sexta-feira, outubro 06, 2006

Melhor Assim?



Quantas frases joguei fora hoje? Tantas que perdi a conta. Ou menos, já que não contei pra saber. Mas eram várias. Algumas até começavam bem, mas não sustentavam outras para que juntas se fizessem textos ou ao menos parágrafos. Ou um, que fosse. E foi. Foi-se embora no limbo afora. Agora, as frases que jogamos fora não mais agonizam amassadas numa lixeira. Lixeira que estava sempre mal-colocada quando queríamos três pontos. Não marcamos mais três pontos com o que vilipendiamos. Simplesmente deletamos e pronto. Mas que pronto, se nada se apronta? Ficamos com o mesmo vazio. E nem ao menos temos a medida de nosso esforço inútil escancarada numa pilha de papel amassado.
E ainda dizem que estamos melhor assim.

quinta-feira, outubro 05, 2006

Quem sempre quis ver o Bush morto não pode deixar de ver este filme.

sexta-feira, setembro 29, 2006

Vote Brazil



Definitivamente, eu não consigo botar fé em candidato cujo adesivo eu vejo colado em carro importado. Diz, o problema são eles ou sou eu?

No mais, eis a minha dica para votar no domingo.

E boa eleição. ; )

quinta-feira, setembro 28, 2006

Cachorrada



Cachorro de apê me dá dó. Animal de corpo inteiro, mas alma capada. Para mim, bicho atrofiado. Não mais cão de guarda, caça, pesca, nada. Só bibelô, brinquedo à energia solar. Coisa de gente. Gente, ser humano me dá nojo, sabe? Não evolui nunca e ainda fode todas as outras espécies do lugar. Sempre. Tomara que só as baratas mesmo resistam ao hecatombe. Debaixo da terra, no meio da merda, eu vou gostar.
Lapso



Olhe, veje só: eu estávamos pensando que precisei contar uma história de pequena muita, mas eu se lembro que talvez não seremos fácils de lembrança esta. O fato é que nós pensava, pensava e já iu da cabeça, mas a gente coça e ainda quero se lembrar-me eu mesmo. Que é, então? Então. Eu era junto e de repentemente se viu só de tanto que falou de grátis e sem custódia nenhuns. É o preço que a gente pagarei por fechar-me a visão. Ah, a visão, que coiso sem igual, não será? É umas penas que a lágrima salga, das vezes, somente das vezes, o que era doce e se acabou-se.
E digarei mais. Basta um tempo ligeiro para que agora estamos eu aqui com este meu amigo ninguém que me bastará ontem, não que eu queira se gavar. É pura e simples mente insana que girava e rodopiava sem nunca saberei de nada além de tudo. Me falta faz a razão que me falta, mas eu ser só a metade emoção boba que não consigo andar reto, por isso eu se perdo. É, sim. É assim.
Fim.

terça-feira, setembro 26, 2006

Avalanche



Eu me vejo lá de cima, fora do corpo, e sou só um pontinho na neve. Um bip fraco me traz de volta. O relógio congela por baixo da manga de Gore-Tex, avisando que certas coisas têm data e hora inexatas. A falta de ar dá enjoo, seguro o vômito, levanto o queixo, respiro, aperto os olhos tentando lembrar de alguma coisa, qualquer coisa, do gosto de sangue, do primeiro grito de gol, daquela menina no ônibus. Nada. Com o jogo já perdido, puxo uma gavetinha do fundo da consciência e dali sai a visão do impacto. A avalanche vai me pegar de frente, distraído, olhando o sol. Só dá tempo de girar os olhos sessenta graus à esquerda.
Câmera lenta.
Silêncio.
A parede gigante vem crescendo, sussurrando consigo mesma, tranqüila e impassível como Bruce Lee. Um batuque de candomblé martela nos ouvidos, desliza pelo canal auditivo e tamborila no coração, que bate com violência, mas sem ritmo. Eu quero sentir medo, só que o medo não vem, acho até que ensaio um suspiro, como os suicidas durante o salto ou os elefantes quando pressentem o tiro.
De repente, o mundo fica branco. Depois vermelho. Depois verde. O corpo não se desloca, mas a terra sai do eixo. Então as lembranças explodem: cheiro de pão caseiro, Merthiolate na ferida, bicicleta com vento no rosto, apito de panela de pressão, tapa na mão, soluço engasgado, saudade, muita saudade, saudade doída, daquelas quando a gente é criança demais e não sabe o motivo, só sente.
Foi num piscar de olhos, tempo suficiente para uma seqüência de tapas na cara. Bem feito para mim, tomara que ninguém me encontre, nunca mais, nem as melhores equipes de resgate da Sessão da Tarde. Virei picolé azedo, piada sem graça.
Morri de tristeza, ali, no branco dos teus olhos.

segunda-feira, setembro 25, 2006

Será?



Será que as pessoas acham que as mensagens pps que elas repassam com lições de vida do Bill Gates, do Lincoln ou do Freddie Mercury vão mudar as suas vidas medíocres - ou a minha?
Será que as pessoas pensam que o que outros pensaram é o suficiente para eximi-las de pensar?
Será que as pessoas realmente se emocionam com fotos de flores e de sorrisos de criança tão mal e porcamente concatenados e ainda por cima embalados por uma musiquinha irritante, quando deveriam estar se emocionando com flores de verdade ou com os sorrisos sinceros de seus filhos, netos, irmãos, cônjuges ou outros entes queridos?
Será que as pessoas pensam que eu, que professo a minha fé de maneira absurdamente particular, vou me incomodar com o castigo divino de não repassar um e-mail qualquer que me fale de Deus, Buda, Jesus ou Plutão - que mesmo entrando para a segunda divisão do nosso Sistema Solar ainda é deus olímpico pra algum romano do tempo do epa?
Será que as pessoas acham que o meu voto vai mudar só porque alguém escreveu que o candidato X é tudo aquilo que eu já sei e que a Globo é do mal e que está provado que o candidato Y está na frente e que as pesquisas mentem e que você não sabe o que eu estou passando, quando o meu voto, ainda que inútil, é secreto e eu mesmo o fabrico com um pouco de discernimento e mais um tanto de informações não-confiáveis de meios um pouco mais confiáveis do que estes e-mails escritos por quem não sabe escrever?
Será que as pessoas pensam que eu estou assim tão preocupado com o meu orkut pra acreditar que a Folha e o Estadão noticiaram que se eu não repassar esse e-mail pra vinte e três pessoas e meia vou ser deletado da vida no nada e ainda por cima ficarei sem saber quem entra ou sai do meu perfil mesmo que este alguém esteja invisível ou algo estapafúrdio assim?
Será que as pessoas não poderiam simplesmente repassar e-mails de mulher pelada e pronto?

quinta-feira, setembro 21, 2006

Encontrado o bebê mais velho do mundo


Kindengarten Baby Jr foi encontrado ontem ao Norte da Etiópia. Ele estava meio morto depois de passar os últimos 3,3 milhões de anos entre pedregulhos e sedimentos fossilizados no leito de um rio seco. Ele foi parar lá provavelmente devido a uma forte enxurrada nos tempos em que o homem era mais parecido com um chimpanzé (se bem que o Bush é mais parecido com um chimpanzé do que a própria Chita, então isso não quer dizer muita coisa). Apesar de meio esquelético, Baby Jr está em ótima forma.
Seja Alguém, Vote Em Ninguém



Você percebe que está ficando velho quando lembra que já viu uma Plebe Rude um pouco diferente tocando esta mesma música em um programa chamado Perdidos Na Noite, comandado por um Fausto Silva também um pouco diferente, ou muito.

Quem viu? Eu não. Nunca. E se mais alguém que também nunca viu quiser ver, hoje os caras tocam no Jokers, lançando disco novo e tudo.

quarta-feira, setembro 20, 2006

Entendendo o fanatismo religioso
Entrevista com Islamabah Ali Islamabah

- Você se considera violento?
- Não.
- Você respeita o Papa?
- O antigo sim, que está morto.
- Você ficou chateado com o que o Papa disse?
- É bom ele andar olhando para trás.
- Como assim? Tipo o Michael Jackson?
- Estás zombando da minha cara, infiel?
- De modo algum. Ehr? você cometeria algum ato radical?
- Radical é deixar viver quem ironiza minha fé.
- Dizem que o Papa é pop. E Maomé o que é?

(câmera mostra Islamabah cortando a língua do repórter e acionando uma granada, que explode antes da resposta).

sexta-feira, setembro 15, 2006

"Da Lama Ao Caos, Do Caos À Lama"
ou
"blá blá blá blá" - em 3 movimentos.




Terceiro movimento - Serra gaúcha

Sendo tri direto: vá à serra gaúcha de carro, dirija 8 horas de Curitiba até Caxias do Sul, saia cedo, entre na serra ainda de dia, fique bobo com a paisagem, estique até Gramado. Ainda: vá no inverno, passe um frio do caralho, veja o Festival de Cinema (Agosto), chame o Antônio Fagundes de caminhoneiro e passe na lojinha de cinema do Gio. Tem camiseta, caneco, cadeira de diretor, etc. Vá na Rua Coberta, passe mais frio, pague caro por um cappuccino, compre vinho barato, fique bêbado e xingue o Fagundes de novo. Durma pouco, faça tudo de novo e dessa vez xingue a Regina Duarte. Queime a língua no chimarrão e volte pra casa com um monte de coisinhas de lã que você nunca mais vai usar. Bah, chega.

quinta-feira, setembro 14, 2006



Vai, escreve você sobre essa imagem, uma versão, uma teoria, uma visão. Eu ainda não consegui.

quarta-feira, setembro 13, 2006

Vera Ficha



Ela desceu do opalão marrom em pleno calçadão de Copacabana, fim de tarde, uma luz dourada refletida nos imensos óculos de sol by Zuzu Angel. Bom, era a Vera Fischer que eu lembrava das sessões do Cine Brasil: maquiagem pesada, cabelão oxigenado, tesudona, pouca roupa e cara de vadia. Foi andando, olhando para os lados, sorrisinho de quem vai fazer putaria. Vai, Vera, vai que eu tô ligado. Foi aos pulinhos para debaixo de uma árvore só para me encontrar. Eu, no caso, era bigodudo e usava calça de tergal boca-de-sino, tipo modelo da US Top de 1977. Ah, vai ser ali mesmo, eu conheço a Vera. Ela me pega pela gola da camisa, chega no ouvido e diz: Upa-lá-lá.
Upa-lá-lá? Upa-lá-lá, Vera Fischer? Puta que pariu! Faz vinte e cinco anos que eu não sonho com você e, quando me vem essa iluminação, você solta uma dessas? Fodeu, espalhou no meu sonho um cheiro de Domingo no Parque, de Bozo, sei lá. Upa-lá-lá o caralho. Vou te contar, viu? Vou é sonhar com a Maitê Proença, chupando pirulitinho, minissaia mostrando o rabo e tal.
Fazer o quê? Eu gosto de mulher mais nova.

terça-feira, setembro 12, 2006

Caçado



Logo à frente a estrada descrevia um "Z" serifado, com curvas de 90 graus que só mesmo o carro do Automan para conseguir vencer a mais de 60 quilômetros por hora. Seguiu mais devagar, já que não possuía nenhum veículo repleto de néons azulados desenhados por um cursor de computador. Mas não tão devagar assim, pois sabia que estavam nos seus calcanhares, que mesmo não sendo os de Aquiles, revelavam-se frágeis, aliás como todo o resto de seu corpo. Ouviu um baque surdo no topo da serra, e riu da definição do som, pois se o baque era surdo, coitado, não conseguia nem ouvir a si mesmo. Outro baque, bem mais perto, e então a visão do inferno se descortinou à sua frente, com um carro em chamas passando a centímetros do seu para depois continuar rolando desfiladeiro abaixo. Provavelmente aceleraram demais na serifa do "Z". Devem ter explodido no primeiro baque, como todo bom carro de filme americano. Mas aquilo não era filme. E se houvesse final feliz, ainda estava longe. Outros carros se seguiriam aquele. Talvez até mesmo um helicóptero. A razão de tal assédio? Não sei ainda. Talvez num próximo post.
Mini Geschichte



Eu conheço uma mulher chamada Lüge. Por uma deficiência de nascença, ela tem os membros inferiores proporcionalmente menores do que a média natural do ser humano. Chamam a pequena de Alemãzinha, olha só, que dó.

Ok, eu não conheço uma mulher assim não. Vocês descobriram, eu confesso. É mentira. Tem perna curta, né? A mentira, no caso, não a Lüge. Pegou, hein, hein?

Ah, esquece. Foi ruim.

quarta-feira, setembro 06, 2006


Era um dia frio e chuvoso quando saí de casa. Mas frio mesmo, daqueles em que sai fumacinha até de café morno. E chuvoso mesmo, daquela chuva que chove e molha até quem está dentro de casa. Mas eu já tinha tomado o meu café e já estava lá fora. Saí de japona e gorro de lã, coberto por um sobretudo impermeável, de um cinza quase esverdeado, que o meu pai me havia emprestado alguns anos antes. Eram 8 da manhã e eu estava sozinho na rua, esperando o ônibus amarelo surgir em meio à densa cortina de gotículas e gotonas que despencavam do céu. Foi quando vi passando um boi boiando rua abaixo. A rua era um rio e os sinais piscavam suas luzes laranjas. Ouvia ao longe um soar abafado de buzinas, que pareciam soltar bolhas de ar enquanto gritavam. As luzes dos postes piscavam e eu já não mais sabia se era porque as nuvens deixavam o dia escuro ou se água já interferia nos circuitos. Um poraquê cor-de-lama se enroscou em minhas pernas e ameaçou me dar um choque. Queria pipocas. Eu, claro, não tinha pipocas, mas ofereci um babalu morango no lugar. Ele queria pipocas e foi embora meio puto, mas sem me dar o choque. O ônibus apareceu. Era uma gôndola amarela, com um esquimó vesgo ao volante. Um urso polar de aqualung fazia as vezes de cobrador. A catraca estava quebrada e ele não tinha troco para dez. Desci. Voltei para casa. Liguei o aquecedor e me enfiei debaixo das cobertas. Ao fundo ainda ouvia as buzinas insistentes. Dei um tapa no despertador e dormi.

sábado, setembro 02, 2006

Álbum de Família









Já era tarde quando ela chegou.
Mesmo assim ele pediu alguns minutinhos antes de sair, era jogo rápido, precisava pegar uma coisinha no quarto.
Apesar de ocupadíssima, ela aceitou, vai lá, eu também cheguei atrasada e não posso dizer nada.
Ele passou correndo pela família inteira que estava conversando na sala, subiu as escadas como um raio e foi direto na terceira gaveta do armário. Papéis, papéis...Ah! A caixa de sapatos. Abriu. Elásticos grossos seguravam blocos de fotos antigas. Essa não, essa não. Nossa! Como minha mãe era bonita quando eu nasci. Se eu fosse meu pai eu pegava mesmo, aquele filho da puta. Mas não é essa. Não. Não. Também não. Porra! Como eu ficava engraçado com esse uniforme do colégio. Não, não e não. Carlinha... hum...Cadê, porra, cadê? Marcinha!? Não lembrava dessa! Cadê? Hahahahahaha. Que cabelo ridículo! O que eu tinha na cabeça? Onde foi que eu coloquei? Onde você foi parar? Não. Não. Não. Não. Não. Oh! Bia!...Linda! (beijo)... mas não é você, meu amor. Nem vocês, meus filhos mais lindos do mundo (beijo, beijo). Turma do futebol, não. Turma do pôker, não. Turma da faculdade muito menos. Arrrrrá! Aqui está!
Dobrou a foto, colocou no bolso e saiu nas pontas dos pés para não acordar quem dormia no quarto. A morte o esperava no portão.

E foi assim que Procópio partiu para a eternidade, levando consigo tudo o que realmente importava: uma foto dele abraçadinho com o Pluto, lá na Disney.

sexta-feira, setembro 01, 2006

Manual do Parasitismo - Dicas para fazer um campeão de votos


Se o seu candidato já é um parasita, ele deve dizer:
1. "Ajude-me a continuar trabalhando pelo nosso estado, pela nossa gente."
2. "Quero continuar sendo o seu representante na Câmara."
3. "No primeiro mandato eu entendi como fazer, agora prometo realizar."
4. "Peço mais um voto de confiança para continuar batalhando por você."
5. "20 anos é pouco. Ajude-me a finalizar minha casinha na Suíça."

Se o seu candidato ainda não é um parasita, mas quer ser, ele deve dizer:
1. "Não sou político, vote em mim."
2. "Vou manter o que presta e mudar o que está errado."
3. "Chega de corrupção e mensalão, vote no (nome do candidato)."
4. "Quero limpar a política e honrar o seu voto."
5. "Cansei de trabalhar honestamente. Ajude-me a virar um político."

quarta-feira, agosto 30, 2006

Questã



O adjetivo "fálico" tem contraparte feminina? E qual seria? "Bucetálico"?

terça-feira, agosto 29, 2006

Bran



Bran não gostava do seu nome. Até aí tudo bem, que o nome era lá meio estranho mesmo. Mas Bran não gostava de nenhum nome. Senão já teria trocado, dizia. Até que um dia, no fim de mundo em que vivia, um jornal chegou-lhe às mãos, voando com o vento. Ventão, pra ser mais exato. E naquelas páginas, ele achou o nome de sua vida: Charlie Brown Jr. Ou menos, já que Charlie era meio viado demais e Jr. era meio abreviado demais. Ficou com Brown. E dali pra frente, era só por Brown que ele atenderia.

Qual não foi a surpresa de Brown quando algum entendido metido a metido lhe disse que Brown era marrom em língua de gringo. Marrom da cor do cocô, falou alguém lá no fundo do bar. Alguém que Brown, agora quase Bran de volta, não conseguiu identificar pra quebrar de porrada. E decidiu de pronto voltar a ser Bran, no que o entendido metido a metido concordou com afinco, permitindo-se ainda um pensamento bobinho: ainda bem que o jornal não falava do Pink Floyd.