quarta-feira, janeiro 24, 2007
quinta-feira, dezembro 28, 2006
domingo, dezembro 24, 2006

Post de Natal do kowalski
D´us abençoe a todos nós, porque 2007 vem aí com fúria redobrada. Quem tem olhos para ler e ouvidos para ouvir, que o faça neste texto de um(a) Pessoa especial - O Guardador De Rebanhos Alberto Caeiro. Feliz Natal. É o desejo nítido e sincero deste vosso amigo de sempre - DR.
Num meio-dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.
Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu era tudo falso, tudo
Com
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
(...)
Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o sol
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.
(...)
A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.
(...)
Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo um universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.
Depois eu conto-lhe histórias das cousas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos-mares.
(...)
Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate as palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.
Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.
Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há-de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?
08-03-1914
quinta-feira, dezembro 21, 2006

Bichos Escrotos
Titãs
Bichos,
saiam dos lixos
Baratas,
me deixem ver suas patas
Ratos,
entrem nos sapatos
Do cidadão civilizado
Pulgas,
que habitam minhas rugas
Oncinha pintada,
Zebrinha listrada,
Coelhinho peludo,
Vão se foder!
Porque aqui na face da terra
Só bicho escroto é que vai ter!
Bichos escrotos, saiam dos esgotos
Bichos escrotos, venham enfeitar
Meu lar,
Meu jantar,
Meu nobre paladar
PS: Há alguns meses, num fim de tarde, chegando de avião em Brasília, meu instinto mandou ligar o iPod no volume máximo e ouvir essa música. Sei lá, a imagem da Esplanada dos Ministérios aumentou em 91% meu nojo pelos bichos escrotos.
A noite só não estava mais escura pois havia no céu (onde mais?) uma grande e brilhante estrela cuja luz patinava pelos lagos congelados da Lapônia (que não é um anagrama de Polônia). O frio era de fazer fogo pegar gripe, e de trincar o saco de quem não usava cueca de lã. Por falar em saco, a data era especial: véspera de Natal. Estava marcada para o dia seguinte a cesariana da mãe de Hagios Nikolaos, futuro bispo de Myra, na atual Turquia. Como apenas uma rena bêbada sabia, o pequeno Hagios mais tarde viria a se tornar um velho boa praça e amigo das crianças, eternizado como Saint Nicholas, Santa Claus ou apenas Santa para os entendidos.
Os pais de Nikolaos eram gregos, mas ele acabou nascendo na Lapônia pois na Grécia as parteiras não se entendiam - pareciam falar grego - e a operação corria um grande risco de dar errado. Ao nascer, porém, o pequeno e barbudo Nikolaos disse em alto e bom som - ainda que com uma voz meio efeminada - a célebre frase: ?Vinde a mim as criancinhas?. Em seguida pôs uma mão no saco e outra na nuca, deu umas reboladas meio estranhas e saiu da barriga da mãe andando para trás num passo nunca antes visto nem por Abraão nem por Abrantes, os enfermeiros de plantão.
Até hoje, dois mil e tantos anos depois, esta estranha história é passada de geração para geração através do arcaico sistema de telefone sem fio. Um sistema, digamos, não muito confiável e cheio de ruídos, que tranformou por exemplo uma irretocável melodia chamada "Just beat it" em uma sinistra (cheia de sinos, para os menos letrados) composição chamada "Jingle Bells". Acredite se quiser. E ho-ho-ho para todos.
segunda-feira, dezembro 18, 2006
sexta-feira, dezembro 15, 2006
Num típico final de história em quadrinhos, ele se vê dependurado na beira do precipício, com apenas uma das mãos a lhe sustentar o corpanzil atlético de mais de 100 quilos. No topo, com pose de "já ganhei", o vilão maquiavélico conhecido como Kronos gargalha enquanto pisoteia a mão do pobre herói.
- Ainda não entendi o seu plano, Kronos - grita o herói, na esperança de ouvir os delírios megalomaníacos do cara do mal e assim ganhar tempo para usar o equipamento secreto oculto no solado falso de sua bota de herói.
- É simples, Ultra-Dude! Eu vou parar o tempo com a minha arma temporal e assim roubar todos os bancos do planeta. Uahuahuahuah! - gargalha Kronos qual nerd analfabeto navegando pela internet.
Ultra-Dude também ri. Só mais um segundo daquela ladainha de vilão e ele conseguirá alcançar o seu ultra-canivete-suiço, com direito a mini-cóptero, gancho de escalada e outros parangolés capazes de permitir uma escapada pirotécnica para tão vexatória situação.
- Tempo esgotado, Ultra-Dude.
Um pisão a mais e a mão do nosso herói desprende-se da beira do abismo. Ultra-Dude começa a cair em direção às rochas pontiagudas lá embaixo. Num giro rápido, ele alcança a sua bota. Num click, o fundo falso cai. O canivete pousa em sua mão. Agora é só... prungft!
A queda levou menos tempo do que Ultra-Dude esperava. Naquele instante, seu canivete deixou de ter função. Talvez ainda tenha num futuro próximo, quando o pessoal do IML tentar tirar o corpo do pobre Ultra-Dude, empalado nas rochas - afinal, o ultra-canivete-suiço tem também formão, pá e saca-rolhas.
Kronos gargalha ainda mais alto. E olha para o relógio, ansioso por ver o tempo parar. A arma temporal já está engatilhada. Um leve toque no botão principal e pronto - o tempo freia mais rápido do que perua em carro importado ao ver sinal amarelo. Tudo imóvel. Parado. Atemporado.
O que Kronos não previa, em seu plano mirabolante e perfeito, é que ele também ficaria parado quando o tempo deixasse de passar.
Por conta disso, ninguém foi roubado. Nem preso. Nem enterrado com honras de super-herói. Tudo porque o tempo continuou parado. De vez. Para sempre. E fim, até porque não tenho mais tempo pra enrolar com essa história.
quarta-feira, dezembro 13, 2006

Obs.: cada CD acima foi encomendado por, pelo menos, um membro do staff Meditabundas, no tradicional (mas já extinto) Amigo CDcreto. Quem com qual? Ligue o nome ao som e tasque a sua conexão nos comentários. A resposta virá em breve, nos mesmos comentários. Quem acertar tudo ou chegar mais perto ganha um "muito bem, Flipper!".
E a resposta é: 1e; 2c; 3f; 4d; 5b; 6h; 7g; 8a.
terça-feira, dezembro 12, 2006
Sim, depois de mais de três anos de ausência injustificada, está de volta o roteiro de comilanças mais gostoso do sul do cu do mundo. Para saber quais foram as dicas anteriores, dá-lhe Google que você volta no tempo e chega lá. Mas agora, o papo é cá.

Lanchonete Montesquieu
Um dos mais famosos e desconhecidos lanches da cidade está aqui. Famoso porque todo curitibano que não se preza conhece o principal prato da casa, mimosamente chamado de X-Montanha. Desconhecido porque se depender do nome francês do lugar, ninguém vai saber que estamos falando do estabelecimento pilotado pelos japoneses Álvaro e Seu Zé. Pois é justamente desta salada que nasceu o já citado sanduíche, singelamente preparado com pão, alface, tomate, bolinho de carne e um risólis inteiro (e preferencialmente acompanhado por uma gasosa de framboesa). Resumindo: diliça. Uma verdadeira unanimidade na vizinhança - formada quase que exclusivamente pelos nerds e nerdas do (ex-)CEFET-PR - e em todos os cantos sujos da cidade por onde circulam gentes como eu.
> Sêlviço: Lanchonete Montesquieu - Av. Silva Jardim, em frente a UTFPR, Centro, Curitiba, PR.
segunda-feira, dezembro 04, 2006
Ela vagava devagar entre divagações e vaga-lumes. À luz da lua, o lago lembrava uma lúgubre laje sepulcral. Ali, alienada pelas aliterações, ela limitava-se a lançar pedras na água, buscando quebrar aquele efeito funéreo feito de reflexos prateados. De repente um medo. Medo de que as pedras estivessem quebrando aquele túmulo lacustre. Medo de que, a qualquer momento, o defunto de um afogado emergisse das águas agitadas em busca de vingança ou de qualquer outro clichê de filme de horror.
Parou. Olhou ao redor. Nada. Nada além do coaxar de sapos inabaláveis diante da breve turbulência aquática. Nada além de alguns faiscantes e frustrados vaga-lumes, incapazes de rivalizar com a luz da lua. Nada além dela, pés descalços, vestido branco, tristeza opaca.
Pousou um pé na água e não soube dizer se estava fria. Devia estar. Mas não sentia. Nada. Vasculhou sua memória recente em busca de uma sensação qualquer. Qualquer frio, calor ou mesmo dor. Não achou. Assim como não se achou ao buscar seu reflexo na água.
Então compreendeu porque a lúgubre analogia entre lago e lápide. O defunto afogado era ela. A busca por vingança ou qualquer outro clichê de filme de horror era a sua. Mas estava só, sem ninguém para assombrar. Voltaria a se deitar em sua tumba subaquática. Sozinha. Sem nem mesmo o frio para lhe fazer companhia.

Flávio, Peter, João Paulo, Edmílson, Eltinho, Pierre, Batista, Beto, Sandro, Cristiano, Leonardo (e Caio Júnior): obrigado, obrigado, obrigado, obrigado, obrigado, obrigado, obrigado, obrigado, obrigado, obrigado, obrigado (e obrigado)!
sexta-feira, dezembro 01, 2006
Este post começou com um e-mail do meditabundo Kornellius (quem?). Ele lembrou que num passado remoto eu tinha comentado sobre o seriado japonês do Homem-Aranha - é isso mesmo, seriado japonês do Homem-Aranha. No mesmo e-mail veio o link pra abertura do tal seriado. Em retribuição (inútil), enviei o link pra versão live-action (e muito tosca) dos Thundescats. E então, no meio de tais tosquices, eu comecei a pensar em outras tantas que povoaram o nosso imaginário infanto-juvenil. Não vou nem falar do Batman e da gostosa da Batgirl (que teve até um episódio piloto - cancelado antes de virar seriado próprio), ou da sensacional redublagem conhecida como a Feira da Fruta. Preferi pinçar coisas um pouco mais esquecidas, como o seriado (americano) do Homem-Aranha ou aquele do Shazam e da Ísis. Já o seriado da Mulher-Maravilha era famoso, mas será que você sabia que antes da Linda Carter havia outra Mulher-Maravilha, só que loira? E o que dizer do seriado do Capitão América motoqueiro? Pior ainda é descobrir que o Hulk, já em fim de carreira, enfrentou o (Não-Tão) Poderoso Thor (ou seria Thoscor?). E alguém aqui é capaz de lembrar que, bem antes de Smallville, as aventuras do SuperBoy eram assim (com direito inclusive ao vilão Bizarro)? Mais recente (e mesmo assim bem ruim) foi o seriado do Flash. E há pouco cancelaram, antes mesmo de ir por ar, o seriado do Aquaman. Ok, tudo isso é mais ou menos conhecido. Mas existem obscuridades maiores, como esta Liga da Justiça, este SuperPup, esta Geração X (qualquer relação com os X-Men é mera relação) e as inacreditáveis Electra Woman and DynaGirl. Chega de coisa ruim? Não? Então o que dizer do Quarteto Fantástico? Sim, antes do blockbuster hollywoodiano, o diretor-produtor-faz-de-tudo-um-pouco Roger Corman conseguiu os direitos pra produzir esta bomba que nunca foi lançada. Falando em bomba, lembra que tempos atrás conseguiram fazer um filme do He-Man pior ainda que o desenho? Vida um pouco melhor os heróis tiveram em comerciais, seja usando cartão de crédito (Visa ou American Express?) ou bebendo leite. As paródias, é claro, vão desde um Wasssup dos SuperAmigos até o divertido trecho da série Family Guy com o Superman e a Mulher-Maravilha. Mas nada no mundo supera os Trapalhões posando de super-heróis.
quinta-feira, novembro 30, 2006

Garota do Fogo
Pego a sombra e a luz e faço você. Determino tua simetria com a ponta dos dedos, num desenho simples, infantil e sincero, como as coisas simples, infantis e sinceras têm de ser. Boto fogo nos teus cabelos. O vermelho me atrai. Respiro fumaça e te beijo na boca. Nessa hora o mundo gira ao contrário, o ardido não dói, a xícara descai, as palavras se desescrevem, desescrev, desesc. Concentre-se na vertigem e suspire. Agora você consegue sentir o bem e o mal, o certo e o errado, doce e salgado, riso e choro. Tua pele é folha em branco onde meu calor te escreve com grão de ardósia, tabaco, pimenta e perfume.
Eu posso ler tudo em você, exatamente na altura do teu colo. Tateio feito cego em braile e descubro Baudelaire em todos os teus poros. Tua cor de neve incendeia meu sofá, bagunça minhas gavetas, acorda meus vizinhos. Este é o momento, esta é a hora em que as horas não têm mais sentido, mas nós temos. E usamos o sexto para subverter, pilhar, massacrar, porque a vida é uma só, o sapato aperta e o padeiro não tem troco. É preciso correr na grama e perder o fôlego, enfim. No fim, eu seguro tua mão e está tudo bem. E você agradece.
Ei, obrigada.
Ei, de nada.
quarta-feira, novembro 29, 2006

O vazio, o oco, o nada era dotado de olhos. Olhos que olhavam para além dali. E num olhar avançavam fugindo da opressão daquele zero feito vida. Mas eram só olhos. Nenhuma perna para escapar. Nenhuma mão para puxar o corpo. Nenhum corpo para deixar o oco. Apenas olhos que viam o que havia além dali. E havia tudo. E tudo era tanto para aqueles olhos. E mesmo no vazio, de quando em quando os olhos se viam cheios. De lágrimas.
segunda-feira, novembro 27, 2006
quinta-feira, novembro 23, 2006

De vez em quando eu entendo por que certas pessoas entram em escritórios ou salas de aulas nos EUA atirando em todo mundo. Não é fácil agüentar a imbecilidade de alguns americanos. Os carinhas do colégio, como aqueles de Columbine, por exemplo, além de terem um parafuso a menos, com certeza eram zoados de todas as formas por seus coleguinhas mais ricos, mais bonitos, mais garanhões ou mais bacanas no esporte, o que é a mesma coisa. Não que isso não aconteça por aqui. Acontece. Mas é que lá, não sei, deve ter algum hormônio estranho nos hambúrgueres ou nos milk shakes, ou algum vírus hereditário, que torna as pessoas mais inseguras e que potencializa o rancor, o ódio, a sede de vingança. E como lá se compram armas como se compram sanduíches do McDonalds, o resultado é uma sociedade cada vez mais paranóica. Uma sociedade que perdeu completamente a referência de valores e permite, por exemplo, que a TV passe filmes de violência explícita na sessão da tarde e, na mesma TV, proíbe que apareçam singelos seios de mulher. Quando mostram ao vivo um cara cortando o braço de outro, isso é legal. Quando numa transmissão ao vivo, um dos peitos da Janet Jackson saltou para fora do vestido, virou caso de segurança pública, tanques nas ruas, toque de recolher, presidente se explicando na TV e o escambal.
E, em vez de melhorar, a coisa toda só piora. Já tinham processado um piá de 4 anos por assédio sexual. E olha que tudo que ele fez foi beijar a coleguinha no rosto.
Tempos atrás, alguns estados dos EUA (Esquizofrênicos Unidos da América) proibiram que mães amamentassem seus filhos em locais públicos. Para os imbecis que aprovaram a tal lei, amamentar um filho deve ser uma visão do inferno. Tem que mandar prender esses caras. Tem que, no mínimo, interná-los em clínicas psiquiátricas e ficar dando choque para ver se o cérebro pega no tranco. Mas acho que não pega.
Na última segunda-feira, uma mulher foi obrigada a deixar um avião da Delta porque estava amamentado o seu filho. É sério, acredite. A mulher foi expulsa do avião.
Não sei se o avião estava no ar, mas do jeito que esses caras são eu não duvido nem um pouco.

Mídia gratuita
O Kramer do Seinfeld virou notícia esta semana ao ofender com comentários racistas alguns negros que assistiam à sua apresentação. O negão disse que ele não era engraçado e o Kramer perdeu a cabeça. Como tudo que é polêmico vira dinheiro para a mídia, o sujeito já foi convidado para aparecer no Late Show do David Letterman. E o pessoal da CBS não perdeu tempo colocando no You Tube um teaser da entrevista do sujeito sem graça, finalizando alguns trechos da resposta com "Não perca a entrevista inteira hoje no programa do Dave". Programa que, aliás, é a fonte de inspiração do Jô.
sexta-feira, novembro 10, 2006

Deu nos jornais científicos e nem tanto de todo o mundo ou nem tanto: "Cérebro humano herda gene de Neandertal." Como todos ou nem tantos sabem, a Ciência e a História nem sempre se dão bem. Quando uma diz uma coisa a outra vai lá e desdiz. Isso porque nem todo acontecimento foi arquivado sob os olhares austeros da PricewaterhouseCoopers. Então vez por outra um fato da História é contestado pela Ciência. No caso da Bíblia, por exemplo, a Ciência mudou o maior best-seller do mundo de seção, achincalhando a versão dos 7 dias com uma história bem mais demorada. Mas isso não vem ao caso. O caso é que, apesar das inúmeras tentativas de separar os Homo sapiens dos hominídeos arcaicos, toda a teoria veio abaixo com a descoberta do tal do gene em nosso cérebro. Veio mais abaixo ainda quando simularam a foto de um Neandertal e viram que era a cara do Lenine.
sexta-feira, outubro 27, 2006
A noite caia como uma espinha de peixe não digerida derrubada por uma gaivota em pleno vôo, ainda que ele não soubesse como caem as espinhas de peixe não digeridas derrubadas por gaivotas em pleno vôo.
Parado diante da analogia tacanha, segurando o riso nas entranhas, ele esperava pela mulher de sua vida. Somente o autor, no caso eu, e agora o leitor, no caso você, faziam companhia ao pobre homem quando o tiro ecoou e a rua já silenciosa silenciou de todo. Ele desejou entrar no prédio dela, mas não podia interfonar e correr o risco do pai atender e lhe soltar os cachorros, ou um balde de água fria, via terceiro andar, direto em seu tão calculado traje. Ainda se fossem espinhas de peixe, para que ele pudesse saber a razão da tal analogia com o cair da noite...
Mas não, não tinha para onde correr. Não tinha carro nem garelli. Poupava para isso, mas o serviço lá no seu Nilso (só pra rimar) pagava mal. E depois, as noites com Eunice nunca eram baratas. Muito pelo contrário. A mocinha gostava do bom e do melhor. E ainda não tinha liberado o bom e o melhor para ele. Talvez esta noite, não fosse o tiro.
Deitar no chão. Em algum lugar, alguém ou alguma coisa falou para se deitar no chão durante um tiroteio. Era feio, mas fazer o quê?
Foi quando viu os sapatos. As pernas bem torneadas. A saia curta. Os seios fartos a delinear a blusa justa. E antes de chegar ao rosto assustado de Eunice, algo parecido com um macaco hidráulico já o colocara de pé. Sempre de pé. Culpa da Eunice, que não liberava o bom e o melhor.
- Um tiro, querida...
E ao falar, como um imã, atraiu novo disparo. E novamente pôs-se aos pés de seu amor. Foi quando o corcel podre passou, com seu escapamento explosivo. Definitivamente, o bom e o melhor ficariam para outra vez. Ou para nunca mais.

