segunda-feira, abril 28, 2014

sexta-feira, abril 25, 2014

Ei, Coxa...

Sábado você estreia em casa no Campeonato Brasileiro. É claro que sua torcida apaixonada estará lá para te apoiar, cantando, gritando, pulando, jogando junto. 
Mas, ei, Coxa, soube que parte da torcida –aquela que não é tão apaixonada pelo futebol, mas sim por fazer besteira– está pensando em aprontar com a torcida do Santos. Dizem que foram vítimas de violência na última partida lá na Vila Belmiro. E agora querem a desforra. Como se retribuir a violência fosse resolver alguma coisa. É claro que não resolve. Pelo contrário, só piora.
Ei, Coxa, sua torcida tem nas mãos uma responsabilidade imensa, que é mostrar o quanto é grande e civilizada. Principalmente após aquele espetáculo lamentável promovido por uma facção marginal da organizada em 2009. 
Chega de violência. Se essa turma estranha que ainda visita nossos estádios fantasiada de torcedor quer aparecer, que vá recepcionar a torcida do Santos de forma pacífica. Não precisa levar flores e nem dar beijinhos ou bombons de chocolate. Mas que vá celebrar a paz e que demonstre um mínimo de civilidade. Em outras palavras, que recepcione o visitante como gostaria de ser recepcionado em suas aventuras fora de Curitiba. Não precisamos de mais brigas, feridos e ônibus quebrados. Precisamos de PAZ. 
Só com este pensamento começaremos a reverter essa espiral de violência entre torcidas. Com a certeza de paz, o estádio fica mais cheio, a torcida mais forte e o time mais motivado. E aí, melhor do que mandar a torcida adversária para o hospital –situação em que todos saem perdendo–, é ver o nosso time jogando bem e vencendo em campo. Vamos, pelo menos, fazer a nossa parte.



quarta-feira, abril 23, 2014

Almoço de Negócios

Dois empresários se encontram numa churrascaria rodízio.  

- E aí, João, já tinha vindo aqui?
- Eu j...
- Senhores, já pediram as bebidas?
- Ahm, ainda não. Eu vou querer um guaraná. Com gelo e laranja. E você, João?
- Eu vou tomar um chopp. Tem chopp? 
- Tem, sim senhor.
- Veja um claro para mim, com dois dedos de espuma.
- É pra já. Com licença.
- Então, é bem rápido o atendimento aqui, né?
- Picanha!
- Sim!
- Para mim também. Mal passada. Essa. Pode descer o resto. Valeu, mestre.
- Hummm, delícia. Então, João, o negócio é bom, eu só tenho que...
- Costela bovina!
- Não.
- Eu quero um pedaço magro. Menor, menor. Isso. Ok.
- Tá bonito esse pedaço, hein?
- E a gente nem pegou salada.
- É mesmo. Vamos lá. Quero te mostrar o buffet, João. É animal.

(...)
- Então, dá para fazer aquele preço que eu te passei e aí...
- Nhoque frito com molho quatro queijos!
- Eu quero. Prova aí, João.
- Ah, não, massa não, estou de regime.
- Deixa de bichice. Esse nhoque é uma delícia. Prova aí.
- Meia colher, vai. Aí, obrigado.
- Não é bom? Tô te falando. Aqui é tudo muito bom. 
- Mas podemos parcelar, ou talvez adiar a entrada em 60 di..
- Mignon de carneiro!
- Eu quero.
- Adoro carneiro. Pode pôr. Então, 60 dias? Rola? Aí eu vejo com o outro investidor.
- Acho que não tem problema. O mais importante é saber que...
- Filé argentino!
- Não.
- Não, obrigado.
- ...o mais importante é saber que você vai se dar bem. É um baita negócio.
- Pois é. Dá para v...
- Fraldinha na mostarda!
- Eu quero.
- Eu também.
- Rapaz, essa aqui tá boa pra dedéu. 
- Hummmmm.
- Espaguete ao sugo!
- NÃO! 
- Mas, então, está aprovado, João?
- Mignon no bacon!
- Aprovadíssimo! Por mim, é negócio fechado!
- Então toca aqui, parceiro!
- Conchiglione de abóbora!
- Opa, isso também é bom. Eu quero.
- Eu também.
- Hmmm, nada mal como primeiro prato do meu restaurante.
- Falou e disse, João. Baita negócio. Baita negócio.
- Costelinha de porco!

domingo, abril 06, 2014

Vai deixar a Publicidade educar o seu filho?




Tenho 42 anos e cresci vendo programas infantis na TV, como Sítio do Picapau Amarelo, Balão Mágico, Vila Sésamo e até Os Trapalhões. Não vivia pendurado na TV, pois tinha horário para isso. Assim como tinha horário para jogar bola com os amigos, para estudar, para comer, etc. Esses programas, sem exceção, eram recheados de comerciais dirigidos ao público infantil. E muitos desses comerciais eram fantasiosos, mostravam brinquedos e alimentos fazendo muito mais do que eles poderiam fazer na realidade. Eram fantasiosos, a meu ver, no bom sentido, pois mostravam como deveríamos usar a imaginação para tornar as nossas brincadeiras mais legais. E, com imaginação, nem precisávamos dos brinquedos e alimentos ali anunciados. Bastava imaginar e brincar. É claro que poder contar com um Falcon de verdade tornava a brincadeira mais legal, mas a importância estava mais na história que inventávamos e na interação com as outras crianças do que no personagem em si, que nada mais era do que um boneco inanimado. Até onde eu sei, cresci sem traumas e vacinado contra as mensagens publicitárias e o "bullying" praticado pelo Didi contra o Zacarias, o Mussum, o sargento Pincel e outros. 




Porém, com o "avanço" da civilização, com o oportunismo de políticos interessados em aparecer e a criação de inúmeros institutos de defesa do politicamente correto, o mundo foi ficando mais chato.
Não descarto e nem desmereço a importância de órgãos como o Instituto Alana, por exemplo, que são importantes para a discussão, mas que radicalizam na sua missão de proteger as crianças dos publicitários diabólicos e de suas malignas estratégias capitalistas.
A missão, a meu ver, deveria ser outra. Brinquedos e alimentos, por menos saudáveis que sejam, são produzidos e comercializados legalmente no país. São legais, pagam impostos, geram empregos, então por que sua publicidade deveria ser proibida? As respostas são variadas, mas têm sempre a publicidade como vilã.
- Ah, porque as crianças estão ficando muito tempo na TV.
- As crianças estão jogando videojogos e parando de correr e jogar bola. 
- Ah, porque tem criança que não pode comprar o que é anunciado.
- Ah, porque as crianças são vulneráveis e muito influenciáveis.
- Ah, porque as crianças estão tristes e gordas.

Ei, então por que não proibimos a venda de aparelhos de TV? Por que não criamos uma lei para obrigar os pais a disciplinarem o uso do aparelho? Por que não criamos uma lei para que os televisores saiam de fábrica com um limitador de exibição de 120 minutos por dia? Por que não criamos uma lei que obrigue pais a criarem seus filhos dentro de uma dieta alimentar saudável? Por que não criamos uma lei que puna com impostos mais altos pais que não obriguem seus filhos a praticar esportes? Por que não proibimos a venda do PlayStation e a fabricação de brinquedos no país? Por que não proibimos a criação e a disseminação de restaurantes de fast-food? Por que não proibimos a fabricação de refrigerante? A resposta é simples: proibir não é a saída. E ninguém precisa de mais uma lei.

Se bem que, com esta mentalidade atual, da superproteção infantil, do jogo para a plateia e da cubanização das liberdades, muitos deputados já devem ter pensado em implantar essas leis, se é que já não as colocaram na pauta do Congresso para futura votação. Para seu conhecimento, já existem mais de 350 projetos de lei tramitando por lá, apenas contra a Publicidade em seus mais diversos aspectos. 

Não vou nem entrar no mérito dos benefícios da Publicidade. Sim, eles existem. A novela que a senhora assiste só é possível graças a ela. O jornal que fala sobre os desmandos do Governo só é possível graças a ela. A imprensa livre é fruto direto da Publicidade, mas não é esta a questão.

A questão é que não é criando leis a rodo e proibindo a Publicidade infantil que vamos criar jovens melhores, preparados, com senso crítico e com a importante noção do que é certo ou errado, do que pode ou não pode, do que faz bem e do que faz mal. Criar crianças numa bolha não é a solução. É tapar o Sol com a peneira e criar um problema ainda maior no futuro. Um dia a bolha estoura, e aí? Que jovens teremos? 

O problema, insisto, não está na Publicidade, que tem inclusive um órgão próprio de auto-regulação, bastante atuante contra a publicidade enganosa, apelativa, antiética – o CONAR. O problema está na EDUCAÇÃO. E educação vem de casa. É preciso saber impor limites. É preciso saber conversar e argumentar com as crianças. É preciso aguentar o choro quando algo não pode ser feito, ou comprado, ou consumido. Mas isso não é fácil. Muitos pais não têm tempo e nem paciência de fazer isso. É mais fácil botar a culpa na Publicidade. É mais fácil proibir e fingir que o problema não existe e que não vivemos num mundo capitalista. É mais fácil fechar os olhos e jogar a culpa no outro. Culpar é mais fácil do que educar. 

Tem muita coisa errada no mundo, como a Publicidade Estatal, paga com dinheiro público, por exemplo, e que serve apenas aos governantes. Não preciso saber se o Governo fez uma ponte ou um hospital. Isso é obrigação dele. Se a ideia é criar uma lei realmente útil, que seja uma que determine que TODA A PUBLICIDADE DE GOVERNO SEJA EDUCATIVA, que todo dinheiro público investido em publicidade retorne à população na forma de algo que melhore suas vidas. Informação, formação de caráter, educação alimentar, nutricional, educação esportiva, educação no trânsito, enfim, educação para a vida. Aí sim teríamos o começo de um país melhor.

Qual é a sua opinião sobre isso?

sábado, abril 05, 2014

Hoje é um dia histórico

Tudo começou em dois mil e bolinha. Dois mil e cinco, creio. Resolvemos criar um blog após os frequentes devaneios que tínhamos durante o almoço semanal no Shopping Crystal. Como toda ideia só passa a existir depois que alguém resolve colocá-la em prática, criei um nome para o blog e cadastrei a patota para iniciar a criação do conteúdo. Por alguns meses, a motivação foi alta. Posts com temas variados, como críticas, minocontos, haikais, romances, piadas e outras coisas mais fizeram valer a existência deste espaço, que chegou a virar BLOG OF NOTE em seleção da própria ferramenta.
E hoje é um dia histórico porque, pela terceira ou quarta vez, este blog renasce, desta vez como um projeto pessoal, ainda que 100% aberto para as interferências dos autores originais.
O Meditabundas está de volta. Se isso é bom ou ruim, veremos com o passar dos dias. Espero que você goste do retorno deste blog que já gerou até casamento, veja você, de leitores assíduos que se apaixonaram um pelos comentários do outro. E vamos em frente. Novos textos em breve.

domingo, julho 31, 2011

Acidente na língua portuguesa!
O trema caiu e a crase continua em estado grave.

segunda-feira, julho 25, 2011

Hendrix morreu com 27 anos.
Kobain morreu com 27 anos.
Joplin morreu com 27 anos.
Morrison morreu com 27 anos.
Winehouse morreu com 27 anos.

Ou seja, o Meditabundas não pode morrer ANTES de 2030!

domingo, junho 12, 2011

Reconstruindo o LCA

Se o título parece grego para você, que bom. Mas a partir do momento em que você sofre uma torsão séria no joelho e compromete a estrutura do ligamento cruzado, LCA vira algo como o ABC. Foram mais de dois anos entre a primeira lesão e a operacão, feita na terca-feira da última semana (07/06/2011). Fiz não apenas para poder voltar a jogar futebol, mas para proteger as estruturas que ainda continuavam intactas, como os meniscos. Sem eles e já sem o LCA, rompido totalmente no início deste ano, eu não teria como fugir de uma prótese, o que seria bem mais complicado.
Enfim, se você quer saber tudo sobre a cirurgia, vou escrever num blog à parte. Depois eu deixo o link por aqui. Este texto é apenas um teste de envio de post por e-mail. Valeu. Abraco.

quarta-feira, outubro 13, 2010

CHFB in Concert



Claudião, recebemos apenas hoje a notícia de sua mudança. Torcendo para que aí tenha WiFi, fica aqui a homenagem do Meditabundas e de toda a turma da PUC ao colaborador desde sempre, colega por quatro anos, poeta desde então e artista recente. Quande der mande o novo e-mail. E até lá vá tomando umas por nossa conta. Abraços.

segunda-feira, outubro 11, 2010

A mudança



Num sobressalto, pulou do sofá, andou pelos cômodos sem vida e parou na soleira da porta. Se fechasse os olhos, poderia ouvir os risos vindos da cozinha. Se respirasse mais fundo, poderia sentir o cheiro de café e cigarro mentolado. Mas resistiu, deixou os móveis, alguns cabides e saiu. Objetos pertencem à casa. Com as mãos nos bolsos, atravessou a rua, deixando para trás até o chofer do caminhão de aluguel. Mudou porque precisava encontrar um lugar menos seguro. Mudou, acima de tudo, porque cansou de ver aquela velha fachada desbotada toda vez que se olhava no espelho.

quarta-feira, setembro 01, 2010

Tá reclamando de quê?


Tá Reclamando do Lula? Do Serra? Da Dilma? Do Arruda? Do Sarney? Do Collor? Do Jucá? Do Kassab? Dos mais de 300 picaretas do Congresso? E você?

O Brasileiro é assim:

1. - Saqueia cargas de veículos acidentados nas estradas.

2. - Estaciona nas calçadas, muitas vezes debaixo de placas proibitivas.

3. - Suborna ou tenta subornar quando é pego cometendo infração.

4. - Troca voto por qualquer coisa: areia, cimento, tijolo, dentadura.

5. - Fala no celular enquanto dirige.

6. -Trafega pela direita nos acostamentos num congestionamento.

7. - Para em filas duplas, triplas em frente às escolas.

8. - Viola a lei do silêncio.

9. - Dirige após consumir bebida alcoólica.

10. - Fura filas nos bancos, utilizando-se das mais esfarrapadas
desculpas.

11. - Espalha mesas, churrasqueira nas calçadas.

12. - Pega atestados médicos sem estar doente, só para faltar ao
trabalho.

13. - Faz " gato " de luz, de água e de tv a cabo.

14. - Registra imóveis no cartório num valor abaixo do comprado,
muitas vezes irrisórios, só para pagar menos impostos.

15. - Compra recibo para abater na declaração do imposto de
renda para pagar menos imposto.

16. - Muda a cor da pele para ingressar na universidade através
do sistema de cotas.

17. - Quando viaja a serviço pela empresa, se o almoço custou 10
pede nota fiscal de 20.

18. - Comercializa objetos doados nessas campanhas de catástrofes.

19. - Estaciona em vagas exclusivas para deficientes.

20. - Adultera o velocímetro do carro para vendê-lo como se
fosse pouco rodado.

21. - Compra produtos piratas com a plena consciência de que são
piratas.

22. - Substitui o catalisador do carro por um que só tem a casca.

23. - Diminui a idade do filho para que este passe por baixo da
roleta do ônibus, sem pagar passagem.

24. - Emplaca o carro fora do seu domicílio para pagar menos IPVA.

25. - Freqüenta os caça-níqueis e faz uma fezinha no jogo de bicho.

26. - Leva das empresas onde trabalha, pequenos objetos como
clipes, envelopes, canetas, lápis.... como se isso não fosse roubo.

27. - Comercializa os vales-transporte e vales-refeição que
recebe das empresas onde trabalha.

28. - Falsifica tudo, tudo mesmo... só não falsifica aquilo que
ainda não foi inventado.

29. - Quando volta do exterior, nunca diz a verdade quando o
fiscal aduaneiro pergunta o que traz na bagagem.

30. - Quando encontra algum objeto perdido, na maioria das vezes
não devolve.

E quer que os políticos sejam honestos.

Escandaliza- se com a farra das passagens aéreas.

Esses políticos que aí estão, saíram do meio desse mesmo povo ou não?

(via spam)

domingo, julho 05, 2009





























PERSCRUTAÇÕES PEREMPTÓRIAS DAS
INCONGRUÊNCIAS IDIOSSINCRÁTICAS

Segundo o National Geographic Society, a cada segundo a área equivalente
a um campo de futebol é desmatada.

Legal. Isso só confirma que o Brasil é o verdadeiro país da bola.

quinta-feira, junho 04, 2009

Vida Própria



Um dia desses, em meio à chuva, ele olhou para a viúva da casa ao lado, que só era viúva para formar a primeira rima pobre deste texto mal-enjambrado. E a viúva comia uvas, numa imagem diáfana que lhe deixou sem ação, e que me deixou sem rima. Entre as janelas das duas casas vizinhas, só a chuva caindo fininha. E ele, de olhar fixo na viúva gostosa - que nunca antes havia visto como tal – pensava sandices que no fundo nem faziam tanto mal. Era ele um viúvo triste também, como convém a uma história assim. No fim, ficariam juntos, já que eu, como autor da trama, não antevia reviravoltas nem mudanças, e seguia sem muita esperança de fechar tudo com jactância. E o viúvo, tomado de coragem abrupta, culpa talvez de sua impaciência para com o dono desta pena irresoluta, abriu a porta de casa disposto a tocar a campainha da vizinha. O que dizer, ele ainda não sabia. Mas sorria. Por certo uma desculpa esfarrapada surgiria durante a travessia daquele jardim repleto de inesperada alegria.

Inesperado também foi o raio fulminante que cruzou os céus para atingi-lo em cheio, fritando esperanças e devaneios. E antes mesmo do trovão, o viúvo já jazia sem vida no chão. E tão surpreso quanto o morto se viu o autor deste conto torto. Às vezes as histórias têm vida própria, sem rima, sem graça, sem sentido algum.

sexta-feira, maio 29, 2009


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quarta-feira, maio 27, 2009


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segunda-feira, maio 25, 2009


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sexta-feira, maio 22, 2009


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quinta-feira, maio 21, 2009


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quinta-feira, maio 14, 2009

Ao Vivo Também Se Morre (Ou O Colapso Da Acefalia Global)



Ele não gostava da Ivete. Nem do Ronaldo. Nem do Rubinho. Nem do Obama. Nem da Maísa. Nem do Lula. Nem do Galvão. Nem do Jô. Nem da Paes. Nem do Sarney. Nem de ninguém. Principalmente se este ninguém vivia na mídia. Porque afinal, quase ninguém em exposição na mídia consegue deixar de ser mala. Justamente por isso ele sonhava em matá-los. Todos. Nenhum mala deveria sobreviver. Só assim a vida seria novamente vívida.

Para matá-los, todos, era preciso um plano. Um bom plano. Um plano perfeito. E ele o arquitetou. Com minúcia e dedicação. Com esquemas e anotações. Com armas e bombas. Em segredo e em sincronia. Todos morreriam no mesmo dia. E na mesma hora, talvez. Uma mensagem para todos aqueles que sonhavam em ser malas também. E então tudo ficaria bem.

O plano foi posto em prática. Com precisão milimétrica. Ele era, em última instância, um gênio. Da química e da matemática. Da estatística e da balística. Do cálculo e da tecnologia. Da probabilidade e da sorte. E quanto apertou o botão, uma bomba de dois estágios foi acionada sobre o palco da Ivete. A primeira explosão levantou a saia da moçoila. A segunda distribuiu seus pedaços para a platéia. Com o Ronaldo, foi durante o jogo. O sistema de entrelaçamento da microscópica malha metálica tecida sob o seu uniforme foi acionada à distância, apertando o corpo do jogador cada vez mais, esmagando carne, ossos, órgãos e tudo mais, até o pobre homem cair morto e, finalmente, magro de verdade. Com o Rubinho outro tipo de tecnologia foi utilizada para o extermínio. Na última volta da corrida do dia, uma explosão supersônica foi ouvida, enquanto o bólido do piloto disparou numa velocidade indizível, ultrapassando todos os outros carros até desintegrar-se numa poeira melancólica justamente quando ia cruzar a linha de chegada. Para todos os efeitos, ele não completou a prova. O Obama, coitado, morreu fritado ao levar um choque high-tech de seu blackberry modificado. A Maísa simplesmente teve suas baterias trocadas por evereadys de 1.000.000 de volts, que torraram a pentelha ao vivo ao mesmo tempo em que revelaram o que todos já sabiam – ela era mesmo um robô. O Lula morreu ao minimizar os inúmeros tiros de escopeta recebidos, dizendo que ele e o Brasil superariam isso. Para o Galvão, ele resolveu que era preciso agir pessoalmente – afinal, até o mais duro dos serviços precisa trazer alguma diversão. Por conta isso, foi o próprio arquiteto da morte que entrou na cabine de imprensa do Maracanã, simplesmente enfiando o microfone goela adentro do locutor, calando sua boca para sempre, como sempre pediam aqueles vários cartazes nas arquibancadas. Teve ainda o Jô, o único que recebeu uma chance de se redimir, já que a bomba em seu esôfago só seria acionada se ele realmente não deixasse os seus entrevistados falarem por mais de 5 segundos. O coitado não conseguiu nem mesmo chamar o primeiro break comercial. A Paes morreu prensada na tradicional câmara de tortura hindu, para parar de se achar uma vaca das Índias, visto que não passava de uma nacional mesmo. E o Sarney, por fim, morreu espancado, esfaqueado, baleado, escalpelado, empalado, extirpado, queimado, enforcado e esquartejado – e todos acharam pouco.

Muitos outros semifamosos foram mortos também, mas como ninguém liga para ex-BBBs e outras beldades-relâmpago, os assassinatos e “acidentes” se resumiram a notas de rodapé em jornais sensacionalistas.

Ao final de seu plano perfeito, ele se conectou a todas as redes de TV do país, e mais algumas do mundo de lambuja, para explicar a todos o que haviam presenciado. “Não há mais lugar neste mundo para idiotas midiáticos!”. O povo vibrou. Muitos foram às ruas. Ele tinha se tornado um herói. As emissoras rapidamente encontraram o seu sinal pirata e telefonaram implorando para que ele não saísse do ar, pois os índices de audiência estavam nas alturas.

Ao perceber que tinha se transformado no que mais odiava, ele não vislumbrou outra alternativa: tomou nas mãos o seu revólver de estimação e espalhou seus miolos pelo mundo todo, via satélite e em alta definição.

quinta-feira, abril 30, 2009

Lembra disso?



O Meditabundas é um blog (mal)feito – quando é feito – por 8 pessoas para, no máximo, umas 12 pessoas (incluindo aí algumas das 8 que o fazem, às vezes, e o lêem, mais às vezes ainda). Por isso, não espere critério. O sentido da diversão é a nossa própria diversão sem sentido. Por isso, resgatei isso (quem sabe o que é sabe o que é – e quem não sabe que tente entender).

O LIVRO II – Regras:

1 - Cada um deve criar um personagem, do jeito que quiser e como quiser e somente quem criou pode tirá-lo da história, assim como ninguém pode metamorfoseá-lo em borboleta, Paulo Coelho, Zequinha do Parque ou qualquer outro ser.

2 - Podem ter outros personagens? Acho que sim, desde que não tirem a história do prumo. Como? Devem entrar e sair da história do jeito que lhe achar conveniente, desde que substitua o personagem que você criou.

3 - Para que alguns dos personagens não caiam no esquecimento, fica obrigatório cada capítulo ter pelo menos 3 personagens criados. (pode ser o seu e mais 2 ou qualquer outro). Senão, corre o risco de algum personagem ser citado somente pelo seu criador, ou seja, 8 capítulos depois.

4 - Do resto, acho que é mesma putaria.

(comentário desnecessário: e foi mesmo, como você pode acompanhar abaixo)

CAPÍTULO 1
A CRIAÇÃO DO MUNDO DE MARLBORO


(Kornellius)

A coisa vai passando de boca em boca e quando chega no seu ouvido já está completamente gozada. Por quê? Porque eu vi o que aconteceu e conheço a verdade:

Contam que no dia em que Barralashbesh Bisha apareceu (se contam é porque eu não vi e essa história já começa muito mal contada), mas vá lá, dizem que o vulcão entrou em erupção.

Foi o maior acontecimento daquele lugarzinho onde nada acontecia, não o vulcão, pois o vulcão entrava em erupção todos os dias, mas o aparecimento de Barralashbesh Bisha. Um guru hindu-protestante com formação budista radicado em Angola onde estudou misticismo chinês com profundas raízes muçulmanas.

E Barralashbesh Bisha era feio, mau, grotesco, perverso, ogro, horrível, assimétrico, coxo, deformado, monstruoso, hediondo, antipático, deselegante, desajeitado, selvagem, mal-encarado, barrigudo, disforme, apavorante, maneta, horrendo, indigesto, demoníaco, ruim, desfigurado, feroz, lúgubre, grosseiro, repugnante, desinteressante, repulsivo, cadavérico, asqueroso, estúpido, desdentado, chocante, desengonçado e só.

Apavorado com tamanha ameaça, o povo de Marlboro fugiu para se abrigar no vulcão.

O prefeito de Marlboro não tinha muito que fazer. O que queria aquela figura? Tentando proteger seu povo ele percebe em um cantinho, lá no fundo do vulcão, que outra pessoa, que não tinha nada a ver com nada, também se abrigava.

- Estamos fugindo de Barralashbesh Bisha, que é feio, mau, grotesco, perverso, ogro, horrível, assimétrico, coxo, deformado, monstruoso, hediondo, antipático, deselegante, desajeitado, selvagem, mal-encarado, barrigudo, disforme, apavorante, maneta, horrendo, indigesto, demoníaco, ruim, desfigurado, feroz, lúgubre, grosseiro, repugnante, desinteressante, repulsivo, cadavérico, asqueroso, estúpido, desdentado, chocante, desengonçado e só. - diz o prefeito - E você?

- Estou fugindo do Lula.

Era Regina Duarte, que também estava apavorada, mas por outros motivos que ninguém conhece.

Mas a conversa não durou, pois Barralashbesh Bisha que era feio, mau, grotesco, perverso, ogro, horrível, assimétrico, coxo, deformado, monstruoso, hediondo, antipático, deselegante, desajeitado, selvagem, mal-encarado, barrigudo, disforme, apavorante, maneta, horrendo, indigesto, demoníaco, ruim, desfigurado, feroz, lúgubre, grosseiro, repugnante, desinteressante, repulsivo, cadavérico, asqueroso, estúpido, desdentado, chocante, desengonçado e só, tirou de seu saco mágico a Pedra Filosofalo e trancou a todos lá dentro.

Ele era o novo Senhor do Mundo de Marlboro! Mas que figura era aquela que surgia no horizonte?

(Xarape)

Será um pássaro? Um avião? Um super-homem? Não! Olhando melhor, parece um carneiro. Ei, agora parece um coelhinho da Páscoa. Olha, mudou. Agora parece um camelo de apenas uma corcova.

- Seu estúpido! – berrou um gordo com a barba por fazer de dentro do vulcão. – Isso não é um camelo, é um dromedário!

- Pois eu chamo como eu quero. – respondeu o narrador. Além do mais, agora parece um tricerátops, olha lá.

Sem dúvida, era uma figura mutante. Uma figura, mais tarde percebeu-se, esculpida pela ação do vento em uma nuvem de poeira expelida pelo vulcão. A erupção estava próxima. Enquanto isso, dentro da caverna:

- Eu tenho medo. – disse Regina Duarte.

- Medo do quê? – perguntou o prefeito.

- Medo que, depois do meu depoimento, as pessoas fiquem tirando sarro de mim e me esculachando em histórias de gosto duvidoso.

- Pois eu só tenho medo de uma coisa: ela começa com “L”, tem quatro letras e termina com “A”.

- Ah, então você também tem medo dele? Ei, espera aí, snif, snif, que cheiro é esse?

O prefeito não foi capaz de responder. O cheiro era de churrasco, e o churrasco era ele mesmo, assado na lava. Lava que invadiu a caverna e, com a fúria de uma ejaculação precoce, dizimou o povo de Marlboro em questão de segundos.

Repulsivo e coxo, Barralashbesh Bisha delirava. Passava a acumular, a partir daquele momento, ainda mais definições para a sua já gorda coleção de adjetivos: soberano, déspota, almirante, rei, rainha, príncipe valente, valete, senhor feudal, capitão solitário e prostituta do reino. Reino que, para ser completo, agora só precisava de um povo.

Foi aí que Bisha ficou triste pela primeira vez na história. De que valia ser tudo aquilo, ter todo aquele poder, se não havia ninguém para temê-lo?

Cheio de dúvidas, o hediondo Bisha sentou na pedra filosofalo e chorou. Chorou e chorou, depois chorou mais um pouco, mais do que você possa imaginar. Chorou tanto que acabou ficando ainda mais feio, mais com cara de ogro, mais gordo e mais maneta do que era antes. Chorou tanto que começou a ter alucinações e a ouvir vozes. Depois da voz do Brasil, da voz da Tetê Espíndola e da voz de locutor de enterro do Cid Moreira, ouviu uma voz alentadora, delicada e com um sotaque curioso.

- O que aconteceu com você, pobre criatura? Para que chorar assim? Venha comigo. Este cheiro de enxofre está lhe fazendo mal.

Era Perestroika Tchetchecuda da Silva. Uma jovem educada, de corpo bem delineado e sempre inclinada a oferecer favores sexuais para o primeiro que cruzasse o seu caminho. O que ela fazia ali era um mistério. Mas ela estava ali e pronto. Logo propôs-se a ajudar o estúpido e deselegante Bisha naquilo que ele mais queria e precisava na vida: ter um povo para mandar.

(Nego Lee)

Pela estrada afora eles foram sozinhos, levar estes doces para a vovozinha. “Levar estes doces para a vovozinha” era uma gíria da patota do barulho da época, tá ligado?, que significava algo como “vamos dar uma banda”. Na verdade, Barralashbesh Bisha só acompanhou a P. T. da Silva porque achava que “banda” era parecido com “bunda”. Pois é.

Logo no início da jornada, uma pedra no caminho: uma pedra não, um iceberg gigantesco que se erguia à frente deles, teso feito o meu pau, em meio a um grande lago congelado. Sem nem pensar em voltar, Bisha foi o primeiro a tentar cruzar o obstáculo, mas o gelo rachou sob seus pés 43 e ela/ela acabou caindo nas profundezas do tal picolé de arroio. Perestroika, que sabia nadar mas naquele dia estava menstruada, gelou na hora e pensou: “E agora, quem poderá nos ajudar?”. Uma voz suave respondeu ao pensamento:

- Euuuuu! Não contavam com minha astúcia!

Não era o Chapolim Colorado não: era outra moça ruiva, igualmente pitéu como Perestroika, que surgia do nada e sem explicação só para variar. A tal moça, trajando um inexplicável maiô vermelho naquele rio 40 graus negativos, saiu correndo em direção ao buraco onde Bisha despencara. Perestroika, tipo assim, pirou o cabeção naquela intrépida desconhecida. Aqueles peitões balançando em câmera lenta chamaram muito a sua atenção, mas foi pela tchetchênia rebelde da mulher que ela reconheceu a mina:

- Mina!

Na mosca. Era Mina Putin, famosa treinadora da seleção olímpica de natação da ex-URSS, ganhadora de uma medalha no peito do time de vôlei nos jogos de 1980 (obtida quando ela passava no meio do treino dos caras rumo à piscina da concentração). Em um quarto de segundo, Mina mergulhou naquelas frígidas águas insípidas, incolores e inodoras, trazendo Bisha à tona. Junto com ele, ela também resgatou o navio Titanic, mas sem o Leonardo DiCaprio.

(Nery)

A verdade é que o mundo de Marlboro não estava pronto, nem nunca estaria, para tão bisonha cena: Barralashbesh Bisha, gotejante, abraçado a uma Mina em trajes de banho, dependurado na proa (ou seria a popa? [melhor chamar de ponta]) de um Titanic carcomido e corroído por décadas de submersão involuntária nas águas geladas de um lago congelado, gritava:

- I´m the king of the world!

O caquético Titanic avançava pelo gelo, enquanto, sabe-se lá de onde, ecoava a chatérrima música-tema da Celine Dion para o filme transatlântico. Perestroika Tchetchecuda da Silva, sentada na popa (ou seria a proa? [se bem que ela preferiria a ponta]) do Titanic, não conseguia esconder seu ciúme doentil por aquela Mina vagabunda que acabara de salvar o feio, mau, grotesco, perverso, ogro, horrível, assimétrico, coxo, deformado, monstruoso, hediondo, antipático, deselegante, desajeitado, selvagem, mal-encarado, barrigudo, disforme, apavorante, maneta, horrendo, indigesto, demoníaco, ruim, desfigurado, feroz, lúgubre, grosseiro, repugnante, desinteressante, repulsivo, cadavérico, asqueroso, estúpido, desdentado, chocante, desengonçado e também soberano, déspota, almirante, rei, rainha, príncipe valente, valete, senhor feudal, capitão solitário e prostituta do reino Barralashbesh Bisha - o único homem do pedaço neste pedaço de mundo feito só de gelo e vulcões.

O tédio de Perestroika parecia não atingir os pombinhos dependurados na proa (popa? [porra!]) do barquinho. A coitada passou então a olhar pro céu, em busca de uma luz capaz de acalmar seus desejos mais íntimos (além do ardor inesgotável de sua bacurinha).

Foi quando o firmamento vibrou, fazendo Pere vibrar também. Do alto, e avante, um homem (pelo menos é o que parecia) surgiu, vestindo um traje brilhante, vermelho e prateado. Avançando entre as dimensões paralelas dos universos conhecidos, ele acabou pousando no convés do Titanic.

- Permita que eu me introduza... – declarou o mancebo.

- Permito... – Sorriu maliciosamente a Perestroika.

- Eu sou Ultra Sete, ao seu dispor.

- Pode pôr...

Mas Ultra Sete não poderia ter aparecido em hora pior, pois o Titanic rumava, inexorável, para uma cachoeira congelada, com queda de mil metros e cacetada.

(Uca) – com personagem ainda não criado, só moendo o melão dos outros.

E o navio se aproximando da queda congelada.

“Só me faltava essa...”, pensou Ultra. “Essa porra quase caindo, a vagabundinha querendo me dar... e meu uniforme novo apertando na panturrilha...”

- Moça...

- Mmmmm?...

- Aqueles dois ali na... popa... é... proa...é... ali, ó...

- Que que tem?

E o navio se aproximando da queda congelada.

- É o Bisha?

- Hein?...

- Barralashbesh Bisha! Mega super vilão que quer dominar sozinho todo o Mundo de Marlboro.

E o navio se aproximando da queda congelada.

- Não é um gatu? E tá com aquela vagabunda...

- Que perda de tempo...

- Concordo... é muito quiabo pro bobó dela...

- Eu estou falando do Mundo de Marlboro.

E o navio se aproximando da queda congelada.

- Como assim, Ultra?

- Ele ainda não foi criado.

Com os olhos esbugalhados, Perestroika reflete:

- Como assim?...

“Mulé burra do caralho”, pensou Ultra...

- Moça, assim, ó... eu devia bater nele, mas ele ainda não fez a malvadagem. O que ele queria dominar, ainda não existe...

E o navio se aproximando da queda congelada.

- Como assim?... – Perestroika desesperava.

- Vem cá, moça... tá vendo isso aqui?

- ...wow... você quer que eu...

- Ajoelha e capricha, minha filha...

E o navio se aproximando da queda congelada.

- ...moça...

- ...mmmmmm?...

- ...cê viu que o navio tá quase caindo?

- ...ã-rã...

- ...só pra saber.

E o navio se aproximando da queda congelada.

- Ultra...

- Quié?...

- Você é viado?

- Mmmmm... não, mas moro com uma pessoa. Por que?

- É que... na tua cueca tá bordado “Juvenal”...

E o navio se aproximando da queda congelada.

(Carcamano)

Foi quando, para surpresa de todos e felicidade geral da nação, o gigantesco navio parou. Todos contavam com a queda de duzentos e cento e quatro metros de queda que caía bem lá pra baixo. Porém, ninguém contava com um iceberg no meio do caminho (mesmo num navio com o nome Titanic). Todos respiraram aliviados, momentaneamente livres do desastre, até mesmo Perestroika, que sentia-se meio gozada. É que Ultra Sete era meio grosso mesmo.

Foi quando Ultra percebeu que o frio glacial não se comparava ao frio na espinha que sentiu quando ouviu de pertinho uma voz aveludada, meio Caubi Peixoto, meio Genival Larcerda. Era Mustafalcon, seu amigo de infância, dos tempos em que a dupla comia todas as Susies e Barbies das irmãs mais velhas. Girando sobre o próprio eixo num movimento de 180 graus em padedê, Ultra vira-se e encara de frente aquele que foi muito mais do que um amiguinho de rua. Por um momento Ultra tirou a Perestroika da cabeça e, tentando disfarçar a emoção, emposta a voz, igual a um filme japonês dublado:

- Macacos me mordam...Mustafalcon. O que faz aqui? E por que diabos você fica olhando para os lados enquanto eu falo?

- Desculpe Ultra. É o meu exclusivo movimento "Olhos de Águia". Mas isso não importa. O que importa é que eu vim disfarçado nesse navio para ajudá-los a deter Barralashbesh Bisha.

- Quer dizer então que aquele cara parecido com o Leonardo Di Caprio...

- Com essa barbona cerrada aqui? Nem fodendo. É claro que era eu. Inclusive...

Inclusive a voz de Mustafalcon foi abafada por um estalo. Não um estalinho, mas um estalão. Tipo grande mesmo. Mustafalcon havia cometido um grave erro. Seu helicóptero amarelo-plástico estava pousado na proa/popa/estibordo... no bico do navio e, como se isso fosse possível, suas turbinas superaquecidas estavam derretendo o gigantesco e muito grande iceberg

(Mario – que Mario?)

Estavam todos perdidos: Mustafalcon, Ultra e todas as chupadoras de picolé de framboesa. Porém, de súbito, o céu ficou lilás, e o tom meio que de introspecção tomou conta de todo o mundo de Marlboro. E atravessando as grossas nuvens de algodão, quatro gigantes alto-falantes (mas alto mesmo) despejaram de uma só vez o maior sucesso do momento no mundo do Free: o novo disco dos Tribalistas.

O Velho Urso do Oriente trancou-se em sua sacada e, cercado de anjos decaídos, apertou seu fino Free Ultra Lights, deixando escapar uma lágrima de seu olhar distante. Sim, o Velho Urso do Oriente - nascido na Europa Oriental, agora era nada mais, nada menos, que o senhor do tempo no mundo de Marlboro. E como tal, ele era o único que podia fumar Free Ultra Lights e fazer chover.

Neste instante, lá embaixo, abaixo da linha que separa os anjos decaídos e os ursos semi-deuses sensíveis (que se emocionam com a voz da Marisa Monte) dos reles mortais, barbudos e super-heróis desempregados, aconteceu algo terrível. As abundantes lágrimas do gordo urso transformaram aquele mundinho árido e poeirento numa lama só. E isso salvou nossos amigos, pois a chuva esfriou as turbinas do helicóptero amarelo-plástico do Mustafalcon, impedindo que o iceberg derretesse.

Todos ficaram aliviados. E Perestroika foi a primeira a externar tudo:

- Aig gue eu paguei um megdo dagnado... glup! Ah! Agora sim, tinha uma coisa na minha boca que não tava deixando eu falar...

E o Ultra falou:

- É minha filha, essa coisa que você acabou de engolir tinha dono viu, nojenta. E agora vou ter que virar passiva? Nosssssa minha voz já tá afinando. Sua desastrada, eu lhe afogo, nojenta!

Pois é, meus amigos... nossos heróis acabaram ganhando uma nova aliada: Ultra Sete Zero Sete, uma máquina, mas podem chamá-la de avião.

- Puta que Pariu!

Desta vez quem falou foi o nosso semideus sensível, o Velho Urso do Oriente. Ele realmente se emocionava cada vez mais com a música dos Tribalistas e por conta disso chorava descontroladamente. Desta feita, a simples chuva tornou-se um dilúvio. E o mundo de Marlboro, que outrora fora só pó, seguido de só lama, agora estava virando só água. A queda de trocentos metros não mais importava, pois a água estava enchendo o mundo de Marlboro. E todos os habitantes daquele lugar lutavam desesperadamente para se manter na superfície. Já os nossos heróis, dentro do Titanic, estavam sendo levados ao céu. Junto com tudo o que existia no mundo de Marlboro. Era só água. Os cavalos de raça que pastavam solenes nas pradarias dos campos sem fim viraram cavalos marinhos. Barralashbesh Bisha, Regina Duarte e todos os habitantes estavam cientes do fim que se aproximava à medida que a água subia. E ela estava quase no céu! Tudo estava quase perdido. Chegava enfim o dia do juízo final, quando...

Tschiiiishshshsh! - um ruído terrível tomou conta do lugar. Em seguida silêncio. O mais absoluto silêncio seguido por um eloquente:

- Puta que Pariu!

Era o Velho Urso do Oriente, puto da cara, pois suas lágrimas criaram um dilúvio tão grande que as águas subiram até apagar o seu Free Utra Lights. Era o fim do temporal. E da história.


O LIVRO II – Personagens

N.P. - Originalmente, os personagens eram apresentados antes da história. Mas isso quebrava todo o suspense com que eles eram introduzidos (epa!) na história. Por isso optei por publicar as fichas deles no final.

-1-



Nome: Barralashbesh Bisha
Características Físicas: Feio
Quem é: Guru espiritual e mega super vilão que quer dominar
sozinho todo o Mundo de Marlboro.
Cor: Cáqui
Livro: Brida
Uma personalidade: Carla Perez
Barralashbesh Bisha por Barralashbesh Bisha: hummm.. sei lá.. é difícil falar de si mesma, digo, mesmo.
Mensagem: Gostaram do meu Blog? Gatinhus, mandem mensagem, tenho ICQ e MSN. Beijux.

-2-



Nome: Perestroika Tchetchecuda da Silva
Características Físicas: Ruiva em cima, morena embaixo, olhos cor-de-kremlin, 1,78m de um corpo firme e delineado graças aos 10 anos de natação nas águas geladas do rio Volga.
Quem é: Ex-atleta olímpica da ex-União Soviética. Ao contrário dos pais, que trabalham apenas para própria subsistência, Perestroika é muito apegada nuns paus, ou melhor, nuns trocados. Costumava oferecer sua pequena perestroika para padres tarados em troca de alguns rublos.
Cor: Pink, roxo, azul-turquesa, vermelho-sangue, petróleo, depende do parceiro.
Livro: O Caminho das Borboletas
Uma personalidade: Divine Brown e John Holmes.
Perestroika Tchetchecuda por Perestroika Tchetchecuda: Meu pai me deu este nome em homenagem ao processo de abertura política iniciada pelo Michail, aquele careca com um mapa-mundi tatuado na cuca. Mas hoje, quando alguém pensa em abertura, logo lembra de mim, porque a minha abertura é mais gostosa, quentinha e deixa o povo mais feliz.
Mensagem: Olha, o teu zíper está aberto. Não precisa fechar, não, deixa assim. Tá quente aqui, né? Não quer tirar essa calça? Isso, hmm, que bonitinho ele… hmphs, shlog, shlog, shlog...

-3-



Nome: Mina Putin
Características Físicas: Ruiva boazuda, 90-60-90, sofre com uma puta cirrose obtida graças à vodka nossa de cada dia. Anda o dia inteiro de maiô vermelho, tipo Baywatch.
Quem é: Ex-treinadora da seleção olímpica de natação da ex-URSS. Hoje trabalha de salva-vidas em Moscou e presta serviços secretos para os americanos, como espionar atrás da cortina de ferro e chupar o canhão do Bush. Más línguas contam que usava a sua conexão com Cuba para fornecer charutos para o Clinton. Outros dizem que é filha bastarda do atual presidente russo.
Cor: Burro-quando-foge-da-Sibéria.
Livro: Um Dia Daqueles (pelas figurinhas bonitinhas).
Uma personalidade: Bóris Yeltsin Casoy.
Mina Putin por Mina Putin: Passo.
Mensagem: Você ligou pra Mina Putin. No momento não posso atendê-lo, após o sinal etc e tal.

-4-



Nome: Ultra Sete
Características Físicas: Organismo metálico-plástico-emborrachado com zíper atrás. Se move como um robô e faz gestos exagerados para acentuar suas expressões.
Quem é: Poderoso guerreiro vindo do planeta Ultra, na Nebulosa M-78, Ultra Sete tem sete vidas, sete dedos no pé esquerdo e setes pares de meias – um para cada dia da semana.
Cor: As sete do arco-íris.
Livro: As Sete Leis Espirituais do Sucesso (Deepak Chopra).
Filme: Sete Anos no Tibet e Seven (adoro o Brad Pitt).
Conto de Fadas: Branca de Neve e os Sete Anões.
Uma personalidade: National Kid.
Ultra Sete por Ultra Sete: Sou de poucas palavras. Sete, no máximo.
Mensagem: Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe sete! Não tenho preconceitos, desço o cacete mesmo se você for um dragão feio e verde.