Logo à frente a estrada descrevia um "Z" serifado, com curvas de 90 graus que só mesmo o carro do Automan para conseguir vencer a mais de 60 quilômetros por hora. Seguiu mais devagar, já que não possuía nenhum veículo repleto de néons azulados desenhados por um cursor de computador. Mas não tão devagar assim, pois sabia que estavam nos seus calcanhares, que mesmo não sendo os de Aquiles, revelavam-se frágeis, aliás como todo o resto de seu corpo. Ouviu um baque surdo no topo da serra, e riu da definição do som, pois se o baque era surdo, coitado, não conseguia nem ouvir a si próprio. Outro baque, bem mais perto, e então a visão do inferno se descortinou à sua frente, com um carro em chamas passando a centímetros do seu, para depois continuar rolando desfiladeiro abaixo. Provavelmente aceleraram demais na serifa do "Z". Devem ter explodido no primeiro baque, como todo bom carro de filme americano. Mas aquilo não era filme. E se houvesse final feliz, ainda estava longe. Outros carros se seguiriam aquele. Talvez até mesmo um helicóptero. A razão de tal assédio? Não sei ainda. Talvez num próximo post.
quarta-feira, março 11, 2009
Caçado

Logo à frente a estrada descrevia um "Z" serifado, com curvas de 90 graus que só mesmo o carro do Automan para conseguir vencer a mais de 60 quilômetros por hora. Seguiu mais devagar, já que não possuía nenhum veículo repleto de néons azulados desenhados por um cursor de computador. Mas não tão devagar assim, pois sabia que estavam nos seus calcanhares, que mesmo não sendo os de Aquiles, revelavam-se frágeis, aliás como todo o resto de seu corpo. Ouviu um baque surdo no topo da serra, e riu da definição do som, pois se o baque era surdo, coitado, não conseguia nem ouvir a si próprio. Outro baque, bem mais perto, e então a visão do inferno se descortinou à sua frente, com um carro em chamas passando a centímetros do seu, para depois continuar rolando desfiladeiro abaixo. Provavelmente aceleraram demais na serifa do "Z". Devem ter explodido no primeiro baque, como todo bom carro de filme americano. Mas aquilo não era filme. E se houvesse final feliz, ainda estava longe. Outros carros se seguiriam aquele. Talvez até mesmo um helicóptero. A razão de tal assédio? Não sei ainda. Talvez num próximo post.
Logo à frente a estrada descrevia um "Z" serifado, com curvas de 90 graus que só mesmo o carro do Automan para conseguir vencer a mais de 60 quilômetros por hora. Seguiu mais devagar, já que não possuía nenhum veículo repleto de néons azulados desenhados por um cursor de computador. Mas não tão devagar assim, pois sabia que estavam nos seus calcanhares, que mesmo não sendo os de Aquiles, revelavam-se frágeis, aliás como todo o resto de seu corpo. Ouviu um baque surdo no topo da serra, e riu da definição do som, pois se o baque era surdo, coitado, não conseguia nem ouvir a si próprio. Outro baque, bem mais perto, e então a visão do inferno se descortinou à sua frente, com um carro em chamas passando a centímetros do seu, para depois continuar rolando desfiladeiro abaixo. Provavelmente aceleraram demais na serifa do "Z". Devem ter explodido no primeiro baque, como todo bom carro de filme americano. Mas aquilo não era filme. E se houvesse final feliz, ainda estava longe. Outros carros se seguiriam aquele. Talvez até mesmo um helicóptero. A razão de tal assédio? Não sei ainda. Talvez num próximo post.
Tunch-Tunch-Tunch-Tizzz-Tizzz-Tizzz-Tunch-Tunch-Tunch

Ninguém nos segue neste blog. Agora ninguém vai nos seguir também no Twitter. Sim, o Meditabundas está também no Twitter. Tá, e daí?

Ninguém nos segue neste blog. Agora ninguém vai nos seguir também no Twitter. Sim, o Meditabundas está também no Twitter. Tá, e daí?
terça-feira, março 10, 2009
Os Créditos de Abertura de “Watchmen – O Filme”

Se você já viu o filme, aproveite para rever a já clássica sequência de abertura (e rápido, que a Warner anda tirando tudo do ar). Agora, se você não viu, não veja. Ela, e o filme como um todo, merecem uma tela de cinema como poucos.

Se você já viu o filme, aproveite para rever a já clássica sequência de abertura (e rápido, que a Warner anda tirando tudo do ar). Agora, se você não viu, não veja. Ela, e o filme como um todo, merecem uma tela de cinema como poucos.
Na Dúvida, Melhor Errar Duas Vezes

Outro dia, vi duas tabuletas diferentes no mesmo caminhão. Aparentemente, elas vendiam a mesma fruta da família das cucurbitáceas. E eram capazes de uma proeza curiosa: cada uma conseguia errar diferente da outra. Enquanto uma vendia "Melansia", a outra vendia "Melamcia".

Outro dia, vi duas tabuletas diferentes no mesmo caminhão. Aparentemente, elas vendiam a mesma fruta da família das cucurbitáceas. E eram capazes de uma proeza curiosa: cada uma conseguia errar diferente da outra. Enquanto uma vendia "Melansia", a outra vendia "Melamcia".
sexta-feira, março 06, 2009
"Ritmo Alucinante" (Marcelo França)

Rock brasileiro não tem memória, quanto mais história. Parece pular da Jovem Guarda sessentista pra a tal "explosão" oitentista, esquecendo de propósito dos progressivos e experimentalóides anos setenta. Por mais que eu também ache um saco algumas viajadas acidosas e solísticas de tais tempos, é bom poder ver os barulhos de então para situar as coisas e pinçar algo de bom. Por isso mesmo é que eu achei tão interessante achar este "Ritmo Alucinante" em meio a tantos dublevês triplos (clique neste link para assistir na íntegra). O filme de 75 apresenta alguns bons momentos de um primordial Hollywood Rock totalmente brazuca. Mesmo com a grande influência dos sons viajandões, seja no jazzismo funkado xarope do Vímana (ainda sem Lobão ou Ritchie, eu acho) ou nas esticadas psicodélicas do Tutti-Frutti, podemos ver (e ouvir) coisas legais. Ou no mínimo curiosas. Tipo a falta de traquejo, molejo ou mesmo presença de palco de quase tudamunda. Gentes que, tecnicamente, já tinham uma bela estrada, como Celly Campelo e Erasmo Carlos, aparecem bem perdidões no palco. O Lulu Santos (na sua fase Vímana) é ainda pior, e se arrisca num passos esquisitos do tipo "eu-tô-cagado". Um pouco melhor se sai "O Peso", que mesmo com a sonoridade um tanto quanto datada de blues-rockão-basicão, mostra alguma presença de palco. A Rita até que manda bem, principalmente na segunda canção, onde esbanja animação com seu estilão glam de ser nos setenta, meio que flertando com a androginia Ziggy do Bowie. Mas o cara que é "o" cara só poderia ser um cara: Raul Seixas. O maluco entra chapado, bêbado e sabe-se lá mais o quê, e ainda assim domina o palco foderozamente como rockstar que era, com direito a silhueta nas sombras, poses a la Gita com sua gitarrita, a Lei no papel enroladão imitando pergaminhão, comentários irônicos no meio das canções (sobra até pro patrocinador), embromation geral quando esquece a ordem das estrofes, enrolation total quando o fio da guitarra decide pegar no seu pé e, o principal, rock and roll genial na melhor acepção da palavra.
(Obs: a fota, além do nome igual, não tem mais nada a ver com o filme)
Rock brasileiro não tem memória, quanto mais história. Parece pular da Jovem Guarda sessentista pra a tal "explosão" oitentista, esquecendo de propósito dos progressivos e experimentalóides anos setenta. Por mais que eu também ache um saco algumas viajadas acidosas e solísticas de tais tempos, é bom poder ver os barulhos de então para situar as coisas e pinçar algo de bom. Por isso mesmo é que eu achei tão interessante achar este "Ritmo Alucinante" em meio a tantos dublevês triplos (clique neste link para assistir na íntegra). O filme de 75 apresenta alguns bons momentos de um primordial Hollywood Rock totalmente brazuca. Mesmo com a grande influência dos sons viajandões, seja no jazzismo funkado xarope do Vímana (ainda sem Lobão ou Ritchie, eu acho) ou nas esticadas psicodélicas do Tutti-Frutti, podemos ver (e ouvir) coisas legais. Ou no mínimo curiosas. Tipo a falta de traquejo, molejo ou mesmo presença de palco de quase tudamunda. Gentes que, tecnicamente, já tinham uma bela estrada, como Celly Campelo e Erasmo Carlos, aparecem bem perdidões no palco. O Lulu Santos (na sua fase Vímana) é ainda pior, e se arrisca num passos esquisitos do tipo "eu-tô-cagado". Um pouco melhor se sai "O Peso", que mesmo com a sonoridade um tanto quanto datada de blues-rockão-basicão, mostra alguma presença de palco. A Rita até que manda bem, principalmente na segunda canção, onde esbanja animação com seu estilão glam de ser nos setenta, meio que flertando com a androginia Ziggy do Bowie. Mas o cara que é "o" cara só poderia ser um cara: Raul Seixas. O maluco entra chapado, bêbado e sabe-se lá mais o quê, e ainda assim domina o palco foderozamente como rockstar que era, com direito a silhueta nas sombras, poses a la Gita com sua gitarrita, a Lei no papel enroladão imitando pergaminhão, comentários irônicos no meio das canções (sobra até pro patrocinador), embromation geral quando esquece a ordem das estrofes, enrolation total quando o fio da guitarra decide pegar no seu pé e, o principal, rock and roll genial na melhor acepção da palavra.
(Obs: a fota, além do nome igual, não tem mais nada a ver com o filme)
quinta-feira, março 05, 2009
“Coraline e o Mundo Secreto” (Henry Selick)

Medo é um treco infantil por natureza, pelo simples fato de que é complicado justificá-lo, na maior parte do tempo. Por isso mesmo, nada mais natural que existam (ainda que de forma rara) filmes infantis capazes de apresentar este medo irracional para as crianças de hoje, assim como nós pudemos conviver, quando rebentos, com o medo da bruxa de “Branca De Neve”, com a surrealidade de “Os 5.000 Dedos Do Dr. T” ou com o diabólico “O Bebê De Rosemary”, embora eu ainda ache que este último filme, muito provavelmente, não devesse ter feito parte da minha infância.
“Coraline E O Mundo Secreto” é assim: de meter medo. Aquele medo do desconhecido, do inusitado, do mundo perfeito que todos nós sabemos que pode ser tudo, menos perfeito.
Melhor ainda é que todo o medo contido neste filme se traduz no clima, no ritmo, na capacidade de apresentar sutilezas discrepantes, e crescentes, que demonstram o “algo errado” que existe no tal mundo secreto. E nada de sustos óbvios. Ou clichês básicos de ação ou tensão.
Culpa de Neil Gaiman, em parte, penso eu. Afinal, este cara consegue meter medo de forma simples em enredos nem tanto. E consegue criar mundos particulares com inúmeras particularidades neilgaimanianas, mesmo quando escreve, teoricamente, para crianças.
Culpa também de Henry Selick. Ele é capaz de fazer mundos (e medos) impensáveis existirem na realidade do stop-motion, e com uma precisão e um nível de detalhe também impensáveis. E consegue pensar e filmar em 3 dimensões de forma coerente e bela, quase nos colocando dentro de cenários perfeitos, climáticos, surreais e belos.
É, usei “bela” e “belos” numa mesma frase, e não foi por acaso. Assim como não foi por acaso que “medos” estava no mesmo parágrafo. É que, não por acaso, este filme consegue a proeza incrível de tornar belo o medo, e medo o belo.
Medo é um treco infantil por natureza, pelo simples fato de que é complicado justificá-lo, na maior parte do tempo. Por isso mesmo, nada mais natural que existam (ainda que de forma rara) filmes infantis capazes de apresentar este medo irracional para as crianças de hoje, assim como nós pudemos conviver, quando rebentos, com o medo da bruxa de “Branca De Neve”, com a surrealidade de “Os 5.000 Dedos Do Dr. T” ou com o diabólico “O Bebê De Rosemary”, embora eu ainda ache que este último filme, muito provavelmente, não devesse ter feito parte da minha infância.
“Coraline E O Mundo Secreto” é assim: de meter medo. Aquele medo do desconhecido, do inusitado, do mundo perfeito que todos nós sabemos que pode ser tudo, menos perfeito.
Melhor ainda é que todo o medo contido neste filme se traduz no clima, no ritmo, na capacidade de apresentar sutilezas discrepantes, e crescentes, que demonstram o “algo errado” que existe no tal mundo secreto. E nada de sustos óbvios. Ou clichês básicos de ação ou tensão.
Culpa de Neil Gaiman, em parte, penso eu. Afinal, este cara consegue meter medo de forma simples em enredos nem tanto. E consegue criar mundos particulares com inúmeras particularidades neilgaimanianas, mesmo quando escreve, teoricamente, para crianças.
Culpa também de Henry Selick. Ele é capaz de fazer mundos (e medos) impensáveis existirem na realidade do stop-motion, e com uma precisão e um nível de detalhe também impensáveis. E consegue pensar e filmar em 3 dimensões de forma coerente e bela, quase nos colocando dentro de cenários perfeitos, climáticos, surreais e belos.
É, usei “bela” e “belos” numa mesma frase, e não foi por acaso. Assim como não foi por acaso que “medos” estava no mesmo parágrafo. É que, não por acaso, este filme consegue a proeza incrível de tornar belo o medo, e medo o belo.
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Não fui eu quem fiz

Ou fui, mas nem tanto. Só queria postar um treco ou dois, mas o blogger não deixava, dava pau e coisa e tal. Aí tentei mexer em alguma coisa nas configurações e a coisa toda se desconfigurou. Tive que escolher um novo template. E algumas coisas desapareceram e não consigo repor, por mais que tenha os códigos salvos. Mas a logomarca do Meditabundas não. Essa já não existia antes, sabe-se lá porque/por quê/porquê/por que. Mas pelo menos agora temos enquetes e arquivo. Não que alguém as responda ou vasculhe o passado. Mas se alguma alma meditabunda manjar de programation e quiser fazer uma restauration, fique a vontade. Até parece...

Ou fui, mas nem tanto. Só queria postar um treco ou dois, mas o blogger não deixava, dava pau e coisa e tal. Aí tentei mexer em alguma coisa nas configurações e a coisa toda se desconfigurou. Tive que escolher um novo template. E algumas coisas desapareceram e não consigo repor, por mais que tenha os códigos salvos. Mas a logomarca do Meditabundas não. Essa já não existia antes, sabe-se lá porque/por quê/porquê/por que. Mas pelo menos agora temos enquetes e arquivo. Não que alguém as responda ou vasculhe o passado. Mas se alguma alma meditabunda manjar de programation e quiser fazer uma restauration, fique a vontade. Até parece...
quarta-feira, março 04, 2009
Boneca Cocôzinho

“Ah, o quê não inventam hoje em dia!”. Eu, que adoro lojas de brinquedo, vez por outra me deparo com comentários assim de pessoas não tão “brincalhonas” e que, às vezes, caem de pára-quedas nestas lojas, surpresas com as novidades.
Mas desta vez até eu me surpreendi. Agora já existe uma boneca que simplesmente larga um barro (veja o comercial). Ou seja, não satisfeita com um xixi básico, ela caga mesmo. E o trôço fica ali, à vista, no vaso de brinquedo. Se tem cheiro também eu nem sei. Mas que é eca, é.
Meu filho chama a medonha de Boneca Diarréia, já que, ao final do comercial, ela já está precisando evacuar novamente. Deve ter comido muito milho verde...

“Ah, o quê não inventam hoje em dia!”. Eu, que adoro lojas de brinquedo, vez por outra me deparo com comentários assim de pessoas não tão “brincalhonas” e que, às vezes, caem de pára-quedas nestas lojas, surpresas com as novidades.
Mas desta vez até eu me surpreendi. Agora já existe uma boneca que simplesmente larga um barro (veja o comercial). Ou seja, não satisfeita com um xixi básico, ela caga mesmo. E o trôço fica ali, à vista, no vaso de brinquedo. Se tem cheiro também eu nem sei. Mas que é eca, é.
Meu filho chama a medonha de Boneca Diarréia, já que, ao final do comercial, ela já está precisando evacuar novamente. Deve ter comido muito milho verde...
“Quem Quer Ser Um Milionário” (Danny Boyle)

Foi só na segunda vez que eu aprendi a gostar deste filme – uma segunda vez ainda antes dele se tornar o grande ganhador do Oscar® 2009. Isso porque foi só na segunda vez que eu pude captar o sentido da coisa. “Quem Quer Ser Um Milionário” é realmente (e só) o que parece: um filme simples, simpático, otimista e descompromissado. Nada de muito profundo, nada de muito obtuso, nada de muito, afinal. Só um enredo bacaninha, um suspense básico, uma direção decente e pronto, está pronto o conto de fadas do século 21. Agora que eu saquei o ardil, posso dizer que até gostei do filme. Mas confesso que gostei bem mais do épico-intimista-emocionante-ainda-que-anti-emotivo conhecido como “O Curioso Caso De Benjamin Button”.

Foi só na segunda vez que eu aprendi a gostar deste filme – uma segunda vez ainda antes dele se tornar o grande ganhador do Oscar® 2009. Isso porque foi só na segunda vez que eu pude captar o sentido da coisa. “Quem Quer Ser Um Milionário” é realmente (e só) o que parece: um filme simples, simpático, otimista e descompromissado. Nada de muito profundo, nada de muito obtuso, nada de muito, afinal. Só um enredo bacaninha, um suspense básico, uma direção decente e pronto, está pronto o conto de fadas do século 21. Agora que eu saquei o ardil, posso dizer que até gostei do filme. Mas confesso que gostei bem mais do épico-intimista-emocionante-ainda-que-anti-emotivo conhecido como “O Curioso Caso De Benjamin Button”.
quarta-feira, novembro 05, 2008
Bushit no more!

Finalmente, depois de 8 anos com um imbecil à frente da maior potência do mundo, os Estados Unidos voltam a ter um líder inspirador. Um líder inteligente, preparado e sem a disposição para fazer piadinhas americanóides num momento em que o que está em jogo é muito maior do que o próprio país. Go Obama, go!

Finalmente, depois de 8 anos com um imbecil à frente da maior potência do mundo, os Estados Unidos voltam a ter um líder inspirador. Um líder inteligente, preparado e sem a disposição para fazer piadinhas americanóides num momento em que o que está em jogo é muito maior do que o próprio país. Go Obama, go!
sexta-feira, outubro 31, 2008
quinta-feira, outubro 30, 2008




Barack Obama já é um ícone dos nossos tempos. Tem bonequinho, gravata, camiseta, travesseiro, adesivo, chaveiro, mouse-pad, picolé, guarda-chuva e tudo mais que você possa imaginar com a cara dele estampada. Em poucos dias haverá uma figura de 10 km numa praia de Barcelona, para ser vista por satélite, bastará acessar o Google Earth. Falta de um herói? Deve ser. Mas eu voto no Obama para Che Guevara.
segunda-feira, setembro 29, 2008
sexta-feira, setembro 26, 2008
Vote Nemim

É impressionante como as campanhas políticas não conseguem apresentar nada de novo. Nunca. E já que tudo o que elas fazem é abusar da repetitividade, eu também vou me repetir: falando mal das campanhas políticas.
Ainda mais neste ano, diante de uma campanha tediosa como a de Curitiba, que nem cosquinha de disputa é capaz de gerar. Mas afinal, como gerar disputa ou interesse se é tudo muito chato, calcado em clichês pra lá de batidos e com clima déjà vu demais?
Senão vejamos se desta vez faltou alguma coisa da cartilha mequetrefe dos marketeiros políticos padrão standard:
- Sotaque forçado "LeiTE quenTE" - confere. O candidato pode ter vindo do Rio ou de Maceió, mas vai falar o E como E e pronto.
- Depoimentos "Eu vou votar no fulano de tal" - batata! Mas quem é que cai nessa de que o depoimento é verdadeiro? E o que me importa se o outro vai votar em quem quer que seja?
- Jingles irritantes – sempre. Em todos os estilos repudiáveis da nossa vasta tradição musical xarope. Às vezes um candidato a prefeito com pouco mais de um minuto tasca lá um jinglão sacal de 45 segundos e acaba não falando mais nada que preste. Se bem que eles nunca têm coisa que preste pra falar, talvez por isso os jingles.
- Som da urna eletrônica – argh! Eu já acho um saco ouvir o “trililim” na hora de votar, por que diachos então tenho que ficar ouvindo essa merda a torto e a direito antes do pleito?
- Gravação "altar de igreja" – essa é mais comum nos partidos pobrinhos, coitados. Sei lá em que galpão eles gravam, mas seus programas ficam um eco-eco-eco e uma reverberação de gravação que sugere que a mesma foi feita em uma gigantesca nave de uma gigantesca igreja. Não dá nem pra ouvir as propostas (ainda bem). Até parece que os pobrinhos fazem de propósito para parecer que são pobrinhos, coitados.
- Teatrinho estilo "novela da CNT" – uns atores mequetrefes e super-overs forçando diálogos improváveis, com entonações absurdas e argumentos idem. Pior ainda quando tentam temperar o sketch com um humor tipo "a praça é nossa", só que ainda mais sem graça (sim, isso é possível).
- Fotos photoshopadas ao extremo – isso é doido. Você vê um cartaz de candidato e quando vê o mesmo na TV, não é o mesmo. Mesmo maquiado e etc e tal, o cara na TV ainda tem alguns pés-de-galinha, rugas e manchas na cara, todos devidamente limpados na foto do santinho. Ou seja, talvez não seja mesmo o mesmo, pois a gente bem sabe que no fundo é tudo maquiagem mesmo, inclusive o discurso.
Tem mais coisas que nem lembro (e nem sei se quero lembrar) agora. Sem falar nas coligações gigantes que, quando são citadas no fim dos programetes, parecem coisa de locutor de corrida de cavalos falando na língua do pê.
Ah, e não dá pra esquecer dos vereadores e seus clichês próprios:
- Slogans rimadinhos – será que eles acham que isso é legal? Que por conta disso o eleitor vai gravar o nome do cara e coisa e tal? Eu acho tudo um absurdo sem igual.
- Os revoltadinhos – aqueles que batem na mesa, ficam vermelhos de raiva, vociferam palavras de ordem, falam de ética e renovação e moralidade, mas depois, na hora das propinas, são os que mais sabem ficar bem comportados e quietinhos.
- Os poéticos – são nobres, exibem um ar profundo, às vezes deixam até transparecer um livro nas mãos. Falam empolado e divagam sobre um mundo irreal de idealismo e esperança, enquanto nutrem a esperança de encontrar a bocada ideal depois de eleitos.
- A turma da decoreba – alguns tentam ler no teleprompter (quando ele existe), outros decoram e falam como se estivessem no jogral da escola. Pena que não convencem nem mais a mãe que, pelo menos na escola, ainda aplaudia orgulhosa.
- Os lutadores – são aqueles com espírito de Rocky Balboa, prometendo lutar pela saúde, pela educação, pelos bairros distantes, pelas crianças sofridas, pelos pingüins errantes, pelos poodles de madame e pelo que mais der na telha.
- Os que a gente deveria saber quem são – eles chegam com aquela ladainha de “você me conhece”, mas geralmente a gente não faz a menor idéia de quem sejam e, se faz, tem vontade de não ter conhecido.
- "Serei a sua voz na câmara" – e antes mesmo de votar eu decido fazer voto de silêncio.
- “Peço o seu voto” – sério? Pede mesmo? Com que moral?
Além de tudo disso, ainda temos os apelidos absurdos que alguns cabras escolhem, nomeando suas estúpidas trajetórias políticas com alcunhas ridículas e, por incrível que pareça, deveras pertinentes.
E segue o sofrimento, até o dia 5 – e mais além pra quem tem segundo turno. Tudo para fazer a gente sofrer ainda mais depois dos pleitos e das pomposas posses. Faz sentido?
É impressionante como as campanhas políticas não conseguem apresentar nada de novo. Nunca. E já que tudo o que elas fazem é abusar da repetitividade, eu também vou me repetir: falando mal das campanhas políticas.
Ainda mais neste ano, diante de uma campanha tediosa como a de Curitiba, que nem cosquinha de disputa é capaz de gerar. Mas afinal, como gerar disputa ou interesse se é tudo muito chato, calcado em clichês pra lá de batidos e com clima déjà vu demais?
Senão vejamos se desta vez faltou alguma coisa da cartilha mequetrefe dos marketeiros políticos padrão standard:
- Sotaque forçado "LeiTE quenTE" - confere. O candidato pode ter vindo do Rio ou de Maceió, mas vai falar o E como E e pronto.
- Depoimentos "Eu vou votar no fulano de tal" - batata! Mas quem é que cai nessa de que o depoimento é verdadeiro? E o que me importa se o outro vai votar em quem quer que seja?
- Jingles irritantes – sempre. Em todos os estilos repudiáveis da nossa vasta tradição musical xarope. Às vezes um candidato a prefeito com pouco mais de um minuto tasca lá um jinglão sacal de 45 segundos e acaba não falando mais nada que preste. Se bem que eles nunca têm coisa que preste pra falar, talvez por isso os jingles.
- Som da urna eletrônica – argh! Eu já acho um saco ouvir o “trililim” na hora de votar, por que diachos então tenho que ficar ouvindo essa merda a torto e a direito antes do pleito?
- Gravação "altar de igreja" – essa é mais comum nos partidos pobrinhos, coitados. Sei lá em que galpão eles gravam, mas seus programas ficam um eco-eco-eco e uma reverberação de gravação que sugere que a mesma foi feita em uma gigantesca nave de uma gigantesca igreja. Não dá nem pra ouvir as propostas (ainda bem). Até parece que os pobrinhos fazem de propósito para parecer que são pobrinhos, coitados.
- Teatrinho estilo "novela da CNT" – uns atores mequetrefes e super-overs forçando diálogos improváveis, com entonações absurdas e argumentos idem. Pior ainda quando tentam temperar o sketch com um humor tipo "a praça é nossa", só que ainda mais sem graça (sim, isso é possível).
- Fotos photoshopadas ao extremo – isso é doido. Você vê um cartaz de candidato e quando vê o mesmo na TV, não é o mesmo. Mesmo maquiado e etc e tal, o cara na TV ainda tem alguns pés-de-galinha, rugas e manchas na cara, todos devidamente limpados na foto do santinho. Ou seja, talvez não seja mesmo o mesmo, pois a gente bem sabe que no fundo é tudo maquiagem mesmo, inclusive o discurso.
Tem mais coisas que nem lembro (e nem sei se quero lembrar) agora. Sem falar nas coligações gigantes que, quando são citadas no fim dos programetes, parecem coisa de locutor de corrida de cavalos falando na língua do pê.
Ah, e não dá pra esquecer dos vereadores e seus clichês próprios:
- Slogans rimadinhos – será que eles acham que isso é legal? Que por conta disso o eleitor vai gravar o nome do cara e coisa e tal? Eu acho tudo um absurdo sem igual.
- Os revoltadinhos – aqueles que batem na mesa, ficam vermelhos de raiva, vociferam palavras de ordem, falam de ética e renovação e moralidade, mas depois, na hora das propinas, são os que mais sabem ficar bem comportados e quietinhos.
- Os poéticos – são nobres, exibem um ar profundo, às vezes deixam até transparecer um livro nas mãos. Falam empolado e divagam sobre um mundo irreal de idealismo e esperança, enquanto nutrem a esperança de encontrar a bocada ideal depois de eleitos.
- A turma da decoreba – alguns tentam ler no teleprompter (quando ele existe), outros decoram e falam como se estivessem no jogral da escola. Pena que não convencem nem mais a mãe que, pelo menos na escola, ainda aplaudia orgulhosa.
- Os lutadores – são aqueles com espírito de Rocky Balboa, prometendo lutar pela saúde, pela educação, pelos bairros distantes, pelas crianças sofridas, pelos pingüins errantes, pelos poodles de madame e pelo que mais der na telha.
- Os que a gente deveria saber quem são – eles chegam com aquela ladainha de “você me conhece”, mas geralmente a gente não faz a menor idéia de quem sejam e, se faz, tem vontade de não ter conhecido.
- "Serei a sua voz na câmara" – e antes mesmo de votar eu decido fazer voto de silêncio.
- “Peço o seu voto” – sério? Pede mesmo? Com que moral?
Além de tudo disso, ainda temos os apelidos absurdos que alguns cabras escolhem, nomeando suas estúpidas trajetórias políticas com alcunhas ridículas e, por incrível que pareça, deveras pertinentes.
E segue o sofrimento, até o dia 5 – e mais além pra quem tem segundo turno. Tudo para fazer a gente sofrer ainda mais depois dos pleitos e das pomposas posses. Faz sentido?
sexta-feira, setembro 19, 2008
sexta-feira, agosto 01, 2008
sexta-feira, julho 18, 2008
domingo, junho 08, 2008
Cuspi aceita Polonaise e vice-versa
Depois de meses de decadência visível, eis que o Meditabundas ressurge das cinzas para mudar a vida de seus leitores. Cuspi e Polonaise, que se conheceram aqui no Meditas, prometeram um monte de coisas ao padre e trocaram alianças no último sábado. Nossa lesmiótica equipe de colaboradores deseja aos dois muitas felicidades e jura que fará um esforço semi-hercúleo para reativar esta bodega.
Depois de meses de decadência visível, eis que o Meditabundas ressurge das cinzas para mudar a vida de seus leitores. Cuspi e Polonaise, que se conheceram aqui no Meditas, prometeram um monte de coisas ao padre e trocaram alianças no último sábado. Nossa lesmiótica equipe de colaboradores deseja aos dois muitas felicidades e jura que fará um esforço semi-hercúleo para reativar esta bodega.
terça-feira, abril 01, 2008
quarta-feira, março 26, 2008
terça-feira, março 11, 2008
Tropa de Elite
Só ontem que fui ver o Urso de Ouro do Festival de Berlim. Legal. Talvez só não tenha sido mais legal porque demorei tanto para assistir. Já estava enjoando das paródias e das brincadeiras com o jeitão do Cap. Nascimento. Tropa também me fez lembrar de "Cidade de Deus", sendo que lá o Meirelles deu um show na direção. O filme é tenso, tem umas cenas boas, mas de resto é apenas explosivo. Mostra uma realidade que já acostumamos a ver nos jornais. Tem o Wagner Moura detonando como sempre, e é mais ou menos isso. Achei mais legal outro filme que peguei na mesma levada: Paris, te amo. São uns 20 filmes em um. Os curtas têm locais de Paris como pano de fundo para histórias variadas, contadas por diretores conhecidos ou não. Uma delas é de vampiro, bem tosquinha. Mas vale pelas outras 19.
Só ontem que fui ver o Urso de Ouro do Festival de Berlim. Legal. Talvez só não tenha sido mais legal porque demorei tanto para assistir. Já estava enjoando das paródias e das brincadeiras com o jeitão do Cap. Nascimento. Tropa também me fez lembrar de "Cidade de Deus", sendo que lá o Meirelles deu um show na direção. O filme é tenso, tem umas cenas boas, mas de resto é apenas explosivo. Mostra uma realidade que já acostumamos a ver nos jornais. Tem o Wagner Moura detonando como sempre, e é mais ou menos isso. Achei mais legal outro filme que peguei na mesma levada: Paris, te amo. São uns 20 filmes em um. Os curtas têm locais de Paris como pano de fundo para histórias variadas, contadas por diretores conhecidos ou não. Uma delas é de vampiro, bem tosquinha. Mas vale pelas outras 19.
quinta-feira, fevereiro 28, 2008
Nine-hundred and sixty times.
If the name written on the tag, attached to the brown duffel bag he always carries with him, is actually his name, he’s called Dolphin Whilcock. He has a skinny figure and looks like he’s in his late twenties; his face is dirty and needs shaving, his hair hasn’t seen a comb for years. Every two days he shows up at the same corner, where he stays stuck until sunset with his old flannel pajama bottom and gray t-shirt.
He knows precisely how many times the traffic light, located near the old apartment building where he appears to live, goes green everyday. When he is there, standing close to it, just like now, he seems to be hypnotized by the cyclical routine of green and orange and red. He may be wondering why the lights never blink at the same time, but nobody knows what he’s really thinking.
Though people say he can’t understand what the traffic lights mean, he has very clear in his mind that the red light stays on less time than the green one, but, yet, a lot more than the orange one. He has a certain preference for the orange light, maybe because its life is shorter than the others’. His memories are clearly bewildered, but he recalls someone telling him that he should appreciate brief things with intensified sensitivity. That’s why he stays, all day long, admiring the birth, death, and resurrection of the traffic lights. For him, that process represents eternal life, something he would like to have. He understands his life will not blink twice.
When he’s not planted on that corner, Dolphin Whilcock is walking barefoot around the square. He never goes beyond it, because he doesn’t know what waits for him on the other side of the street. He fears the unknown. In fact, when he spends the whole day looking at the traffic lights, he seems to be waiting for a new sign, an omen that will open a new path and set him free.
Everyone who lives in that particular block knows him, but not his history. The ones who try to talk to him aren’t able to sustain an intelligible conversation, because he goes no further than saying “hi.” Some of them provide him with food, which he gladly accepts. When they offer clothes, though, he declines and immediately opens his duffel bag, showing he has some clothes inside it. Nevertheless, he never changes the clothes he’s wearing. He’s made his old and dirty garments his second skin. The stuff he carries in his bag is kept for a special occasion.
“Nine-hundred and sixty times,” he informs a blonde woman who passes by, carrying groceries in a bag. She seems to be in a hurry -- mainly because she doesn’t have an umbrella and some rain drops are starting to fall.
“The green goes on nine-hundred and sixty times!” he shouts to himself, excited by the thunderstorm that’s forming right above his head. When the storm reaches that area, everybody runs, looking for shelter. He remains, gazing fixedly at the traffic lights under the rain, as if expecting a special vision. Suddenly, he faces a lightning-bolt, a huge discharge of atmospheric electricity, which blinds him for a couple of seconds.
When he’s able to see again, everything is different -- dark, almost lifeless. Something calls his attention more than anything else: the orange light is blinking now. There’s no green, no red; just orange. Totally soaked, Dolph grabs his duffel bag, crosses the street and disappears from sight.
(written in Y2K by R.Schrappe)
If the name written on the tag, attached to the brown duffel bag he always carries with him, is actually his name, he’s called Dolphin Whilcock. He has a skinny figure and looks like he’s in his late twenties; his face is dirty and needs shaving, his hair hasn’t seen a comb for years. Every two days he shows up at the same corner, where he stays stuck until sunset with his old flannel pajama bottom and gray t-shirt.
He knows precisely how many times the traffic light, located near the old apartment building where he appears to live, goes green everyday. When he is there, standing close to it, just like now, he seems to be hypnotized by the cyclical routine of green and orange and red. He may be wondering why the lights never blink at the same time, but nobody knows what he’s really thinking.
Though people say he can’t understand what the traffic lights mean, he has very clear in his mind that the red light stays on less time than the green one, but, yet, a lot more than the orange one. He has a certain preference for the orange light, maybe because its life is shorter than the others’. His memories are clearly bewildered, but he recalls someone telling him that he should appreciate brief things with intensified sensitivity. That’s why he stays, all day long, admiring the birth, death, and resurrection of the traffic lights. For him, that process represents eternal life, something he would like to have. He understands his life will not blink twice.
When he’s not planted on that corner, Dolphin Whilcock is walking barefoot around the square. He never goes beyond it, because he doesn’t know what waits for him on the other side of the street. He fears the unknown. In fact, when he spends the whole day looking at the traffic lights, he seems to be waiting for a new sign, an omen that will open a new path and set him free.
Everyone who lives in that particular block knows him, but not his history. The ones who try to talk to him aren’t able to sustain an intelligible conversation, because he goes no further than saying “hi.” Some of them provide him with food, which he gladly accepts. When they offer clothes, though, he declines and immediately opens his duffel bag, showing he has some clothes inside it. Nevertheless, he never changes the clothes he’s wearing. He’s made his old and dirty garments his second skin. The stuff he carries in his bag is kept for a special occasion.
“Nine-hundred and sixty times,” he informs a blonde woman who passes by, carrying groceries in a bag. She seems to be in a hurry -- mainly because she doesn’t have an umbrella and some rain drops are starting to fall.
“The green goes on nine-hundred and sixty times!” he shouts to himself, excited by the thunderstorm that’s forming right above his head. When the storm reaches that area, everybody runs, looking for shelter. He remains, gazing fixedly at the traffic lights under the rain, as if expecting a special vision. Suddenly, he faces a lightning-bolt, a huge discharge of atmospheric electricity, which blinds him for a couple of seconds.
When he’s able to see again, everything is different -- dark, almost lifeless. Something calls his attention more than anything else: the orange light is blinking now. There’s no green, no red; just orange. Totally soaked, Dolph grabs his duffel bag, crosses the street and disappears from sight.
(written in Y2K by R.Schrappe)
quarta-feira, fevereiro 27, 2008
Outra Roupa Que Desmancha

Legenda: "Estampa de camiseta revela final de vários filmes".
Fonte: Blue Bus de amanhã. ; )

Legenda: "Estampa de camiseta revela final de vários filmes".
Fonte: Blue Bus de amanhã. ; )
quarta-feira, fevereiro 06, 2008

O táxi passava por um bairro afastado de Paris. Iam o motorista, ao lado dele sei lá quem, eu no banco traseiro e, do meu lado direito, um senhor marroquino com cara de afegão, barbudo, mas vestido como um bispo da igreja ortodoxa russa. O céu estava cinza e o carro andava rápido por um extensa avenida que se prolongava por uma imensa e suave curva à direita. Olhei para esta direção - portanto com o velho marroquino-afegão desfocado em primeiro plano - e pude ver pelo vidro gorduroso uma fábrica antiga. O carro andava e a fábrica nunca acabava, com seu ar centenário, suas paredes expondo os tijolos marrom-acinzentados que se confundiam com o céu. O velho ortodoxo me falava sobre aquele lugar num português surpreendente e sem legendas. Olhei então pelo vidro traseiro e vi a fábrica ficando para trás. Eu vivia uma expectativa infantil, por isso pedi para alguém tirar uma foto. O senhor marrocofegão tirou uma handycam da bolsa (ele tinha uma bolsa hippie) e apontou para mim, mas era o contraplano do meu ponto de vista e eu queria era registrar a cena da fábrica então foda-se deixa pra lá velho do turbante que imagine claro que não era um turbante e sim um chapéu da igreja ortodoxa que lembrava um quadro bizantino. Enfim, o táxi parou e o velho bizantino disse que era ali que eu tinha que descer. Pisei na areia molhada e reconheci a casa de praia da minha avó. O táxi foi embora. E agora? Acordei com uma puta vontade de mijar.
quinta-feira, janeiro 03, 2008
sexta-feira, novembro 30, 2007
quinta-feira, novembro 29, 2007
Uma coisa leva à outra que leva de volta à mesma coisa

Fernando Meirelles, o diretor de "Cidade De Deus", sugeriu que eu lesse o livro "Ensaio Sobre A Cegueira" (na real ele sugeriu a todos os que lêem o seu blog). Disse que era livro que se devora em um final de semana. Duvidei. Afinal é Saramago - aquele cara de quem eu nunca tinha lido uma linha, tendo lido somente alguma coisa acerca de seus escritos e em algum lugar desta alguma coisa alguém dizia que ele escrevia diferente, com parágrafos gigantes, poucos pontos e nenhum diálogo com travessões a separar as falas (como exemplifica este breve trecho). Mas o texto do cara é tão bom que a gente absorve de pronto a ponto de nem estranhar. E se não levei um fim de semana, não demorei tanto mais. Em três dias tinha devorado o livro. Digerir já é coisa pra mais tempo e pensamento. Mas o fato é que o cara escreve bem demais da conta, numa fluidez tão deliciosa que a gente não consegue parar de ler e de querer saber mais e mais. Vale ler antes do filme sair. É, vai rolar um filme do livro, dirigido pelo mesmo Fernando da dica lá de cima. Ainda antes do filme, vale ler também os posts que ele escreve sobre a produção. Porque longe de ser um blá-blá-blá coorporativo pra vender filme, o blog é sobre situações oriundas do insano ato de se fazer filmes, mesclado com as impressões pessoais de quem o está a dirigir. Bem legal.

Fernando Meirelles, o diretor de "Cidade De Deus", sugeriu que eu lesse o livro "Ensaio Sobre A Cegueira" (na real ele sugeriu a todos os que lêem o seu blog). Disse que era livro que se devora em um final de semana. Duvidei. Afinal é Saramago - aquele cara de quem eu nunca tinha lido uma linha, tendo lido somente alguma coisa acerca de seus escritos e em algum lugar desta alguma coisa alguém dizia que ele escrevia diferente, com parágrafos gigantes, poucos pontos e nenhum diálogo com travessões a separar as falas (como exemplifica este breve trecho). Mas o texto do cara é tão bom que a gente absorve de pronto a ponto de nem estranhar. E se não levei um fim de semana, não demorei tanto mais. Em três dias tinha devorado o livro. Digerir já é coisa pra mais tempo e pensamento. Mas o fato é que o cara escreve bem demais da conta, numa fluidez tão deliciosa que a gente não consegue parar de ler e de querer saber mais e mais. Vale ler antes do filme sair. É, vai rolar um filme do livro, dirigido pelo mesmo Fernando da dica lá de cima. Ainda antes do filme, vale ler também os posts que ele escreve sobre a produção. Porque longe de ser um blá-blá-blá coorporativo pra vender filme, o blog é sobre situações oriundas do insano ato de se fazer filmes, mesclado com as impressões pessoais de quem o está a dirigir. Bem legal.
terça-feira, novembro 27, 2007
Desenhistas e Desenhados

Gente famosa (dos quadrinhos) desenhando gente famosa (personagens ou autores).
Gente famosa (dos quadrinhos) desenhando gente famosa (personagens ou autores).
quinta-feira, novembro 22, 2007
quarta-feira, outubro 24, 2007
segunda-feira, outubro 08, 2007
quarta-feira, outubro 03, 2007
Enquanto Isso, Em Brasília...

Do UOL de hoje: "Carimbo com erro na grafia da palavra 'Congresso' espalha equívoco por milhares de documentos oficiais da Câmara e do Senado".

Do UOL de hoje: "Carimbo com erro na grafia da palavra 'Congresso' espalha equívoco por milhares de documentos oficiais da Câmara e do Senado".

Eu vi um cara andando no meio da rua. Ele tinha a cara séria, um olhar determinado. Tinha a barba por fazer e a pele torrada pelo Sol, talvez também pela cachaça. Não posso afirmar. Deve ter acordado de sabe-se lá quais sonhos num mundo que não lhe dizia respeito. E resolveu andar. No meio da rua. No meio dos carros. Na contramão. Poucas vezes vi alguém fazer algo sem aparente sentido com tanta convicção. Ele não me viu. No mundo dele eu nem existo. E isso é estranho. Ele passou a existir no meu.
terça-feira, setembro 25, 2007
Faça Sua Legenda - VII

Texto original: "Theo Christian, do London's Leftovers FC ('As Sobras de Londres FC'), falha ao tentar pegar a bola, durante partida pela Copa do Mundo Gay de Futebol, em Buenos Aires. 28 equipes disputam a competição organizada pela Associação Internacional de Futebol de Gays e Lésbicas." (Fonte: Terra)
Qual seria o SEU texto para a foto? Resposta nos comentários.

Texto original: "Theo Christian, do London's Leftovers FC ('As Sobras de Londres FC'), falha ao tentar pegar a bola, durante partida pela Copa do Mundo Gay de Futebol, em Buenos Aires. 28 equipes disputam a competição organizada pela Associação Internacional de Futebol de Gays e Lésbicas." (Fonte: Terra)
Qual seria o SEU texto para a foto? Resposta nos comentários.
segunda-feira, setembro 24, 2007
i-Mundo

Do Blue Bus de ontiontionti: "Abrem mão de amigos e sexo só pra ficar na internet". Em outras palavras, "Uma pesquisa realizada pela JWT nos EUA indica que 28% dos americanos admitiram gastar menos tempo se relacionando pessoalmente por conta do tempo passado na internet. 20% confessaram ter diminuído a atividade sexual por conta da internet. (...) Segundo o estudo, as pessoas se definem como "ansiosas, isoladas e entediadas" quando são forçadas a ficar offline. (...)".
Do Nego Lee de sempre: Ser humano me dá nojo.

Do Blue Bus de ontiontionti: "Abrem mão de amigos e sexo só pra ficar na internet". Em outras palavras, "Uma pesquisa realizada pela JWT nos EUA indica que 28% dos americanos admitiram gastar menos tempo se relacionando pessoalmente por conta do tempo passado na internet. 20% confessaram ter diminuído a atividade sexual por conta da internet. (...) Segundo o estudo, as pessoas se definem como "ansiosas, isoladas e entediadas" quando são forçadas a ficar offline. (...)".
Do Nego Lee de sempre: Ser humano me dá nojo.
quinta-feira, setembro 20, 2007

Nosso presidente aloprado acaba de dizer que "sem a CPMF o Brasil de hoje é ingovernável." Repare no "de hoje". A explicação está toda aí. O Brasil de Lula é ingovernável porque, em primeiro lugar, o País não tem um presidente. Tem um sanguessuga duas caras fantasiado de humano. E este parasita mentiroso infestou a máquina pública do Brasil com milhares de outras larvas de seu putrefato partido. Larvas incompetentes, imbecis e tão avessas ao trabalho como ele próprio. Daí a dificuldade de se governar o Brasil sem os 40 bilhões que a CPMF rende todos os anos. Uma grana que deveria estar indo para a Saúde e que morreu no bolso de corruptos ou na sala de espera, como centenas de brasileiros que acreditaram que seriam atendidos no SUS ou coisa que o valha. O Brasil é governável, sim. Basta tirar o presidente, destituir o Senado e passar potentes vermífugos por todos os cantos da Câmara Federal.
domingo, setembro 16, 2007
Tênue fronteira
Não sei se vocês sabem, mas a minha vida deu uma guinada de 360 graus.Todo mundo tirou sarro da declaração filosófico-bombástica da Carla Perez, mas agora eu sinto que o que ela disse (e não exatamente o que quis dizer) até que faz algum sentido: é aquele famoso cavalo-de-pau, que mais parece um cavalo-de-batalha no caminho da gente e não necessariamente leva adiante.Estou vivendo quase como um Burroughs do Naked Lunch. Só que o teclado não quer falar comigo, maldito. E agora eu tenho tempo de sobra pra não fazer nada do que precisa ser feito.
(Por enquanto, isso é o que de mais interessante eu tenho para contar).
Nem me despedi a preceito dos amigos. Talvez porque não tenha ido direito ainda. O que, convenhamos, não é razão para desmerecer um porre ritualístico.
DR
Não sei se vocês sabem, mas a minha vida deu uma guinada de 360 graus.Todo mundo tirou sarro da declaração filosófico-bombástica da Carla Perez, mas agora eu sinto que o que ela disse (e não exatamente o que quis dizer) até que faz algum sentido: é aquele famoso cavalo-de-pau, que mais parece um cavalo-de-batalha no caminho da gente e não necessariamente leva adiante.Estou vivendo quase como um Burroughs do Naked Lunch. Só que o teclado não quer falar comigo, maldito. E agora eu tenho tempo de sobra pra não fazer nada do que precisa ser feito.
***
Só aqui mesmo: uma pomba entra pela sua janela e faz ninho no seu travesseiro. E como é que a cabeça vai descansar?
(Por enquanto, isso é o que de mais interessante eu tenho para contar).
***
Nem me despedi a preceito dos amigos. Talvez porque não tenha ido direito ainda. O que, convenhamos, não é razão para desmerecer um porre ritualístico.
Além de um desabafo, isso é um convite. Mais que um convite, uma intimação.
Me esperem e segurem o Nego para ele não abrir o vinho antes que eu chegue aí.
DR
quinta-feira, setembro 13, 2007
O Che que me desculpe, mas chegou a hora de perder la ternura
Chega de passividade. Chega de protesto silencioso. Chega de pintar a cara. Vamos à guerra. Contribua com sua idéia hostil para esculhambar os senadores que votaram contra a cassação do Calheiros e todo o resto da corja que parasita o poder.
Chega de passividade. Chega de protesto silencioso. Chega de pintar a cara. Vamos à guerra. Contribua com sua idéia hostil para esculhambar os senadores que votaram contra a cassação do Calheiros e todo o resto da corja que parasita o poder.
quarta-feira, setembro 12, 2007
terça-feira, setembro 11, 2007
segunda-feira, setembro 10, 2007
Lindão!

Na hora em que o Ronaldinho se preparou para bater aquela falta contra os EUA, comentei com o meu pai: quando ele faz essa cara de mau é porque vem coisa. Não deu outra. Ele chutou a bola no lugar mais improvável do mundo: bem no canto em que o goleiro estava. Mas chutou numa altura em que a vítima não sabe se vai com a mão ou com o pé. E, se sabe, é pego no contrapé. Perfeito. Irretocável. A beleza do pintor está nos quadros que ele pinta.

Na hora em que o Ronaldinho se preparou para bater aquela falta contra os EUA, comentei com o meu pai: quando ele faz essa cara de mau é porque vem coisa. Não deu outra. Ele chutou a bola no lugar mais improvável do mundo: bem no canto em que o goleiro estava. Mas chutou numa altura em que a vítima não sabe se vai com a mão ou com o pé. E, se sabe, é pego no contrapé. Perfeito. Irretocável. A beleza do pintor está nos quadros que ele pinta.
terça-feira, setembro 04, 2007
segunda-feira, setembro 03, 2007
Faça Sua Legenda - VI

Texto original: "Meninas dançam ao som da axé music em feira voltada para agentes funerários no Guarujá, litoral paulista. A Funexpo apresentou novidades como a maquiagem para seis tons de pele." (Fonte: UOL.)
Qual seria o SEU texto para a foto? Resposta nos comentários.

Texto original: "Meninas dançam ao som da axé music em feira voltada para agentes funerários no Guarujá, litoral paulista. A Funexpo apresentou novidades como a maquiagem para seis tons de pele." (Fonte: UOL.)
Qual seria o SEU texto para a foto? Resposta nos comentários.
sexta-feira, agosto 31, 2007
GRINDHOUSE

"Planet Terror" (Robert Rodriguez) e "Death Proof" (Quentin Tarantino)
Este é o primeiro filme pirata que eu resenho. Não que eu ache legal (ou que seja legal, legalmente falando). Na real, eu não curto muito a pirataria fílmica, principalmente aquela porcalhenta captada diretamente das salas de cinema. Mas, no caso em questão, a razão da piratagem é/foi simples: se eu fosse esperar o lançamento nos cinemas, ou talvez direto em DVD, teria que sentar. E esperar. Sentado. E muito, pelo jeito da coisa. E talvez ainda tivesse que pagar dois ingressos para ver um único filme com dois episódios - que deveriam ser médias-metragens, mas o fato é que os diretores se empolgaram e editaram além do bom-senso (porque ambos os filmes ficariam bem melhor com uma meia horinha a menos). Mas o que realmente me surpreendeu, ao assistir a estes médias alongados, foi o descarado fato (que não é fato, por ser só o que eu acho) de que o Rodriguez se saiu melhor do que o Tarantino. "Planet Terror" é bem a cara do Rodriguez, com diálogos toscões, efeitos podrões, muita pose e clichês remendados e reutilizados à exaustão. Mas dentro da proposta do filme, tudo funciona direitinho, inclusive a parte do rolo faltante, que realmente pula a história, ao contrário do filme do Tarantino, onde nem damos por falta do rolo faltante. Aliás, o Taranta até que tentou voltar aos seus diálogos pop-legais, mas não funcionou legal e só deixou o filme chato e arrastado. Além disso, ele não soube criar a mínima tensão, talvez pelo fato de criar um vilão de carne-e-osso - e meio fraco, convenhamos. Se optasse por um carro sem motorista visível, no estilo do caminhão de "Encurralado" ou daquela tosqueira setentista (período "homenageado" pelos diretores) conhecida como "O Carro Do Diabo", acho que tudo funcionaria melhor. De resto, de tudo, o melhor mesmo são os ótimos trailers falsos, com destaque para o genial "Thanksgiving", o divertido "Don't" e a presença marcante e hilária de Nicolas Cage em "Werewolf Women Of The S.S.".
"Planet Terror" (Robert Rodriguez) e "Death Proof" (Quentin Tarantino)
Este é o primeiro filme pirata que eu resenho. Não que eu ache legal (ou que seja legal, legalmente falando). Na real, eu não curto muito a pirataria fílmica, principalmente aquela porcalhenta captada diretamente das salas de cinema. Mas, no caso em questão, a razão da piratagem é/foi simples: se eu fosse esperar o lançamento nos cinemas, ou talvez direto em DVD, teria que sentar. E esperar. Sentado. E muito, pelo jeito da coisa. E talvez ainda tivesse que pagar dois ingressos para ver um único filme com dois episódios - que deveriam ser médias-metragens, mas o fato é que os diretores se empolgaram e editaram além do bom-senso (porque ambos os filmes ficariam bem melhor com uma meia horinha a menos). Mas o que realmente me surpreendeu, ao assistir a estes médias alongados, foi o descarado fato (que não é fato, por ser só o que eu acho) de que o Rodriguez se saiu melhor do que o Tarantino. "Planet Terror" é bem a cara do Rodriguez, com diálogos toscões, efeitos podrões, muita pose e clichês remendados e reutilizados à exaustão. Mas dentro da proposta do filme, tudo funciona direitinho, inclusive a parte do rolo faltante, que realmente pula a história, ao contrário do filme do Tarantino, onde nem damos por falta do rolo faltante. Aliás, o Taranta até que tentou voltar aos seus diálogos pop-legais, mas não funcionou legal e só deixou o filme chato e arrastado. Além disso, ele não soube criar a mínima tensão, talvez pelo fato de criar um vilão de carne-e-osso - e meio fraco, convenhamos. Se optasse por um carro sem motorista visível, no estilo do caminhão de "Encurralado" ou daquela tosqueira setentista (período "homenageado" pelos diretores) conhecida como "O Carro Do Diabo", acho que tudo funcionaria melhor. De resto, de tudo, o melhor mesmo são os ótimos trailers falsos, com destaque para o genial "Thanksgiving", o divertido "Don't" e a presença marcante e hilária de Nicolas Cage em "Werewolf Women Of The S.S.".
terça-feira, agosto 28, 2007
"Ritmo Alucinante" (Marcelo França)

Rock brasileiro não tem memória, quanto mais história. Parece pular da Jovem Guarda sessentista pra a tal "explosão" oitentista, esquecendo de propósito dos progressivos e experimentalóides anos setenta. Por mais que eu também ache um saco algumas viajadas acidosas e solísticas de tais tempos, é bom poder ver os barulhos de então para situar as coisas e pinçar algo de bom. Por isso mesmo é que eu achei tão interessante achar este "Ritmo Alucinante" em meio a tantos dublevês triplos (clique no link para assistir na íntegra). O filme de 75 apresenta alguns bons momentos de um primordial Hollywood Rock totalmente brazuca. Mesmo com a grande influência dos sons viajandões, seja no jazzismo funkado xarope do Vímana (ainda sem Lobão ou Ritchie, eu acho) ou nas esticadas psicodélicas do Tutti-Frutti, podemos ver (e ouvir) coisas legais. Ou no mínimo curiosas. Tipo a falta de traquejo, molejo ou mesmo presença de palco de quase tudamunda. Gentes que, tecnicamente, já tinham uma bela estrada, como Celly Campelo e Erasmo Carlos, aparecem bem perdidões no palco. O Lulu Santos (na sua fase Vímana) é ainda pior, e se arrisca num passos esquisitos do tipo "eu-tô-cagado". Um pouco melhor se sai "O Peso", que mesmo com a sonoridade um tanto quanto datada de blues-rockão-basicão, mostra alguma presença de palco. A Rita até que manda bem, principalmente na segunda canção, onde esbanja animação com seu estilão glam de ser nos setenta, meio que flertando com a androginia Ziggy do Bowie. Mas o cara que é "o" cara só poderia ser um cara: Raul Seixas. O maluco entra chapado, bêbado e sabe-se lá mais o quê, e ainda assim domina o palco foderozamente como rockstar que era, com direito a silhueta nas sombras, poses a la Gita com sua gitarrita, a Lei no papel enroladão imitando pergaminhão, comentários irônicos no meio das canções (sobra até pro patrocinador), embromation geral quando esquece a ordem das estrofes, enrolation total quando o fio da guitarra decide pegar no seu pé e, o principal, rock and roll genial na melhor acepção da palavra.

Rock brasileiro não tem memória, quanto mais história. Parece pular da Jovem Guarda sessentista pra a tal "explosão" oitentista, esquecendo de propósito dos progressivos e experimentalóides anos setenta. Por mais que eu também ache um saco algumas viajadas acidosas e solísticas de tais tempos, é bom poder ver os barulhos de então para situar as coisas e pinçar algo de bom. Por isso mesmo é que eu achei tão interessante achar este "Ritmo Alucinante" em meio a tantos dublevês triplos (clique no link para assistir na íntegra). O filme de 75 apresenta alguns bons momentos de um primordial Hollywood Rock totalmente brazuca. Mesmo com a grande influência dos sons viajandões, seja no jazzismo funkado xarope do Vímana (ainda sem Lobão ou Ritchie, eu acho) ou nas esticadas psicodélicas do Tutti-Frutti, podemos ver (e ouvir) coisas legais. Ou no mínimo curiosas. Tipo a falta de traquejo, molejo ou mesmo presença de palco de quase tudamunda. Gentes que, tecnicamente, já tinham uma bela estrada, como Celly Campelo e Erasmo Carlos, aparecem bem perdidões no palco. O Lulu Santos (na sua fase Vímana) é ainda pior, e se arrisca num passos esquisitos do tipo "eu-tô-cagado". Um pouco melhor se sai "O Peso", que mesmo com a sonoridade um tanto quanto datada de blues-rockão-basicão, mostra alguma presença de palco. A Rita até que manda bem, principalmente na segunda canção, onde esbanja animação com seu estilão glam de ser nos setenta, meio que flertando com a androginia Ziggy do Bowie. Mas o cara que é "o" cara só poderia ser um cara: Raul Seixas. O maluco entra chapado, bêbado e sabe-se lá mais o quê, e ainda assim domina o palco foderozamente como rockstar que era, com direito a silhueta nas sombras, poses a la Gita com sua gitarrita, a Lei no papel enroladão imitando pergaminhão, comentários irônicos no meio das canções (sobra até pro patrocinador), embromation geral quando esquece a ordem das estrofes, enrolation total quando o fio da guitarra decide pegar no seu pé e, o principal, rock and roll genial na melhor acepção da palavra.
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