sexta-feira, dezembro 01, 2006

SuperYouTube



Este post começou com um e-mail do meditabundo Kornellius (quem?). Ele lembrou que num passado remoto eu tinha comentado sobre o seriado japonês do Homem-Aranha - é isso mesmo, seriado japonês do Homem-Aranha. No mesmo e-mail veio o link pra abertura do tal seriado. Em retribuição (inútil), enviei o link pra versão live-action (e muito tosca) dos Thundescats. E então, no meio de tais tosquices, eu comecei a pensar em outras tantas que povoaram o nosso imaginário infanto-juvenil. Não vou nem falar do Batman e da gostosa da Batgirl (que teve até um episódio piloto - cancelado antes de virar seriado próprio), ou da sensacional redublagem conhecida como a Feira da Fruta. Preferi pinçar coisas um pouco mais esquecidas, como o seriado (americano) do Homem-Aranha ou aquele do Shazam e da Ísis. Já o seriado da Mulher-Maravilha era famoso, mas será que você sabia que antes da Linda Carter havia outra Mulher-Maravilha, só que loira? E o que dizer do seriado do Capitão América motoqueiro? Pior ainda é descobrir que o Hulk, já em fim de carreira, enfrentou o (Não-Tão) Poderoso Thor (ou seria Thoscor?). E alguém aqui é capaz de lembrar que, bem antes de Smallville, as aventuras do SuperBoy eram assim (com direito inclusive ao vilão Bizarro)? Mais recente (e mesmo assim bem ruim) foi o seriado do Flash. E há pouco cancelaram, antes mesmo de ir por ar, o seriado do Aquaman. Ok, tudo isso é mais ou menos conhecido. Mas existem obscuridades maiores, como esta Liga da Justiça, este SuperPup, esta Geração X (qualquer relação com os X-Men é mera relação) e as inacreditáveis Electra Woman and DynaGirl. Chega de coisa ruim? Não? Então o que dizer do Quarteto Fantástico? Sim, antes do blockbuster hollywoodiano, o diretor-produtor-faz-de-tudo-um-pouco Roger Corman conseguiu os direitos pra produzir esta bomba que nunca foi lançada. Falando em bomba, lembra que tempos atrás conseguiram fazer um filme do He-Man pior ainda que o desenho? Vida um pouco melhor os heróis tiveram em comerciais, seja usando cartão de crédito (Visa ou American Express?) ou bebendo leite. As paródias, é claro, vão desde um Wasssup dos SuperAmigos até o divertido trecho da série Family Guy com o Superman e a Mulher-Maravilha. Mas nada no mundo supera os Trapalhões posando de super-heróis.

quinta-feira, novembro 30, 2006



Garota do Fogo

Pego a sombra e a luz e faço você. Determino tua simetria com a ponta dos dedos, num desenho simples, infantil e sincero, como as coisas simples, infantis e sinceras têm de ser. Boto fogo nos teus cabelos. O vermelho me atrai. Respiro fumaça e te beijo na boca. Nessa hora o mundo gira ao contrário, o ardido não dói, a xícara descai, as palavras se desescrevem, desescrev, desesc. Concentre-se na vertigem e suspire. Agora você consegue sentir o bem e o mal, o certo e o errado, doce e salgado, riso e choro. Tua pele é folha em branco onde meu calor te escreve com grão de ardósia, tabaco, pimenta e perfume.
Eu posso ler tudo em você, exatamente na altura do teu colo. Tateio feito cego em braile e descubro Baudelaire em todos os teus poros. Tua cor de neve incendeia meu sofá, bagunça minhas gavetas, acorda meus vizinhos. Este é o momento, esta é a hora em que as horas não têm mais sentido, mas nós temos. E usamos o sexto para subverter, pilhar, massacrar, porque a vida é uma só, o sapato aperta e o padeiro não tem troco. É preciso correr na grama e perder o fôlego, enfim. No fim, eu seguro tua mão e está tudo bem. E você agradece.
Ei, obrigada.
Ei, de nada.

quarta-feira, novembro 29, 2006

Olhos Além do Vazio



O vazio, o oco, o nada era dotado de olhos. Olhos que olhavam para além dali. E num olhar avançavam fugindo da opressão daquele zero feito vida. Mas eram só olhos. Nenhuma perna para escapar. Nenhuma mão para puxar o corpo. Nenhum corpo para deixar o oco. Apenas olhos que viam o que havia além dali. E havia tudo. E tudo era tanto para aqueles olhos. E mesmo no vazio, de quando em quando os olhos se viam cheios. De lágrimas.

segunda-feira, novembro 27, 2006



Mensagem do Kramer:
"Nego Lee, parabéns pelo teu aniversário. Como você viu três posts abaixo, gosto muito da tua raça. Sucesso."

sexta-feira, novembro 24, 2006

Pergunta da semana

Por que você deve ser mantido no emprego?

quinta-feira, novembro 23, 2006


De vez em quando eu entendo por que certas pessoas entram em escritórios ou salas de aulas nos EUA atirando em todo mundo. Não é fácil agüentar a imbecilidade de alguns americanos. Os carinhas do colégio, como aqueles de Columbine, por exemplo, além de terem um parafuso a menos, com certeza eram zoados de todas as formas por seus coleguinhas mais ricos, mais bonitos, mais garanhões ou mais bacanas no esporte, o que é a mesma coisa. Não que isso não aconteça por aqui. Acontece. Mas é que lá, não sei, deve ter algum hormônio estranho nos hambúrgueres ou nos milk shakes, ou algum vírus hereditário, que torna as pessoas mais inseguras e que potencializa o rancor, o ódio, a sede de vingança. E como lá se compram armas como se compram sanduíches do McDonalds, o resultado é uma sociedade cada vez mais paranóica. Uma sociedade que perdeu completamente a referência de valores e permite, por exemplo, que a TV passe filmes de violência explícita na sessão da tarde e, na mesma TV, proíbe que apareçam singelos seios de mulher. Quando mostram ao vivo um cara cortando o braço de outro, isso é legal. Quando numa transmissão ao vivo, um dos peitos da Janet Jackson saltou para fora do vestido, virou caso de segurança pública, tanques nas ruas, toque de recolher, presidente se explicando na TV e o escambal.
E, em vez de melhorar, a coisa toda só piora. Já tinham processado um piá de 4 anos por assédio sexual. E olha que tudo que ele fez foi beijar a coleguinha no rosto.
Tempos atrás, alguns estados dos EUA (Esquizofrênicos Unidos da América) proibiram que mães amamentassem seus filhos em locais públicos. Para os imbecis que aprovaram a tal lei, amamentar um filho deve ser uma visão do inferno. Tem que mandar prender esses caras. Tem que, no mínimo, interná-los em clínicas psiquiátricas e ficar dando choque para ver se o cérebro pega no tranco. Mas acho que não pega.
Na última segunda-feira, uma mulher foi obrigada a deixar um avião da Delta porque estava amamentado o seu filho. É sério, acredite. A mulher foi expulsa do avião.
Não sei se o avião estava no ar, mas do jeito que esses caras são eu não duvido nem um pouco.

Mídia gratuita

O Kramer do Seinfeld virou notícia esta semana ao ofender com comentários racistas alguns negros que assistiam à sua apresentação. O negão disse que ele não era engraçado e o Kramer perdeu a cabeça. Como tudo que é polêmico vira dinheiro para a mídia, o sujeito já foi convidado para aparecer no Late Show do David Letterman. E o pessoal da CBS não perdeu tempo colocando no You Tube um teaser da entrevista do sujeito sem graça, finalizando alguns trechos da resposta com "Não perca a entrevista inteira hoje no programa do Dave". Programa que, aliás, é a fonte de inspiração do Jô.

sexta-feira, novembro 10, 2006

Histórias Malcontadas - II



Deu nos jornais científicos e nem tanto de todo o mundo ou nem tanto: "Cérebro humano herda gene de Neandertal." Como todos ou nem tantos sabem, a Ciência e a História nem sempre se dão bem. Quando uma diz uma coisa a outra vai lá e desdiz. Isso porque nem todo acontecimento foi arquivado sob os olhares austeros da PricewaterhouseCoopers. Então vez por outra um fato da História é contestado pela Ciência. No caso da Bíblia, por exemplo, a Ciência mudou o maior best-seller do mundo de seção, achincalhando a versão dos 7 dias com uma história bem mais demorada. Mas isso não vem ao caso. O caso é que, apesar das inúmeras tentativas de separar os Homo sapiens dos hominídeos arcaicos, toda a teoria veio abaixo com a descoberta do tal do gene em nosso cérebro. Veio mais abaixo ainda quando simularam a foto de um Neandertal e viram que era a cara do Lenine.

sexta-feira, outubro 27, 2006

O Bom e o Melhor



A noite caia como uma espinha de peixe não digerida derrubada por uma gaivota em pleno vôo, ainda que ele não soubesse como caem as espinhas de peixe não digeridas derrubadas por gaivotas em pleno vôo.
Parado diante da analogia tacanha, segurando o riso nas entranhas, ele esperava pela mulher de sua vida. Somente o autor, no caso eu, e agora o leitor, no caso você, faziam companhia ao pobre homem quando o tiro ecoou e a rua já silenciosa silenciou de todo. Ele desejou entrar no prédio dela, mas não podia interfonar e correr o risco do pai atender e lhe soltar os cachorros, ou um balde de água fria, via terceiro andar, direto em seu tão calculado traje. Ainda se fossem espinhas de peixe, para que ele pudesse saber a razão da tal analogia com o cair da noite...
Mas não, não tinha para onde correr. Não tinha carro nem garelli. Poupava para isso, mas o serviço lá no seu Nilso (só pra rimar) pagava mal. E depois, as noites com Eunice nunca eram baratas. Muito pelo contrário. A mocinha gostava do bom e do melhor. E ainda não tinha liberado o bom e o melhor para ele. Talvez esta noite, não fosse o tiro.
Deitar no chão. Em algum lugar, alguém ou alguma coisa falou para se deitar no chão durante um tiroteio. Era feio, mas fazer o quê?
Foi quando viu os sapatos. As pernas bem torneadas. A saia curta. Os seios fartos a delinear a blusa justa. E antes de chegar ao rosto assustado de Eunice, algo parecido com um macaco hidráulico já o colocara de pé. Sempre de pé. Culpa da Eunice, que não liberava o bom e o melhor.
- Um tiro, querida...
E ao falar, como um imã, atraiu novo disparo. E novamente pôs-se aos pés de seu amor. Foi quando o corcel podre passou, com seu escapamento explosivo. Definitivamente, o bom e o melhor ficariam para outra vez. Ou para nunca mais.

quarta-feira, outubro 25, 2006


Finados

Do jeito que as coisas andam, deveriam mudar a data de Finados para o dia 29 de outubro.

sexta-feira, outubro 20, 2006

Petecas

Teresina é a capital do Piauí. Estive lá uma vez e a fiquei com a nítida impressão de que o diabo era de lá. Aí alguém me falou que ele não agüentou o calor e criou o inferno para se refrescar.
As saunas da cidade funcionam com ar condicionado e gelo seco. A água da ducha holandesa, por exemplo, tem que ser resfriada. Quando está gelada tem algo como 32 graus.
Fogão lá é artigo de luxo, sendo completamente desnecessário. Para assar, basta deixar o prato à temperatura ambiente. Para fritar, basta colocar uma frigideira no asfalto. E tem que vigiar para não torrar.
As cadeiras e espreguiçadeiras de hotel - aquelas de plástico, que ficam em volta da piscina - são deixadas à sombra. E tem que tomar cuidado na hora de usá-las, pois elas ficam pelando mesmo assim. As que são esquecidas ao sol derretem em poucos minutos.

Mas isso não tem nada a ver com o peixe. Ou melhor, com a revista. É que comprei uma revista chamada piauí. E é piauí assim mesmo, sem maíuscula.
A piauí é uma das melhores coisas que apareceram nas bancas nos últimos tempos, principalmente para quem gosta de ler. Os textos são ótimos, ricos, variados. Trazem histórias peculiares de pessoas comuns, entrevistas inusitadas, artigos bem-escritos. É uma grande e variada fonte de informações diferentes e gostosas de se ler.
Nela tem até algo sobre o Piauí. É um artigo que conta como o Badminton, um esporte cheio de petecas, começou a ser praticado em Teresina. Entre outras coisas, descobri que as petecas do Badminton são feitas com penas de ganso, e que as da asa esquerda são as melhores.

quarta-feira, outubro 11, 2006

Apresento a vocês o candidato ideal à presidência da república: o nonno. Só que você não vai achar um link neste post, já que este post não tem link, só texto. Resumo textual do vídeo: com sotaque carregado, um senhor mafioso fala sobre suas propostas de governo. Fim.

terça-feira, outubro 10, 2006

Battle Bands

segunda-feira, outubro 09, 2006

Olha aqui o que eu achei.
Rápido, rápido, arrume um espelho para a Marta


Para mim, foi a parte mais engraçada do debate de ontem. Na entrevista pós-debate, a Marta Suplicy, com a face 80% paralisada por causa de Botox, um olho que não funciona direito e a pele toda repuxada por uma série inimaginável de cirurgias plásticas, ironiza o Alckmin apelidando-o de "candidato de plástico".

sexta-feira, outubro 06, 2006

Melhor Assim?



Quantas frases joguei fora hoje? Tantas que perdi a conta. Ou menos, já que não contei pra saber. Mas eram várias. Algumas até começavam bem, mas não sustentavam outras para que juntas se fizessem textos ou ao menos parágrafos. Ou um, que fosse. E foi. Foi-se embora no limbo afora. Agora, as frases que jogamos fora não mais agonizam amassadas numa lixeira. Lixeira que estava sempre mal-colocada quando queríamos três pontos. Não marcamos mais três pontos com o que vilipendiamos. Simplesmente deletamos e pronto. Mas que pronto, se nada se apronta? Ficamos com o mesmo vazio. E nem ao menos temos a medida de nosso esforço inútil escancarada numa pilha de papel amassado.
E ainda dizem que estamos melhor assim.

quinta-feira, outubro 05, 2006

Quem sempre quis ver o Bush morto não pode deixar de ver este filme.

sexta-feira, setembro 29, 2006

Vote Brazil



Definitivamente, eu não consigo botar fé em candidato cujo adesivo eu vejo colado em carro importado. Diz, o problema são eles ou sou eu?

No mais, eis a minha dica para votar no domingo.

E boa eleição. ; )

quinta-feira, setembro 28, 2006

Cachorrada



Cachorro de apê me dá dó. Animal de corpo inteiro, mas alma capada. Para mim, bicho atrofiado. Não mais cão de guarda, caça, pesca, nada. Só bibelô, brinquedo à energia solar. Coisa de gente. Gente, ser humano me dá nojo, sabe? Não evolui nunca e ainda fode todas as outras espécies do lugar. Sempre. Tomara que só as baratas mesmo resistam ao hecatombe. Debaixo da terra, no meio da merda, eu vou gostar.
Lapso



Olhe, veje só: eu estávamos pensando que precisei contar uma história de pequena muita, mas eu se lembro que talvez não seremos fácils de lembrança esta. O fato é que nós pensava, pensava e já iu da cabeça, mas a gente coça e ainda quero se lembrar-me eu mesmo. Que é, então? Então. Eu era junto e de repentemente se viu só de tanto que falou de grátis e sem custódia nenhuns. É o preço que a gente pagarei por fechar-me a visão. Ah, a visão, que coiso sem igual, não será? É umas penas que a lágrima salga, das vezes, somente das vezes, o que era doce e se acabou-se.
E digarei mais. Basta um tempo ligeiro para que agora estamos eu aqui com este meu amigo ninguém que me bastará ontem, não que eu queira se gavar. É pura e simples mente insana que girava e rodopiava sem nunca saberei de nada além de tudo. Me falta faz a razão que me falta, mas eu ser só a metade emoção boba que não consigo andar reto, por isso eu se perdo. É, sim. É assim.
Fim.