Nine-hundred and sixty times.
If the name written on the tag, attached to the brown duffel bag he always carries with him, is actually his name, he’s called Dolphin Whilcock. He has a skinny figure and looks like he’s in his late twenties; his face is dirty and needs shaving, his hair hasn’t seen a comb for years. Every two days he shows up at the same corner, where he stays stuck until sunset with his old flannel pajama bottom and gray t-shirt.
He knows precisely how many times the traffic light, located near the old apartment building where he appears to live, goes green everyday. When he is there, standing close to it, just like now, he seems to be hypnotized by the cyclical routine of green and orange and red. He may be wondering why the lights never blink at the same time, but nobody knows what he’s really thinking.
Though people say he can’t understand what the traffic lights mean, he has very clear in his mind that the red light stays on less time than the green one, but, yet, a lot more than the orange one. He has a certain preference for the orange light, maybe because its life is shorter than the others’. His memories are clearly bewildered, but he recalls someone telling him that he should appreciate brief things with intensified sensitivity. That’s why he stays, all day long, admiring the birth, death, and resurrection of the traffic lights. For him, that process represents eternal life, something he would like to have. He understands his life will not blink twice.
When he’s not planted on that corner, Dolphin Whilcock is walking barefoot around the square. He never goes beyond it, because he doesn’t know what waits for him on the other side of the street. He fears the unknown. In fact, when he spends the whole day looking at the traffic lights, he seems to be waiting for a new sign, an omen that will open a new path and set him free.
Everyone who lives in that particular block knows him, but not his history. The ones who try to talk to him aren’t able to sustain an intelligible conversation, because he goes no further than saying “hi.” Some of them provide him with food, which he gladly accepts. When they offer clothes, though, he declines and immediately opens his duffel bag, showing he has some clothes inside it. Nevertheless, he never changes the clothes he’s wearing. He’s made his old and dirty garments his second skin. The stuff he carries in his bag is kept for a special occasion.
“Nine-hundred and sixty times,” he informs a blonde woman who passes by, carrying groceries in a bag. She seems to be in a hurry -- mainly because she doesn’t have an umbrella and some rain drops are starting to fall.
“The green goes on nine-hundred and sixty times!” he shouts to himself, excited by the thunderstorm that’s forming right above his head. When the storm reaches that area, everybody runs, looking for shelter. He remains, gazing fixedly at the traffic lights under the rain, as if expecting a special vision. Suddenly, he faces a lightning-bolt, a huge discharge of atmospheric electricity, which blinds him for a couple of seconds.
When he’s able to see again, everything is different -- dark, almost lifeless. Something calls his attention more than anything else: the orange light is blinking now. There’s no green, no red; just orange. Totally soaked, Dolph grabs his duffel bag, crosses the street and disappears from sight.
(written in Y2K by R.Schrappe)
quinta-feira, fevereiro 28, 2008
quarta-feira, fevereiro 27, 2008
Outra Roupa Que Desmancha

Legenda: "Estampa de camiseta revela final de vários filmes".
Fonte: Blue Bus de amanhã. ; )

Legenda: "Estampa de camiseta revela final de vários filmes".
Fonte: Blue Bus de amanhã. ; )
quarta-feira, fevereiro 06, 2008

O táxi passava por um bairro afastado de Paris. Iam o motorista, ao lado dele sei lá quem, eu no banco traseiro e, do meu lado direito, um senhor marroquino com cara de afegão, barbudo, mas vestido como um bispo da igreja ortodoxa russa. O céu estava cinza e o carro andava rápido por um extensa avenida que se prolongava por uma imensa e suave curva à direita. Olhei para esta direção - portanto com o velho marroquino-afegão desfocado em primeiro plano - e pude ver pelo vidro gorduroso uma fábrica antiga. O carro andava e a fábrica nunca acabava, com seu ar centenário, suas paredes expondo os tijolos marrom-acinzentados que se confundiam com o céu. O velho ortodoxo me falava sobre aquele lugar num português surpreendente e sem legendas. Olhei então pelo vidro traseiro e vi a fábrica ficando para trás. Eu vivia uma expectativa infantil, por isso pedi para alguém tirar uma foto. O senhor marrocofegão tirou uma handycam da bolsa (ele tinha uma bolsa hippie) e apontou para mim, mas era o contraplano do meu ponto de vista e eu queria era registrar a cena da fábrica então foda-se deixa pra lá velho do turbante que imagine claro que não era um turbante e sim um chapéu da igreja ortodoxa que lembrava um quadro bizantino. Enfim, o táxi parou e o velho bizantino disse que era ali que eu tinha que descer. Pisei na areia molhada e reconheci a casa de praia da minha avó. O táxi foi embora. E agora? Acordei com uma puta vontade de mijar.
quinta-feira, janeiro 03, 2008
sexta-feira, novembro 30, 2007
quinta-feira, novembro 29, 2007
Uma coisa leva à outra que leva de volta à mesma coisa

Fernando Meirelles, o diretor de "Cidade De Deus", sugeriu que eu lesse o livro "Ensaio Sobre A Cegueira" (na real ele sugeriu a todos os que lêem o seu blog). Disse que era livro que se devora em um final de semana. Duvidei. Afinal é Saramago - aquele cara de quem eu nunca tinha lido uma linha, tendo lido somente alguma coisa acerca de seus escritos e em algum lugar desta alguma coisa alguém dizia que ele escrevia diferente, com parágrafos gigantes, poucos pontos e nenhum diálogo com travessões a separar as falas (como exemplifica este breve trecho). Mas o texto do cara é tão bom que a gente absorve de pronto a ponto de nem estranhar. E se não levei um fim de semana, não demorei tanto mais. Em três dias tinha devorado o livro. Digerir já é coisa pra mais tempo e pensamento. Mas o fato é que o cara escreve bem demais da conta, numa fluidez tão deliciosa que a gente não consegue parar de ler e de querer saber mais e mais. Vale ler antes do filme sair. É, vai rolar um filme do livro, dirigido pelo mesmo Fernando da dica lá de cima. Ainda antes do filme, vale ler também os posts que ele escreve sobre a produção. Porque longe de ser um blá-blá-blá coorporativo pra vender filme, o blog é sobre situações oriundas do insano ato de se fazer filmes, mesclado com as impressões pessoais de quem o está a dirigir. Bem legal.

Fernando Meirelles, o diretor de "Cidade De Deus", sugeriu que eu lesse o livro "Ensaio Sobre A Cegueira" (na real ele sugeriu a todos os que lêem o seu blog). Disse que era livro que se devora em um final de semana. Duvidei. Afinal é Saramago - aquele cara de quem eu nunca tinha lido uma linha, tendo lido somente alguma coisa acerca de seus escritos e em algum lugar desta alguma coisa alguém dizia que ele escrevia diferente, com parágrafos gigantes, poucos pontos e nenhum diálogo com travessões a separar as falas (como exemplifica este breve trecho). Mas o texto do cara é tão bom que a gente absorve de pronto a ponto de nem estranhar. E se não levei um fim de semana, não demorei tanto mais. Em três dias tinha devorado o livro. Digerir já é coisa pra mais tempo e pensamento. Mas o fato é que o cara escreve bem demais da conta, numa fluidez tão deliciosa que a gente não consegue parar de ler e de querer saber mais e mais. Vale ler antes do filme sair. É, vai rolar um filme do livro, dirigido pelo mesmo Fernando da dica lá de cima. Ainda antes do filme, vale ler também os posts que ele escreve sobre a produção. Porque longe de ser um blá-blá-blá coorporativo pra vender filme, o blog é sobre situações oriundas do insano ato de se fazer filmes, mesclado com as impressões pessoais de quem o está a dirigir. Bem legal.
terça-feira, novembro 27, 2007
Desenhistas e Desenhados

Gente famosa (dos quadrinhos) desenhando gente famosa (personagens ou autores).
Gente famosa (dos quadrinhos) desenhando gente famosa (personagens ou autores).
quinta-feira, novembro 22, 2007
quarta-feira, outubro 24, 2007
segunda-feira, outubro 08, 2007
quarta-feira, outubro 03, 2007
Enquanto Isso, Em Brasília...

Do UOL de hoje: "Carimbo com erro na grafia da palavra 'Congresso' espalha equívoco por milhares de documentos oficiais da Câmara e do Senado".

Do UOL de hoje: "Carimbo com erro na grafia da palavra 'Congresso' espalha equívoco por milhares de documentos oficiais da Câmara e do Senado".

Eu vi um cara andando no meio da rua. Ele tinha a cara séria, um olhar determinado. Tinha a barba por fazer e a pele torrada pelo Sol, talvez também pela cachaça. Não posso afirmar. Deve ter acordado de sabe-se lá quais sonhos num mundo que não lhe dizia respeito. E resolveu andar. No meio da rua. No meio dos carros. Na contramão. Poucas vezes vi alguém fazer algo sem aparente sentido com tanta convicção. Ele não me viu. No mundo dele eu nem existo. E isso é estranho. Ele passou a existir no meu.
terça-feira, setembro 25, 2007
Faça Sua Legenda - VII

Texto original: "Theo Christian, do London's Leftovers FC ('As Sobras de Londres FC'), falha ao tentar pegar a bola, durante partida pela Copa do Mundo Gay de Futebol, em Buenos Aires. 28 equipes disputam a competição organizada pela Associação Internacional de Futebol de Gays e Lésbicas." (Fonte: Terra)
Qual seria o SEU texto para a foto? Resposta nos comentários.

Texto original: "Theo Christian, do London's Leftovers FC ('As Sobras de Londres FC'), falha ao tentar pegar a bola, durante partida pela Copa do Mundo Gay de Futebol, em Buenos Aires. 28 equipes disputam a competição organizada pela Associação Internacional de Futebol de Gays e Lésbicas." (Fonte: Terra)
Qual seria o SEU texto para a foto? Resposta nos comentários.
segunda-feira, setembro 24, 2007
i-Mundo

Do Blue Bus de ontiontionti: "Abrem mão de amigos e sexo só pra ficar na internet". Em outras palavras, "Uma pesquisa realizada pela JWT nos EUA indica que 28% dos americanos admitiram gastar menos tempo se relacionando pessoalmente por conta do tempo passado na internet. 20% confessaram ter diminuído a atividade sexual por conta da internet. (...) Segundo o estudo, as pessoas se definem como "ansiosas, isoladas e entediadas" quando são forçadas a ficar offline. (...)".
Do Nego Lee de sempre: Ser humano me dá nojo.

Do Blue Bus de ontiontionti: "Abrem mão de amigos e sexo só pra ficar na internet". Em outras palavras, "Uma pesquisa realizada pela JWT nos EUA indica que 28% dos americanos admitiram gastar menos tempo se relacionando pessoalmente por conta do tempo passado na internet. 20% confessaram ter diminuído a atividade sexual por conta da internet. (...) Segundo o estudo, as pessoas se definem como "ansiosas, isoladas e entediadas" quando são forçadas a ficar offline. (...)".
Do Nego Lee de sempre: Ser humano me dá nojo.
quinta-feira, setembro 20, 2007

Nosso presidente aloprado acaba de dizer que "sem a CPMF o Brasil de hoje é ingovernável." Repare no "de hoje". A explicação está toda aí. O Brasil de Lula é ingovernável porque, em primeiro lugar, o País não tem um presidente. Tem um sanguessuga duas caras fantasiado de humano. E este parasita mentiroso infestou a máquina pública do Brasil com milhares de outras larvas de seu putrefato partido. Larvas incompetentes, imbecis e tão avessas ao trabalho como ele próprio. Daí a dificuldade de se governar o Brasil sem os 40 bilhões que a CPMF rende todos os anos. Uma grana que deveria estar indo para a Saúde e que morreu no bolso de corruptos ou na sala de espera, como centenas de brasileiros que acreditaram que seriam atendidos no SUS ou coisa que o valha. O Brasil é governável, sim. Basta tirar o presidente, destituir o Senado e passar potentes vermífugos por todos os cantos da Câmara Federal.
domingo, setembro 16, 2007
Tênue fronteira
Não sei se vocês sabem, mas a minha vida deu uma guinada de 360 graus.Todo mundo tirou sarro da declaração filosófico-bombástica da Carla Perez, mas agora eu sinto que o que ela disse (e não exatamente o que quis dizer) até que faz algum sentido: é aquele famoso cavalo-de-pau, que mais parece um cavalo-de-batalha no caminho da gente e não necessariamente leva adiante.Estou vivendo quase como um Burroughs do Naked Lunch. Só que o teclado não quer falar comigo, maldito. E agora eu tenho tempo de sobra pra não fazer nada do que precisa ser feito.
(Por enquanto, isso é o que de mais interessante eu tenho para contar).
Nem me despedi a preceito dos amigos. Talvez porque não tenha ido direito ainda. O que, convenhamos, não é razão para desmerecer um porre ritualístico.
DR
Não sei se vocês sabem, mas a minha vida deu uma guinada de 360 graus.Todo mundo tirou sarro da declaração filosófico-bombástica da Carla Perez, mas agora eu sinto que o que ela disse (e não exatamente o que quis dizer) até que faz algum sentido: é aquele famoso cavalo-de-pau, que mais parece um cavalo-de-batalha no caminho da gente e não necessariamente leva adiante.Estou vivendo quase como um Burroughs do Naked Lunch. Só que o teclado não quer falar comigo, maldito. E agora eu tenho tempo de sobra pra não fazer nada do que precisa ser feito.
***
Só aqui mesmo: uma pomba entra pela sua janela e faz ninho no seu travesseiro. E como é que a cabeça vai descansar?
(Por enquanto, isso é o que de mais interessante eu tenho para contar).
***
Nem me despedi a preceito dos amigos. Talvez porque não tenha ido direito ainda. O que, convenhamos, não é razão para desmerecer um porre ritualístico.
Além de um desabafo, isso é um convite. Mais que um convite, uma intimação.
Me esperem e segurem o Nego para ele não abrir o vinho antes que eu chegue aí.
DR
quinta-feira, setembro 13, 2007
O Che que me desculpe, mas chegou a hora de perder la ternura
Chega de passividade. Chega de protesto silencioso. Chega de pintar a cara. Vamos à guerra. Contribua com sua idéia hostil para esculhambar os senadores que votaram contra a cassação do Calheiros e todo o resto da corja que parasita o poder.
Chega de passividade. Chega de protesto silencioso. Chega de pintar a cara. Vamos à guerra. Contribua com sua idéia hostil para esculhambar os senadores que votaram contra a cassação do Calheiros e todo o resto da corja que parasita o poder.
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