelo. Tudo imóvel. Parado. Atemporado.
O que Kronos não previa, em seu plano mirabolante e perfeito, é que ele também ficaria parado quando o tempo deixasse de passar.
Por conta disso, ninguém foi roubado. Nem preso. Nem enterrado com honras de super-herói. Tudo porque o tempo continuou parado. De vez. Para sempre. E fim, até porque não tenho mais tempo pra enrolar com essa história.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Ligue a pessoa ao CD:





Obs.: cada CD acima foi encomendado por, pelo menos, um membro do staff Meditabundas, no tradicional (mas já extinto) Amigo CDcreto. Quem com qual? Ligue o nome ao som e tasque a sua conexão nos comentários. A resposta virá em breve, nos mesmos comentários. Quem acertar tudo ou chegar mais perto ganha um "muito bem, Flipper!".

E a resposta é: 1e; 2c; 3f; 4d; 5b; 6h; 7g; 8a.

terça-feira, dezembro 12, 2006

Cu Ritiba Tu Rística V

Sim, depois de mais de três anos de ausência injustificada, está de volta o roteiro de comilanças mais gostoso do sul do cu do mundo. Para saber quais foram as dicas anteriores, dá-lhe Google que você volta no tempo e chega lá. Mas agora, o papo é cá.



Lanchonete Montesquieu

Um dos mais famosos e desconhecidos lanches da cidade está aqui. Famoso porque todo curitibano que não se preza conhece o principal prato da casa, mimosamente chamado de X-Montanha. Desconhecido porque se depender do nome francês do lugar, ninguém vai saber que estamos falando do estabelecimento pilotado pelos japoneses Álvaro e Seu Zé. Pois é justamente desta salada que nasceu o já citado sanduíche, singelamente preparado com pão, alface, tomate, bolinho de carne e um risólis inteiro (e preferencialmente acompanhado por uma gasosa de framboesa). Resumindo: diliça. Uma verdadeira unanimidade na vizinhança - formada quase que exclusivamente pelos nerds e nerdas do (ex-)CEFET-PR - e em todos os cantos sujos da cidade por onde circulam gentes como eu.

> Sêlviço: Lanchonete Montesquieu - Av. Silva Jardim, em frente a UTFPR, Centro, Curitiba, PR.

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Nem Mesmo o Frio



Ela vagava devagar entre divagações e vaga-lumes. À luz da lua, o lago lembrava uma lúgubre laje sepulcral. Ali, alienada pelas aliterações, ela limitava-se a lançar pedras na água, buscando quebrar aquele efeito funéreo feito de reflexos prateados. De repente um medo. Medo de que as pedras estivessem quebrando aquele túmulo lacustre. Medo de que, a qualquer momento, o defunto de um afogado emergisse das águas agitadas em busca de vingança ou de qualquer outro clichê de filme de horror.
Parou. Olhou ao redor. Nada. Nada além do coaxar de sapos inabaláveis diante da breve turbulência aquática. Nada além de alguns faiscantes e frustrados vaga-lumes, incapazes de rivalizar com a luz da lua. Nada além dela, pés descalços, vestido branco, tristeza opaca.
Pousou um pé na água e não soube dizer se estava fria. Devia estar. Mas não sentia. Nada. Vasculhou sua memória recente em busca de uma sensação qualquer. Qualquer frio, calor ou mesmo dor. Não achou. Assim como não se achou ao buscar seu reflexo na água.
Então compreendeu porque a lúgubre analogia entre lago e lápide. O defunto afogado era ela. A busca por vingança ou qualquer outro clichê de filme de horror era a sua. Mas estava só, sem ninguém para assombrar. Voltaria a se deitar em sua tumba subaquática. Sozinha. Sem nem mesmo o frio para lhe fazer companhia.
Rumo A Tóquio!!!



Flávio, Peter, João Paulo, Edmílson, Eltinho, Pierre, Batista, Beto, Sandro, Cristiano, Leonardo (e Caio Júnior): obrigado, obrigado, obrigado, obrigado, obrigado, obrigado, obrigado, obrigado, obrigado, obrigado, obrigado (e obrigado)!

sexta-feira, dezembro 01, 2006

SuperYouTube



Este post começou com um e-mail do meditabundo Kornellius (quem?). Ele lembrou que num passado remoto eu tinha comentado sobre o seriado japonês do Homem-Aranha - é isso mesmo, seriado japonês do Homem-Aranha. No mesmo e-mail veio o link pra abertura do tal seriado. Em retribuição (inútil), enviei o link pra versão live-action (e muito tosca) dos Thundescats. E então, no meio de tais tosquices, eu comecei a pensar em outras tantas que povoaram o nosso imaginário infanto-juvenil. Não vou nem falar do Batman e da gostosa da Batgirl (que teve até um episódio piloto - cancelado antes de virar seriado próprio), ou da sensacional redublagem conhecida como a Feira da Fruta. Preferi pinçar coisas um pouco mais esquecidas, como o seriado (americano) do Homem-Aranha ou aquele do Shazam e da Ísis. Já o seriado da Mulher-Maravilha era famoso, mas será que você sabia que antes da Linda Carter havia outra Mulher-Maravilha, só que loira? E o que dizer do seriado do Capitão América motoqueiro? Pior ainda é descobrir que o Hulk, já em fim de carreira, enfrentou o (Não-Tão) Poderoso Thor (ou seria Thoscor?). E alguém aqui é capaz de lembrar que, bem antes de Smallville, as aventuras do SuperBoy eram assim (com direito inclusive ao vilão Bizarro)? Mais recente (e mesmo assim bem ruim) foi o seriado do Flash. E há pouco cancelaram, antes mesmo de ir por ar, o seriado do Aquaman. Ok, tudo isso é mais ou menos conhecido. Mas existem obscuridades maiores, como esta Liga da Justiça, este SuperPup, esta Geração X (qualquer relação com os X-Men é mera relação) e as inacreditáveis Electra Woman and DynaGirl. Chega de coisa ruim? Não? Então o que dizer do Quarteto Fantástico? Sim, antes do blockbuster hollywoodiano, o diretor-produtor-faz-de-tudo-um-pouco Roger Corman conseguiu os direitos pra produzir esta bomba que nunca foi lançada. Falando em bomba, lembra que tempos atrás conseguiram fazer um filme do He-Man pior ainda que o desenho? Vida um pouco melhor os heróis tiveram em comerciais, seja usando cartão de crédito (Visa ou American Express?) ou bebendo leite. As paródias, é claro, vão desde um Wasssup dos SuperAmigos até o divertido trecho da série Family Guy com o Superman e a Mulher-Maravilha. Mas nada no mundo supera os Trapalhões posando de super-heróis.

quinta-feira, novembro 30, 2006



Garota do Fogo

Pego a sombra e a luz e faço você. Determino tua simetria com a ponta dos dedos, num desenho simples, infantil e sincero, como as coisas simples, infantis e sinceras têm de ser. Boto fogo nos teus cabelos. O vermelho me atrai. Respiro fumaça e te beijo na boca. Nessa hora o mundo gira ao contrário, o ardido não dói, a xícara descai, as palavras se desescrevem, desescrev, desesc. Concentre-se na vertigem e suspire. Agora você consegue sentir o bem e o mal, o certo e o errado, doce e salgado, riso e choro. Tua pele é folha em branco onde meu calor te escreve com grão de ardósia, tabaco, pimenta e perfume.
Eu posso ler tudo em você, exatamente na altura do teu colo. Tateio feito cego em braile e descubro Baudelaire em todos os teus poros. Tua cor de neve incendeia meu sofá, bagunça minhas gavetas, acorda meus vizinhos. Este é o momento, esta é a hora em que as horas não têm mais sentido, mas nós temos. E usamos o sexto para subverter, pilhar, massacrar, porque a vida é uma só, o sapato aperta e o padeiro não tem troco. É preciso correr na grama e perder o fôlego, enfim. No fim, eu seguro tua mão e está tudo bem. E você agradece.
Ei, obrigada.
Ei, de nada.

quarta-feira, novembro 29, 2006

Olhos Além do Vazio



O vazio, o oco, o nada era dotado de olhos. Olhos que olhavam para além dali. E num olhar avançavam fugindo da opressão daquele zero feito vida. Mas eram só olhos. Nenhuma perna para escapar. Nenhuma mão para puxar o corpo. Nenhum corpo para deixar o oco. Apenas olhos que viam o que havia além dali. E havia tudo. E tudo era tanto para aqueles olhos. E mesmo no vazio, de quando em quando os olhos se viam cheios. De lágrimas.

segunda-feira, novembro 27, 2006



Mensagem do Kramer:
"Nego Lee, parabéns pelo teu aniversário. Como você viu três posts abaixo, gosto muito da tua raça. Sucesso."

sexta-feira, novembro 24, 2006

Pergunta da semana

Por que você deve ser mantido no emprego?

quinta-feira, novembro 23, 2006


De vez em quando eu entendo por que certas pessoas entram em escritórios ou salas de aulas nos EUA atirando em todo mundo. Não é fácil agüentar a imbecilidade de alguns americanos. Os carinhas do colégio, como aqueles de Columbine, por exemplo, além de terem um parafuso a menos, com certeza eram zoados de todas as formas por seus coleguinhas mais ricos, mais bonitos, mais garanhões ou mais bacanas no esporte, o que é a mesma coisa. Não que isso não aconteça por aqui. Acontece. Mas é que lá, não sei, deve ter algum hormônio estranho nos hambúrgueres ou nos milk shakes, ou algum vírus hereditário, que torna as pessoas mais inseguras e que potencializa o rancor, o ódio, a sede de vingança. E como lá se compram armas como se compram sanduíches do McDonalds, o resultado é uma sociedade cada vez mais paranóica. Uma sociedade que perdeu completamente a referência de valores e permite, por exemplo, que a TV passe filmes de violência explícita na sessão da tarde e, na mesma TV, proíbe que apareçam singelos seios de mulher. Quando mostram ao vivo um cara cortando o braço de outro, isso é legal. Quando numa transmissão ao vivo, um dos peitos da Janet Jackson saltou para fora do vestido, virou caso de segurança pública, tanques nas ruas, toque de recolher, presidente se explicando na TV e o escambal.
E, em vez de melhorar, a coisa toda só piora. Já tinham processado um piá de 4 anos por assédio sexual. E olha que tudo que ele fez foi beijar a coleguinha no rosto.
Tempos atrás, alguns estados dos EUA (Esquizofrênicos Unidos da América) proibiram que mães amamentassem seus filhos em locais públicos. Para os imbecis que aprovaram a tal lei, amamentar um filho deve ser uma visão do inferno. Tem que mandar prender esses caras. Tem que, no mínimo, interná-los em clínicas psiquiátricas e ficar dando choque para ver se o cérebro pega no tranco. Mas acho que não pega.
Na última segunda-feira, uma mulher foi obrigada a deixar um avião da Delta porque estava amamentado o seu filho. É sério, acredite. A mulher foi expulsa do avião.
Não sei se o avião estava no ar, mas do jeito que esses caras são eu não duvido nem um pouco.

Mídia gratuita

O Kramer do Seinfeld virou notícia esta semana ao ofender com comentários racistas alguns negros que assistiam à sua apresentação. O negão disse que ele não era engraçado e o Kramer perdeu a cabeça. Como tudo que é polêmico vira dinheiro para a mídia, o sujeito já foi convidado para aparecer no Late Show do David Letterman. E o pessoal da CBS não perdeu tempo colocando no You Tube um teaser da entrevista do sujeito sem graça, finalizando alguns trechos da resposta com "Não perca a entrevista inteira hoje no programa do Dave". Programa que, aliás, é a fonte de inspiração do Jô.

sexta-feira, novembro 10, 2006

Histórias Malcontadas - II



Deu nos jornais científicos e nem tanto de todo o mundo ou nem tanto: "Cérebro humano herda gene de Neandertal." Como todos ou nem tantos sabem, a Ciência e a História nem sempre se dão bem. Quando uma diz uma coisa a outra vai lá e desdiz. Isso porque nem todo acontecimento foi arquivado sob os olhares austeros da PricewaterhouseCoopers. Então vez por outra um fato da História é contestado pela Ciência. No caso da Bíblia, por exemplo, a Ciência mudou o maior best-seller do mundo de seção, achincalhando a versão dos 7 dias com uma história bem mais demorada. Mas isso não vem ao caso. O caso é que, apesar das inúmeras tentativas de separar os Homo sapiens dos hominídeos arcaicos, toda a teoria veio abaixo com a descoberta do tal do gene em nosso cérebro. Veio mais abaixo ainda quando simularam a foto de um Neandertal e viram que era a cara do Lenine.

sexta-feira, outubro 27, 2006

O Bom e o Melhor



A noite caia como uma espinha de peixe não digerida derrubada por uma gaivota em pleno vôo, ainda que ele não soubesse como caem as espinhas de peixe não digeridas derrubadas por gaivotas em pleno vôo.
Parado diante da analogia tacanha, segurando o riso nas entranhas, ele esperava pela mulher de sua vida. Somente o autor, no caso eu, e agora o leitor, no caso você, faziam companhia ao pobre homem quando o tiro ecoou e a rua já silenciosa silenciou de todo. Ele desejou entrar no prédio dela, mas não podia interfonar e correr o risco do pai atender e lhe soltar os cachorros, ou um balde de água fria, via terceiro andar, direto em seu tão calculado traje. Ainda se fossem espinhas de peixe, para que ele pudesse saber a razão da tal analogia com o cair da noite...
Mas não, não tinha para onde correr. Não tinha carro nem garelli. Poupava para isso, mas o serviço lá no seu Nilso (só pra rimar) pagava mal. E depois, as noites com Eunice nunca eram baratas. Muito pelo contrário. A mocinha gostava do bom e do melhor. E ainda não tinha liberado o bom e o melhor para ele. Talvez esta noite, não fosse o tiro.
Deitar no chão. Em algum lugar, alguém ou alguma coisa falou para se deitar no chão durante um tiroteio. Era feio, mas fazer o quê?
Foi quando viu os sapatos. As pernas bem torneadas. A saia curta. Os seios fartos a delinear a blusa justa. E antes de chegar ao rosto assustado de Eunice, algo parecido com um macaco hidráulico já o colocara de pé. Sempre de pé. Culpa da Eunice, que não liberava o bom e o melhor.
- Um tiro, querida...
E ao falar, como um imã, atraiu novo disparo. E novamente pôs-se aos pés de seu amor. Foi quando o corcel podre passou, com seu escapamento explosivo. Definitivamente, o bom e o melhor ficariam para outra vez. Ou para nunca mais.

quarta-feira, outubro 25, 2006


Finados

Do jeito que as coisas andam, deveriam mudar a data de Finados para o dia 29 de outubro.

sexta-feira, outubro 20, 2006

Petecas

Teresina é a capital do Piauí. Estive lá uma vez e a fiquei com a nítida impressão de que o diabo era de lá. Aí alguém me falou que ele não agüentou o calor e criou o inferno para se refrescar.
As saunas da cidade funcionam com ar condicionado e gelo seco. A água da ducha holandesa, por exemplo, tem que ser resfriada. Quando está gelada tem algo como 32 graus.
Fogão lá é artigo de luxo, sendo completamente desnecessário. Para assar, basta deixar o prato à temperatura ambiente. Para fritar, basta colocar uma frigideira no asfalto. E tem que vigiar para não torrar.
As cadeiras e espreguiçadeiras de hotel - aquelas de plástico, que ficam em volta da piscina - são deixadas à sombra. E tem que tomar cuidado na hora de usá-las, pois elas ficam pelando mesmo assim. As que são esquecidas ao sol derretem em poucos minutos.

Mas isso não tem nada a ver com o peixe. Ou melhor, com a revista. É que comprei uma revista chamada piauí. E é piauí assim mesmo, sem maíuscula.
A piauí é uma das melhores coisas que apareceram nas bancas nos últimos tempos, principalmente para quem gosta de ler. Os textos são ótimos, ricos, variados. Trazem histórias peculiares de pessoas comuns, entrevistas inusitadas, artigos bem-escritos. É uma grande e variada fonte de informações diferentes e gostosas de se ler.
Nela tem até algo sobre o Piauí. É um artigo que conta como o Badminton, um esporte cheio de petecas, começou a ser praticado em Teresina. Entre outras coisas, descobri que as petecas do Badminton são feitas com penas de ganso, e que as da asa esquerda são as melhores.

quarta-feira, outubro 11, 2006

Apresento a vocês o candidato ideal à presidência da república: o nonno. Só que você não vai achar um link neste post, já que este post não tem link, só texto. Resumo textual do vídeo: com sotaque carregado, um senhor mafioso fala sobre suas propostas de governo. Fim.

terça-feira, outubro 10, 2006

Battle Bands

segunda-feira, outubro 09, 2006

Olha aqui o que eu achei.
Rápido, rápido, arrume um espelho para a Marta


Para mim, foi a parte mais engraçada do debate de ontem. Na entrevista pós-debate, a Marta Suplicy, com a face 80% paralisada por causa de Botox, um olho que não funciona direito e a pele toda repuxada por uma série inimaginável de cirurgias plásticas, ironiza o Alckmin apelidando-o de "candidato de plástico".

sexta-feira, outubro 06, 2006

Melhor Assim?



Quantas frases joguei fora hoje? Tantas que perdi a conta. Ou menos, já que não contei pra saber. Mas eram várias. Algumas até começavam bem, mas não sustentavam outras para que juntas se fizessem textos ou ao menos parágrafos. Ou um, que fosse. E foi. Foi-se embora no limbo afora. Agora, as frases que jogamos fora não mais agonizam amassadas numa lixeira. Lixeira que estava sempre mal-colocada quando queríamos três pontos. Não marcamos mais três pontos com o que vilipendiamos. Simplesmente deletamos e pronto. Mas que pronto, se nada se apronta? Ficamos com o mesmo vazio. E nem ao menos temos a medida de nosso esforço inútil escancarada numa pilha de papel amassado.
E ainda dizem que estamos melhor assim.

quinta-feira, outubro 05, 2006

Quem sempre quis ver o Bush morto não pode deixar de ver este filme.

sexta-feira, setembro 29, 2006

Vote Brazil



Definitivamente, eu não consigo botar fé em candidato cujo adesivo eu vejo colado em carro importado. Diz, o problema são eles ou sou eu?

No mais, eis a minha dica para votar no domingo.

E boa eleição. ; )

quinta-feira, setembro 28, 2006

Cachorrada



Cachorro de apê me dá dó. Animal de corpo inteiro, mas alma capada. Para mim, bicho atrofiado. Não mais cão de guarda, caça, pesca, nada. Só bibelô, brinquedo à energia solar. Coisa de gente. Gente, ser humano me dá nojo, sabe? Não evolui nunca e ainda fode todas as outras espécies do lugar. Sempre. Tomara que só as baratas mesmo resistam ao hecatombe. Debaixo da terra, no meio da merda, eu vou gostar.
Lapso



Olhe, veje só: eu estávamos pensando que precisei contar uma história de pequena muita, mas eu se lembro que talvez não seremos fácils de lembrança esta. O fato é que nós pensava, pensava e já iu da cabeça, mas a gente coça e ainda quero se lembrar-me eu mesmo. Que é, então? Então. Eu era junto e de repentemente se viu só de tanto que falou de grátis e sem custódia nenhuns. É o preço que a gente pagarei por fechar-me a visão. Ah, a visão, que coiso sem igual, não será? É umas penas que a lágrima salga, das vezes, somente das vezes, o que era doce e se acabou-se.
E digarei mais. Basta um tempo ligeiro para que agora estamos eu aqui com este meu amigo ninguém que me bastará ontem, não que eu queira se gavar. É pura e simples mente insana que girava e rodopiava sem nunca saberei de nada além de tudo. Me falta faz a razão que me falta, mas eu ser só a metade emoção boba que não consigo andar reto, por isso eu se perdo. É, sim. É assim.
Fim.

terça-feira, setembro 26, 2006

Avalanche



Eu me vejo lá de cima, fora do corpo, e sou só um pontinho na neve. Um bip fraco me traz de volta. O relógio congela por baixo da manga de Gore-Tex, avisando que certas coisas têm data e hora inexatas. A falta de ar dá enjoo, seguro o vômito, levanto o queixo, respiro, aperto os olhos tentando lembrar de alguma coisa, qualquer coisa, do gosto de sangue, do primeiro grito de gol, daquela menina no ônibus. Nada. Com o jogo já perdido, puxo uma gavetinha do fundo da consciência e dali sai a visão do impacto. A avalanche vai me pegar de frente, distraído, olhando o sol. Só dá tempo de girar os olhos sessenta graus à esquerda.
Câmera lenta.
Silêncio.
A parede gigante vem crescendo, sussurrando consigo mesma, tranqüila e impassível como Bruce Lee. Um batuque de candomblé martela nos ouvidos, desliza pelo canal auditivo e tamborila no coração, que bate com violência, mas sem ritmo. Eu quero sentir medo, só que o medo não vem, acho até que ensaio um suspiro, como os suicidas durante o salto ou os elefantes quando pressentem o tiro.
De repente, o mundo fica branco. Depois vermelho. Depois verde. O corpo não se desloca, mas a terra sai do eixo. Então as lembranças explodem: cheiro de pão caseiro, Merthiolate na ferida, bicicleta com vento no rosto, apito de panela de pressão, tapa na mão, soluço engasgado, saudade, muita saudade, saudade doída, daquelas quando a gente é criança demais e não sabe o motivo, só sente.
Foi num piscar de olhos, tempo suficiente para uma seqüência de tapas na cara. Bem feito para mim, tomara que ninguém me encontre, nunca mais, nem as melhores equipes de resgate da Sessão da Tarde. Virei picolé azedo, piada sem graça.
Morri de tristeza, ali, no branco dos teus olhos.

segunda-feira, setembro 25, 2006

Será?



Será que as pessoas acham que as mensagens pps que elas repassam com lições de vida do Bill Gates, do Lincoln ou do Freddie Mercury vão mudar as suas vidas medíocres - ou a minha?
Será que as pessoas pensam que o que outros pensaram é o suficiente para eximi-las de pensar?
Será que as pessoas realmente se emocionam com fotos de flores e de sorrisos de criança tão mal e porcamente concatenados e ainda por cima embalados por uma musiquinha irritante, quando deveriam estar se emocionando com flores de verdade ou com os sorrisos sinceros de seus filhos, netos, irmãos, cônjuges ou outros entes queridos?
Será que as pessoas pensam que eu, que professo a minha fé de maneira absurdamente particular, vou me incomodar com o castigo divino de não repassar um e-mail qualquer que me fale de Deus, Buda, Jesus ou Plutão - que mesmo entrando para a segunda divisão do nosso Sistema Solar ainda é deus olímpico pra algum romano do tempo do epa?
Será que as pessoas acham que o meu voto vai mudar só porque alguém escreveu que o candidato X é tudo aquilo que eu já sei e que a Globo é do mal e que está provado que o candidato Y está na frente e que as pesquisas mentem e que você não sabe o que eu estou passando, quando o meu voto, ainda que inútil, é secreto e eu mesmo o fabrico com um pouco de discernimento e mais um tanto de informações não-confiáveis de meios um pouco mais confiáveis do que estes e-mails escritos por quem não sabe escrever?
Será que as pessoas pensam que eu estou assim tão preocupado com o meu orkut pra acreditar que a Folha e o Estadão noticiaram que se eu não repassar esse e-mail pra vinte e três pessoas e meia vou ser deletado da vida no nada e ainda por cima ficarei sem saber quem entra ou sai do meu perfil mesmo que este alguém esteja invisível ou algo estapafúrdio assim?
Será que as pessoas não poderiam simplesmente repassar e-mails de mulher pelada e pronto?

quinta-feira, setembro 21, 2006

Encontrado o bebê mais velho do mundo


Kindengarten Baby Jr foi encontrado ontem ao Norte da Etiópia. Ele estava meio morto depois de passar os últimos 3,3 milhões de anos entre pedregulhos e sedimentos fossilizados no leito de um rio seco. Ele foi parar lá provavelmente devido a uma forte enxurrada nos tempos em que o homem era mais parecido com um chimpanzé (se bem que o Bush é mais parecido com um chimpanzé do que a própria Chita, então isso não quer dizer muita coisa). Apesar de meio esquelético, Baby Jr está em ótima forma.
Seja Alguém, Vote Em Ninguém



Você percebe que está ficando velho quando lembra que já viu uma Plebe Rude um pouco diferente tocando esta mesma música em um programa chamado Perdidos Na Noite, comandado por um Fausto Silva também um pouco diferente, ou muito.

Quem viu? Eu não. Nunca. E se mais alguém que também nunca viu quiser ver, hoje os caras tocam no Jokers, lançando disco novo e tudo.

quarta-feira, setembro 20, 2006

Entendendo o fanatismo religioso
Entrevista com Islamabah Ali Islamabah

- Você se considera violento?
- Não.
- Você respeita o Papa?
- O antigo sim, que está morto.
- Você ficou chateado com o que o Papa disse?
- É bom ele andar olhando para trás.
- Como assim? Tipo o Michael Jackson?
- Estás zombando da minha cara, infiel?
- De modo algum. Ehr? você cometeria algum ato radical?
- Radical é deixar viver quem ironiza minha fé.
- Dizem que o Papa é pop. E Maomé o que é?

(câmera mostra Islamabah cortando a língua do repórter e acionando uma granada, que explode antes da resposta).

sexta-feira, setembro 15, 2006

"Da Lama Ao Caos, Do Caos À Lama"
ou
"blá blá blá blá" - em 3 movimentos.




Terceiro movimento - Serra gaúcha

Sendo tri direto: vá à serra gaúcha de carro, dirija 8 horas de Curitiba até Caxias do Sul, saia cedo, entre na serra ainda de dia, fique bobo com a paisagem, estique até Gramado. Ainda: vá no inverno, passe um frio do caralho, veja o Festival de Cinema (Agosto), chame o Antônio Fagundes de caminhoneiro e passe na lojinha de cinema do Gio. Tem camiseta, caneco, cadeira de diretor, etc. Vá na Rua Coberta, passe mais frio, pague caro por um cappuccino, compre vinho barato, fique bêbado e xingue o Fagundes de novo. Durma pouco, faça tudo de novo e dessa vez xingue a Regina Duarte. Queime a língua no chimarrão e volte pra casa com um monte de coisinhas de lã que você nunca mais vai usar. Bah, chega.

quinta-feira, setembro 14, 2006



Vai, escreve você sobre essa imagem, uma versão, uma teoria, uma visão. Eu ainda não consegui.

quarta-feira, setembro 13, 2006

Vera Ficha



Ela desceu do opalão marrom em pleno calçadão de Copacabana, fim de tarde, uma luz dourada refletida nos imensos óculos de sol by Zuzu Angel. Bom, era a Vera Fischer que eu lembrava das sessões do Cine Brasil: maquiagem pesada, cabelão oxigenado, tesudona, pouca roupa e cara de vadia. Foi andando, olhando para os lados, sorrisinho de quem vai fazer putaria. Vai, Vera, vai que eu tô ligado. Foi aos pulinhos para debaixo de uma árvore só para me encontrar. Eu, no caso, era bigodudo e usava calça de tergal boca-de-sino, tipo modelo da US Top de 1977. Ah, vai ser ali mesmo, eu conheço a Vera. Ela me pega pela gola da camisa, chega no ouvido e diz: Upa-lá-lá.
Upa-lá-lá? Upa-lá-lá, Vera Fischer? Puta que pariu! Faz vinte e cinco anos que eu não sonho com você e, quando me vem essa iluminação, você solta uma dessas? Fodeu, espalhou no meu sonho um cheiro de Domingo no Parque, de Bozo, sei lá. Upa-lá-lá o caralho. Vou te contar, viu? Vou é sonhar com a Maitê Proença, chupando pirulitinho, minissaia mostrando o rabo e tal.
Fazer o quê? Eu gosto de mulher mais nova.

terça-feira, setembro 12, 2006

Caçado



Logo à frente a estrada descrevia um "Z" serifado, com curvas de 90 graus que só mesmo o carro do Automan para conseguir vencer a mais de 60 quilômetros por hora. Seguiu mais devagar, já que não possuía nenhum veículo repleto de néons azulados desenhados por um cursor de computador. Mas não tão devagar assim, pois sabia que estavam nos seus calcanhares, que mesmo não sendo os de Aquiles, revelavam-se frágeis, aliás como todo o resto de seu corpo. Ouviu um baque surdo no topo da serra, e riu da definição do som, pois se o baque era surdo, coitado, não conseguia nem ouvir a si mesmo. Outro baque, bem mais perto, e então a visão do inferno se descortinou à sua frente, com um carro em chamas passando a centímetros do seu para depois continuar rolando desfiladeiro abaixo. Provavelmente aceleraram demais na serifa do "Z". Devem ter explodido no primeiro baque, como todo bom carro de filme americano. Mas aquilo não era filme. E se houvesse final feliz, ainda estava longe. Outros carros se seguiriam aquele. Talvez até mesmo um helicóptero. A razão de tal assédio? Não sei ainda. Talvez num próximo post.
Mini Geschichte



Eu conheço uma mulher chamada Lüge. Por uma deficiência de nascença, ela tem os membros inferiores proporcionalmente menores do que a média natural do ser humano. Chamam a pequena de Alemãzinha, olha só, que dó.

Ok, eu não conheço uma mulher assim não. Vocês descobriram, eu confesso. É mentira. Tem perna curta, né? A mentira, no caso, não a Lüge. Pegou, hein, hein?

Ah, esquece. Foi ruim.