sexta-feira, novembro 25, 2005
quinta-feira, novembro 17, 2005
Um dia, quem sabe.

Não existe pior corte no mundo do que a expressão: "um dia, quem sabe". "Um dia, quem sabe" significa nunca mais, esqueça, acabou, não alimente esperanças, desista ou espere sentado.
Quando Rodrigo sentou à mesa pela manhã e não viu as torradas com doce de figo perguntou à Marília:
- Mariiiiiiiii! Você não fez as torradas com figo?
- Não.
- Esqueceu?
- Não.
- Não vai fazer?
- Um dia, quem sabe.
Não disse mais nada.
À noite, já deitados na cama, ele ainda tentou puxar assunto:
- Como foi seu dia?
- Normal.
- Foi ao mercado?
- Hã hã.
- Comprou doce de figo?
- Não.
E no dia seguinte nada de torradas no café da manhã. E no outro dia também, e no outro e no outro.
Qualquer diálogo entre os dois sempre começava e terminava com um hã?, hum?, é...? e assim por diante.
Passados 2 meses, Rodrigo começou a achar que a TPM de Marília estava indo longe demais. E a crise das torradas terminou em separação.
Um belo dia, tempos depois, Rodrigo aparece no shopping de mãos dadas com uma menina de 19 anos, estudante do segundo ano de arquitetura, loira, turbinada, marquinha de biquini, tudo em cima. Tudo mesmo!
Rodrigo começou a fazer academia, usar roupas de griffe, sair todos os finais de semana, comprou um Kadett tunado, mudou o corte do cabelo e nunca mais comeu o diabo da torrada com doce de figo.
Numa manhã de sábado, após uma noite de sexo selvagem, Rodrigo estava tomando café na cama com suco de laranja, fatias de melão, biscoito e boquete, quando toca o celular. Era Marília aos prantos e pela vez em meses falando uma frase completa:
- Oi Rô...(snif!) olha, hoje eu acordei, (glup!) fiz café com torradas e doce de figo e lembrei de você. Olha, Rô... quando quiser vir aqui pra tomar café comigo, ou sei lá... só pra conversar um pouco, pode vir tá!? Cê sabe o endereço.
Contam na faculdade de arquitetura que ele ainda olhou para o seu reflexo no espelho do teto antes de responder:
- Um dia, quem sabe.

Não existe pior corte no mundo do que a expressão: "um dia, quem sabe". "Um dia, quem sabe" significa nunca mais, esqueça, acabou, não alimente esperanças, desista ou espere sentado.
Quando Rodrigo sentou à mesa pela manhã e não viu as torradas com doce de figo perguntou à Marília:
- Mariiiiiiiii! Você não fez as torradas com figo?
- Não.
- Esqueceu?
- Não.
- Não vai fazer?
- Um dia, quem sabe.
Não disse mais nada.
À noite, já deitados na cama, ele ainda tentou puxar assunto:
- Como foi seu dia?
- Normal.
- Foi ao mercado?
- Hã hã.
- Comprou doce de figo?
- Não.
E no dia seguinte nada de torradas no café da manhã. E no outro dia também, e no outro e no outro.
Qualquer diálogo entre os dois sempre começava e terminava com um hã?, hum?, é...? e assim por diante.
Passados 2 meses, Rodrigo começou a achar que a TPM de Marília estava indo longe demais. E a crise das torradas terminou em separação.
Um belo dia, tempos depois, Rodrigo aparece no shopping de mãos dadas com uma menina de 19 anos, estudante do segundo ano de arquitetura, loira, turbinada, marquinha de biquini, tudo em cima. Tudo mesmo!
Rodrigo começou a fazer academia, usar roupas de griffe, sair todos os finais de semana, comprou um Kadett tunado, mudou o corte do cabelo e nunca mais comeu o diabo da torrada com doce de figo.
Numa manhã de sábado, após uma noite de sexo selvagem, Rodrigo estava tomando café na cama com suco de laranja, fatias de melão, biscoito e boquete, quando toca o celular. Era Marília aos prantos e pela vez em meses falando uma frase completa:
- Oi Rô...(snif!) olha, hoje eu acordei, (glup!) fiz café com torradas e doce de figo e lembrei de você. Olha, Rô... quando quiser vir aqui pra tomar café comigo, ou sei lá... só pra conversar um pouco, pode vir tá!? Cê sabe o endereço.
Contam na faculdade de arquitetura que ele ainda olhou para o seu reflexo no espelho do teto antes de responder:
- Um dia, quem sabe.
quarta-feira, novembro 16, 2005
quinta-feira, novembro 10, 2005
JCB - Nizlopi

Demorou um pouco, mas os caras terminaram o clip em animação. E me diga se isso acontece com você: cada vez que eu leio, ouço e vejo isso, um cisco qualquer insiste em me entrar nos olhos?
Taí a letra...
Well, I'm rumblin' in this JCB.
I'm 5 years old and my dad's a giant sitting beside me.
And the engine rattles my bum like berserk
While we're singin, 'Don't forget your shovel if you want to go to work!'
My dad's probably had a bloody hard day
But he's been good fun and bubblin and jokin' away
And the procession of cars stuck behind
are gettin all impatient and angry, but we dont mind.
An' we're holdin up the bypass,oh
Me and my dad havin a top laugh
oh woah
Sittin on the toolbox, oh
And I'm so glad I'm not in school, boss
So glad I'm not in school
Oh no...
And we pull over to let cars past
And pull off again, speedin by the summer green grass
And we're like giants up here in our big yellow digger
Like zoids, or transformers, or maybe even bigger
And I wanna transform into a Tyrannosaurus Rex!
And eat up all the bullies and the teachers and their pets
And I'll tell all my mates that my dad's B.A. Baracus
Only with a JCB and Bruce Lee's nunchuckas
...
Said I'm Luke, I'm five, and my dad's Bruce Lee. Drives me round in his JCB.
I'm Luke, I'm five, and my dad's Bruce Lee. Drives me round in his JCB.
I'm Luke, I'm five, and my dad's Bruce Lee. Drives me round in his JCB.
I'm Luke, I'm five, and my dad's Bruce Lee. Drives me round
...

Demorou um pouco, mas os caras terminaram o clip em animação. E me diga se isso acontece com você: cada vez que eu leio, ouço e vejo isso, um cisco qualquer insiste em me entrar nos olhos?
Taí a letra...
Well, I'm rumblin' in this JCB.
I'm 5 years old and my dad's a giant sitting beside me.
And the engine rattles my bum like berserk
While we're singin, 'Don't forget your shovel if you want to go to work!'
My dad's probably had a bloody hard day
But he's been good fun and bubblin and jokin' away
And the procession of cars stuck behind
are gettin all impatient and angry, but we dont mind.
An' we're holdin up the bypass,oh
Me and my dad havin a top laugh
oh woah
Sittin on the toolbox, oh
And I'm so glad I'm not in school, boss
So glad I'm not in school
Oh no...
And we pull over to let cars past
And pull off again, speedin by the summer green grass
And we're like giants up here in our big yellow digger
Like zoids, or transformers, or maybe even bigger
And I wanna transform into a Tyrannosaurus Rex!
And eat up all the bullies and the teachers and their pets
And I'll tell all my mates that my dad's B.A. Baracus
Only with a JCB and Bruce Lee's nunchuckas
...
Said I'm Luke, I'm five, and my dad's Bruce Lee. Drives me round in his JCB.
I'm Luke, I'm five, and my dad's Bruce Lee. Drives me round in his JCB.
I'm Luke, I'm five, and my dad's Bruce Lee. Drives me round in his JCB.
I'm Luke, I'm five, and my dad's Bruce Lee. Drives me round
...
quarta-feira, novembro 09, 2005
2006 É Rock!!!

Brazilian Tour: Stones em janeiro, U2 em fevereiro e Oasis em março. Chegou a vez dos velhinhos.

Brazilian Tour: Stones em janeiro, U2 em fevereiro e Oasis em março. Chegou a vez dos velhinhos.
(In)Utilidade Pública
No tempo do epa já existiam campanhas de utilidade pública na TV, mas curiosamente elas não versavam sobre AIDS ou combate à fome. Os temas eram bem mais interessantes, ensinando o povo a assoar corretamente o nariz ("Cough And Sneezes"), desinfetar os lenços ("Don't Spread Germs"), economizar energia ("Watch Yours Meters") ou atravessar a rua ("Pedestrian Crossing"). Parece piada, mas é quente. Estes e outros vídeos de domínio público das décadas de 40 e 50 estão disponíveis no site do Arquivo Nacional Britânico.
No tempo do epa já existiam campanhas de utilidade pública na TV, mas curiosamente elas não versavam sobre AIDS ou combate à fome. Os temas eram bem mais interessantes, ensinando o povo a assoar corretamente o nariz ("Cough And Sneezes"), desinfetar os lenços ("Don't Spread Germs"), economizar energia ("Watch Yours Meters") ou atravessar a rua ("Pedestrian Crossing"). Parece piada, mas é quente. Estes e outros vídeos de domínio público das décadas de 40 e 50 estão disponíveis no site do Arquivo Nacional Britânico.
terça-feira, novembro 08, 2005
sexta-feira, outubro 28, 2005
quinta-feira, outubro 27, 2005
quarta-feira, outubro 26, 2005
terça-feira, outubro 25, 2005
Roque na Rede

O que leva uma pessoa a entrar no Trama Virtual e ficar ouvindo absolutamente todos os artistas paranaenses que estão lá? Também não sei porque fiz isso mas fiz, 884 no total. Talvez eu tivesse a esperança de descobrir algum novo som, um novo ritmo, uma nova banda que me inspirasse a dirigir cantando, ou um refrão que tomasse banho comigo. Claro que não encontrei, mas vou dizer que tem muita gente boa por aí. É verdade, muito futuro... Pois é. Então...
Pronto, não vou mais passar por chato e agora vamos ao que interessa. Tenho pena dos jurados de festivais de bandas novas. Do fundo do meu coração. 85% delas são de Hardcore, Emocore, Cocoricore, Seidecore, Lapisdecore e por aí vai.
E o pessoal do HC é o campeão da pasmaceira, se eles fugiram da escola para montar uma banda deveriam voltar correndo, porque lá ainda podem fazer alguma coisa de útil. "Insaio", "som casêro" para falar apenas dos releases, nem quero comentar as letras.
Ok! Ok! Antes que me joguem os tomates, eu sei que rock'n'roll é isso mesmo, que são apenas três acordes e blá. Mas rock'n'roll sem atitude é chato. E mal arranjado e mal produzido é mais chato ainda.
Outra constatação interessante: as melhores produções são do pessoal do Hip Hop. Engraçado, pois segundo eles mesmos: "a gente mora na favela", "a gente é discriminado", "a gente somos pobre, mais é feliz", e as produções são quase (eu disse quase) impecáveis. Bem acabadinhas, caprichadas no arranjo e sampleadas direitinho. Existem bons estúdios na favela.
Não gosto de Hip Hop, mas quero dizer que em matéria de atitude e empenho, principalmente, eles dão de 10 x 0 na molecada do HC.
Falando em produção, queria dizer uma coisa aos papais, mamães e titios: falem sempre que seus filhos ou sobrinhos têm talento e futuro. Eles acreditam! Vão pegar um violão de braço empenado, um K7 e vão gravar a música que fizeram para a ruivinha sem nome da 8a B. Isso é o que tem de melhor e mais divertido no Trama Virtual, juro. E olha que não são poucos.
Talvez eu nunca encontre os novos Beatles nesse site, mas ali é um ótimo lugar para definir tendências e entender o que pode vir por aí.
Aliás, preparem-se.
P.S.: Só peguei bandas do Paraná porque moro aqui, ué. Mas se você procurar pelas bandas mais ouvidas e as que estão em destaque na home, vai encontrar muita coisa legal, ou não.
P.P.S.: Fiz uma seleção com os melhores links e vou postando com o tempo.

O que leva uma pessoa a entrar no Trama Virtual e ficar ouvindo absolutamente todos os artistas paranaenses que estão lá? Também não sei porque fiz isso mas fiz, 884 no total. Talvez eu tivesse a esperança de descobrir algum novo som, um novo ritmo, uma nova banda que me inspirasse a dirigir cantando, ou um refrão que tomasse banho comigo. Claro que não encontrei, mas vou dizer que tem muita gente boa por aí. É verdade, muito futuro... Pois é. Então...
Pronto, não vou mais passar por chato e agora vamos ao que interessa. Tenho pena dos jurados de festivais de bandas novas. Do fundo do meu coração. 85% delas são de Hardcore, Emocore, Cocoricore, Seidecore, Lapisdecore e por aí vai.
E o pessoal do HC é o campeão da pasmaceira, se eles fugiram da escola para montar uma banda deveriam voltar correndo, porque lá ainda podem fazer alguma coisa de útil. "Insaio", "som casêro" para falar apenas dos releases, nem quero comentar as letras.
Ok! Ok! Antes que me joguem os tomates, eu sei que rock'n'roll é isso mesmo, que são apenas três acordes e blá. Mas rock'n'roll sem atitude é chato. E mal arranjado e mal produzido é mais chato ainda.
Outra constatação interessante: as melhores produções são do pessoal do Hip Hop. Engraçado, pois segundo eles mesmos: "a gente mora na favela", "a gente é discriminado", "a gente somos pobre, mais é feliz", e as produções são quase (eu disse quase) impecáveis. Bem acabadinhas, caprichadas no arranjo e sampleadas direitinho. Existem bons estúdios na favela.
Não gosto de Hip Hop, mas quero dizer que em matéria de atitude e empenho, principalmente, eles dão de 10 x 0 na molecada do HC.
Falando em produção, queria dizer uma coisa aos papais, mamães e titios: falem sempre que seus filhos ou sobrinhos têm talento e futuro. Eles acreditam! Vão pegar um violão de braço empenado, um K7 e vão gravar a música que fizeram para a ruivinha sem nome da 8a B. Isso é o que tem de melhor e mais divertido no Trama Virtual, juro. E olha que não são poucos.
Talvez eu nunca encontre os novos Beatles nesse site, mas ali é um ótimo lugar para definir tendências e entender o que pode vir por aí.
Aliás, preparem-se.
P.S.: Só peguei bandas do Paraná porque moro aqui, ué. Mas se você procurar pelas bandas mais ouvidas e as que estão em destaque na home, vai encontrar muita coisa legal, ou não.
P.P.S.: Fiz uma seleção com os melhores links e vou postando com o tempo.
quinta-feira, outubro 20, 2005
Completo?
A Ford foi convidada pelo CONAR a tirar do ar o comercial do Fiesta. Por quê? Porque eles tiveram a audácia de usar a palavra "completo" para definir o carro. Sem entrar no mérito se o carro é completo ou não, quem pediu a retirada do comercial do ar foi um sujeito chamado Alexandre Gama. Por quê? Porque a agência dele havia criado o brilhante conceito "Completo" para o Bradesco. E se o Bradesco é completo, ninguém mais pode ser completo, entende? O tal do Gama deve achar que palavra agora tem direitos autorais.
Se for assim, tem que tirar do ar no mínimo o frentista (completa, doutor?), as barraquinhas de cachorro quente (sem vinagrete ou completo?) e as madames que topam entregar o fiofó (ah, completo é mais caro).
A Ford foi convidada pelo CONAR a tirar do ar o comercial do Fiesta. Por quê? Porque eles tiveram a audácia de usar a palavra "completo" para definir o carro. Sem entrar no mérito se o carro é completo ou não, quem pediu a retirada do comercial do ar foi um sujeito chamado Alexandre Gama. Por quê? Porque a agência dele havia criado o brilhante conceito "Completo" para o Bradesco. E se o Bradesco é completo, ninguém mais pode ser completo, entende? O tal do Gama deve achar que palavra agora tem direitos autorais.
Se for assim, tem que tirar do ar no mínimo o frentista (completa, doutor?), as barraquinhas de cachorro quente (sem vinagrete ou completo?) e as madames que topam entregar o fiofó (ah, completo é mais caro).
Caro Cláudio,
Não me lembro do dia em que te conheci. Como um irmão ou um pai que a gente não tem consciência de quando eles aparecem na vida da gente, você estava sempre lá, em todos os lugares das minhas mais longínquas lembranças.
A verdade é que você foi a criança mais chata que conheci, eu confesso. Mas tudo bem seu Cláudio, afinal nenhuma brincadeira teria graça se não existisse alguém para fazer o índio, ou o bandido, alguém precisava ter um Playmobil do mal ou o Torak. Nenhuma partida de futebol tem graça sem um cabeça-de-área truculento, fominha e brigão. Você adorava vestir a capa preta, adorava fazer esse papel. Por que você era tão diferente de todo mundo?
"Orra, meu!" Vai lá, Cláudio. Não vamos brigar por isso, não dessa vez.
Sabe uma das coisas que mais me irritava em você? Esse cabelo, juro. Digno dos apelidos mais estranhos que já deram a uma pessoa: Chacrinha!? Bozo!? Isso não é um apelido, é um insulto (Oh! Lôco, meu! Eu não agüentava!). Mas o mais irritante disso tudo, foi ver você chagando lá em casa, careca, depois do resultado do vestibular. Arrancar aquela coisa era um direito meu, entende? Tudo bem que não melhorou a aparência, mas tinha quem gostava. Vai entender, né Luciane? Aliás, a senhora tentou roubar o Cláudio de mim quando ele tinha apenas 17 anos. Mas eu venci: fui padrinho do casamento e ainda emprestei meus pais para serem avós da sua filhinha. Diga-se de passagem, uma versão bem melhorada do Cláudio quando tinha a mesma idade.
Das peixadas eu lembro você roubando no truco, com aquele sorriso irônico de canto de boca, sabendo que todo mundo sabia que você estava com metade do baralho embaixo das pernas. Isso era irritante demais, a menos, é claro, que eu fosse a sua dupla.
A paixão por futebol principalmente pelo Inter, excedia os limites da minha paciência. Parecia um disco riscado. Falando em disco, acho melhor nem comentar você com aqueles vinis do Nazareth embaixo do braço. Até para música você era irritante.
O engraçado é que esses dias eu descobri mais uma coisa que me irrita em você, Cláudio: saber que a partir de hoje até o fim da minha vida, você não vai mais fazer parte das minhas lembranças. Tudo bem, seu chato, eu sigo por aqui. Mas quero que você saiba que os 30 primeiros anos, desde o dia que não me lembro que te conheci até hoje, valeram a pena. Ou como você diria: "Pucarana, meu! Que legal!"
Bom, dito isso, vou terminando por aqui. Tenho muito a fazer ainda e sei que você quer descansar um pouco. Mande um abraço para o pessoal daí, a lista é grande e você conhece todos. Prometo dar uma passada em sua casa de vez em quando para ver se está tudo bem. Prometo também tomar umas com o pessoal para rir dessas histórias.
Mande lembranças, sempre.
Um forte abraço,
André
Não me lembro do dia em que te conheci. Como um irmão ou um pai que a gente não tem consciência de quando eles aparecem na vida da gente, você estava sempre lá, em todos os lugares das minhas mais longínquas lembranças.
A verdade é que você foi a criança mais chata que conheci, eu confesso. Mas tudo bem seu Cláudio, afinal nenhuma brincadeira teria graça se não existisse alguém para fazer o índio, ou o bandido, alguém precisava ter um Playmobil do mal ou o Torak. Nenhuma partida de futebol tem graça sem um cabeça-de-área truculento, fominha e brigão. Você adorava vestir a capa preta, adorava fazer esse papel. Por que você era tão diferente de todo mundo?
"Orra, meu!" Vai lá, Cláudio. Não vamos brigar por isso, não dessa vez.
Sabe uma das coisas que mais me irritava em você? Esse cabelo, juro. Digno dos apelidos mais estranhos que já deram a uma pessoa: Chacrinha!? Bozo!? Isso não é um apelido, é um insulto (Oh! Lôco, meu! Eu não agüentava!). Mas o mais irritante disso tudo, foi ver você chagando lá em casa, careca, depois do resultado do vestibular. Arrancar aquela coisa era um direito meu, entende? Tudo bem que não melhorou a aparência, mas tinha quem gostava. Vai entender, né Luciane? Aliás, a senhora tentou roubar o Cláudio de mim quando ele tinha apenas 17 anos. Mas eu venci: fui padrinho do casamento e ainda emprestei meus pais para serem avós da sua filhinha. Diga-se de passagem, uma versão bem melhorada do Cláudio quando tinha a mesma idade.
Das peixadas eu lembro você roubando no truco, com aquele sorriso irônico de canto de boca, sabendo que todo mundo sabia que você estava com metade do baralho embaixo das pernas. Isso era irritante demais, a menos, é claro, que eu fosse a sua dupla.
A paixão por futebol principalmente pelo Inter, excedia os limites da minha paciência. Parecia um disco riscado. Falando em disco, acho melhor nem comentar você com aqueles vinis do Nazareth embaixo do braço. Até para música você era irritante.
O engraçado é que esses dias eu descobri mais uma coisa que me irrita em você, Cláudio: saber que a partir de hoje até o fim da minha vida, você não vai mais fazer parte das minhas lembranças. Tudo bem, seu chato, eu sigo por aqui. Mas quero que você saiba que os 30 primeiros anos, desde o dia que não me lembro que te conheci até hoje, valeram a pena. Ou como você diria: "Pucarana, meu! Que legal!"
Bom, dito isso, vou terminando por aqui. Tenho muito a fazer ainda e sei que você quer descansar um pouco. Mande um abraço para o pessoal daí, a lista é grande e você conhece todos. Prometo dar uma passada em sua casa de vez em quando para ver se está tudo bem. Prometo também tomar umas com o pessoal para rir dessas histórias.
Mande lembranças, sempre.
Um forte abraço,
André
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