sexta-feira, novembro 10, 2006

Histórias Malcontadas - II



Deu nos jornais científicos e nem tanto de todo o mundo ou nem tanto: "Cérebro humano herda gene de Neandertal." Como todos ou nem tantos sabem, a Ciência e a História nem sempre se dão bem. Quando uma diz uma coisa a outra vai lá e desdiz. Isso porque nem todo acontecimento foi arquivado sob os olhares austeros da PricewaterhouseCoopers. Então vez por outra um fato da História é contestado pela Ciência. No caso da Bíblia, por exemplo, a Ciência mudou o maior best-seller do mundo de seção, achincalhando a versão dos 7 dias com uma história bem mais demorada. Mas isso não vem ao caso. O caso é que, apesar das inúmeras tentativas de separar os Homo sapiens dos hominídeos arcaicos, toda a teoria veio abaixo com a descoberta do tal do gene em nosso cérebro. Veio mais abaixo ainda quando simularam a foto de um Neandertal e viram que era a cara do Lenine.

sexta-feira, outubro 27, 2006

O Bom e o Melhor



A noite caia como uma espinha de peixe não digerida derrubada por uma gaivota em pleno vôo, ainda que ele não soubesse como caem as espinhas de peixe não digeridas derrubadas por gaivotas em pleno vôo.
Parado diante da analogia tacanha, segurando o riso nas entranhas, ele esperava pela mulher de sua vida. Somente o autor, no caso eu, e agora o leitor, no caso você, faziam companhia ao pobre homem quando o tiro ecoou e a rua já silenciosa silenciou de todo. Ele desejou entrar no prédio dela, mas não podia interfonar e correr o risco do pai atender e lhe soltar os cachorros, ou um balde de água fria, via terceiro andar, direto em seu tão calculado traje. Ainda se fossem espinhas de peixe, para que ele pudesse saber a razão da tal analogia com o cair da noite...
Mas não, não tinha para onde correr. Não tinha carro nem garelli. Poupava para isso, mas o serviço lá no seu Nilso (só pra rimar) pagava mal. E depois, as noites com Eunice nunca eram baratas. Muito pelo contrário. A mocinha gostava do bom e do melhor. E ainda não tinha liberado o bom e o melhor para ele. Talvez esta noite, não fosse o tiro.
Deitar no chão. Em algum lugar, alguém ou alguma coisa falou para se deitar no chão durante um tiroteio. Era feio, mas fazer o quê?
Foi quando viu os sapatos. As pernas bem torneadas. A saia curta. Os seios fartos a delinear a blusa justa. E antes de chegar ao rosto assustado de Eunice, algo parecido com um macaco hidráulico já o colocara de pé. Sempre de pé. Culpa da Eunice, que não liberava o bom e o melhor.
- Um tiro, querida...
E ao falar, como um imã, atraiu novo disparo. E novamente pôs-se aos pés de seu amor. Foi quando o corcel podre passou, com seu escapamento explosivo. Definitivamente, o bom e o melhor ficariam para outra vez. Ou para nunca mais.

quarta-feira, outubro 25, 2006


Finados

Do jeito que as coisas andam, deveriam mudar a data de Finados para o dia 29 de outubro.

sexta-feira, outubro 20, 2006

Petecas

Teresina é a capital do Piauí. Estive lá uma vez e a fiquei com a nítida impressão de que o diabo era de lá. Aí alguém me falou que ele não agüentou o calor e criou o inferno para se refrescar.
As saunas da cidade funcionam com ar condicionado e gelo seco. A água da ducha holandesa, por exemplo, tem que ser resfriada. Quando está gelada tem algo como 32 graus.
Fogão lá é artigo de luxo, sendo completamente desnecessário. Para assar, basta deixar o prato à temperatura ambiente. Para fritar, basta colocar uma frigideira no asfalto. E tem que vigiar para não torrar.
As cadeiras e espreguiçadeiras de hotel - aquelas de plástico, que ficam em volta da piscina - são deixadas à sombra. E tem que tomar cuidado na hora de usá-las, pois elas ficam pelando mesmo assim. As que são esquecidas ao sol derretem em poucos minutos.

Mas isso não tem nada a ver com o peixe. Ou melhor, com a revista. É que comprei uma revista chamada piauí. E é piauí assim mesmo, sem maíuscula.
A piauí é uma das melhores coisas que apareceram nas bancas nos últimos tempos, principalmente para quem gosta de ler. Os textos são ótimos, ricos, variados. Trazem histórias peculiares de pessoas comuns, entrevistas inusitadas, artigos bem-escritos. É uma grande e variada fonte de informações diferentes e gostosas de se ler.
Nela tem até algo sobre o Piauí. É um artigo que conta como o Badminton, um esporte cheio de petecas, começou a ser praticado em Teresina. Entre outras coisas, descobri que as petecas do Badminton são feitas com penas de ganso, e que as da asa esquerda são as melhores.

quarta-feira, outubro 11, 2006

Apresento a vocês o candidato ideal à presidência da república: o nonno. Só que você não vai achar um link neste post, já que este post não tem link, só texto. Resumo textual do vídeo: com sotaque carregado, um senhor mafioso fala sobre suas propostas de governo. Fim.

terça-feira, outubro 10, 2006

Battle Bands

segunda-feira, outubro 09, 2006

Olha aqui o que eu achei.
Rápido, rápido, arrume um espelho para a Marta


Para mim, foi a parte mais engraçada do debate de ontem. Na entrevista pós-debate, a Marta Suplicy, com a face 80% paralisada por causa de Botox, um olho que não funciona direito e a pele toda repuxada por uma série inimaginável de cirurgias plásticas, ironiza o Alckmin apelidando-o de "candidato de plástico".

sexta-feira, outubro 06, 2006

Melhor Assim?



Quantas frases joguei fora hoje? Tantas que perdi a conta. Ou menos, já que não contei pra saber. Mas eram várias. Algumas até começavam bem, mas não sustentavam outras para que juntas se fizessem textos ou ao menos parágrafos. Ou um, que fosse. E foi. Foi-se embora no limbo afora. Agora, as frases que jogamos fora não mais agonizam amassadas numa lixeira. Lixeira que estava sempre mal-colocada quando queríamos três pontos. Não marcamos mais três pontos com o que vilipendiamos. Simplesmente deletamos e pronto. Mas que pronto, se nada se apronta? Ficamos com o mesmo vazio. E nem ao menos temos a medida de nosso esforço inútil escancarada numa pilha de papel amassado.
E ainda dizem que estamos melhor assim.

quinta-feira, outubro 05, 2006

Quem sempre quis ver o Bush morto não pode deixar de ver este filme.

sexta-feira, setembro 29, 2006

Vote Brazil



Definitivamente, eu não consigo botar fé em candidato cujo adesivo eu vejo colado em carro importado. Diz, o problema são eles ou sou eu?

No mais, eis a minha dica para votar no domingo.

E boa eleição. ; )

quinta-feira, setembro 28, 2006

Cachorrada



Cachorro de apê me dá dó. Animal de corpo inteiro, mas alma capada. Para mim, bicho atrofiado. Não mais cão de guarda, caça, pesca, nada. Só bibelô, brinquedo à energia solar. Coisa de gente. Gente, ser humano me dá nojo, sabe? Não evolui nunca e ainda fode todas as outras espécies do lugar. Sempre. Tomara que só as baratas mesmo resistam ao hecatombe. Debaixo da terra, no meio da merda, eu vou gostar.
Lapso



Olhe, veje só: eu estávamos pensando que precisei contar uma história de pequena muita, mas eu se lembro que talvez não seremos fácils de lembrança esta. O fato é que nós pensava, pensava e já iu da cabeça, mas a gente coça e ainda quero se lembrar-me eu mesmo. Que é, então? Então. Eu era junto e de repentemente se viu só de tanto que falou de grátis e sem custódia nenhuns. É o preço que a gente pagarei por fechar-me a visão. Ah, a visão, que coiso sem igual, não será? É umas penas que a lágrima salga, das vezes, somente das vezes, o que era doce e se acabou-se.
E digarei mais. Basta um tempo ligeiro para que agora estamos eu aqui com este meu amigo ninguém que me bastará ontem, não que eu queira se gavar. É pura e simples mente insana que girava e rodopiava sem nunca saberei de nada além de tudo. Me falta faz a razão que me falta, mas eu ser só a metade emoção boba que não consigo andar reto, por isso eu se perdo. É, sim. É assim.
Fim.

terça-feira, setembro 26, 2006

Avalanche



Eu me vejo lá de cima, fora do corpo, e sou só um pontinho na neve. Um bip fraco me traz de volta. O relógio congela por baixo da manga de Gore-Tex, avisando que certas coisas têm data e hora inexatas. A falta de ar dá enjoo, seguro o vômito, levanto o queixo, respiro, aperto os olhos tentando lembrar de alguma coisa, qualquer coisa, do gosto de sangue, do primeiro grito de gol, daquela menina no ônibus. Nada. Com o jogo já perdido, puxo uma gavetinha do fundo da consciência e dali sai a visão do impacto. A avalanche vai me pegar de frente, distraído, olhando o sol. Só dá tempo de girar os olhos sessenta graus à esquerda.
Câmera lenta.
Silêncio.
A parede gigante vem crescendo, sussurrando consigo mesma, tranqüila e impassível como Bruce Lee. Um batuque de candomblé martela nos ouvidos, desliza pelo canal auditivo e tamborila no coração, que bate com violência, mas sem ritmo. Eu quero sentir medo, só que o medo não vem, acho até que ensaio um suspiro, como os suicidas durante o salto ou os elefantes quando pressentem o tiro.
De repente, o mundo fica branco. Depois vermelho. Depois verde. O corpo não se desloca, mas a terra sai do eixo. Então as lembranças explodem: cheiro de pão caseiro, Merthiolate na ferida, bicicleta com vento no rosto, apito de panela de pressão, tapa na mão, soluço engasgado, saudade, muita saudade, saudade doída, daquelas quando a gente é criança demais e não sabe o motivo, só sente.
Foi num piscar de olhos, tempo suficiente para uma seqüência de tapas na cara. Bem feito para mim, tomara que ninguém me encontre, nunca mais, nem as melhores equipes de resgate da Sessão da Tarde. Virei picolé azedo, piada sem graça.
Morri de tristeza, ali, no branco dos teus olhos.

segunda-feira, setembro 25, 2006

Será?



Será que as pessoas acham que as mensagens pps que elas repassam com lições de vida do Bill Gates, do Lincoln ou do Freddie Mercury vão mudar as suas vidas medíocres - ou a minha?
Será que as pessoas pensam que o que outros pensaram é o suficiente para eximi-las de pensar?
Será que as pessoas realmente se emocionam com fotos de flores e de sorrisos de criança tão mal e porcamente concatenados e ainda por cima embalados por uma musiquinha irritante, quando deveriam estar se emocionando com flores de verdade ou com os sorrisos sinceros de seus filhos, netos, irmãos, cônjuges ou outros entes queridos?
Será que as pessoas pensam que eu, que professo a minha fé de maneira absurdamente particular, vou me incomodar com o castigo divino de não repassar um e-mail qualquer que me fale de Deus, Buda, Jesus ou Plutão - que mesmo entrando para a segunda divisão do nosso Sistema Solar ainda é deus olímpico pra algum romano do tempo do epa?
Será que as pessoas acham que o meu voto vai mudar só porque alguém escreveu que o candidato X é tudo aquilo que eu já sei e que a Globo é do mal e que está provado que o candidato Y está na frente e que as pesquisas mentem e que você não sabe o que eu estou passando, quando o meu voto, ainda que inútil, é secreto e eu mesmo o fabrico com um pouco de discernimento e mais um tanto de informações não-confiáveis de meios um pouco mais confiáveis do que estes e-mails escritos por quem não sabe escrever?
Será que as pessoas pensam que eu estou assim tão preocupado com o meu orkut pra acreditar que a Folha e o Estadão noticiaram que se eu não repassar esse e-mail pra vinte e três pessoas e meia vou ser deletado da vida no nada e ainda por cima ficarei sem saber quem entra ou sai do meu perfil mesmo que este alguém esteja invisível ou algo estapafúrdio assim?
Será que as pessoas não poderiam simplesmente repassar e-mails de mulher pelada e pronto?

quinta-feira, setembro 21, 2006

Encontrado o bebê mais velho do mundo


Kindengarten Baby Jr foi encontrado ontem ao Norte da Etiópia. Ele estava meio morto depois de passar os últimos 3,3 milhões de anos entre pedregulhos e sedimentos fossilizados no leito de um rio seco. Ele foi parar lá provavelmente devido a uma forte enxurrada nos tempos em que o homem era mais parecido com um chimpanzé (se bem que o Bush é mais parecido com um chimpanzé do que a própria Chita, então isso não quer dizer muita coisa). Apesar de meio esquelético, Baby Jr está em ótima forma.
Seja Alguém, Vote Em Ninguém



Você percebe que está ficando velho quando lembra que já viu uma Plebe Rude um pouco diferente tocando esta mesma música em um programa chamado Perdidos Na Noite, comandado por um Fausto Silva também um pouco diferente, ou muito.

Quem viu? Eu não. Nunca. E se mais alguém que também nunca viu quiser ver, hoje os caras tocam no Jokers, lançando disco novo e tudo.

quarta-feira, setembro 20, 2006

Entendendo o fanatismo religioso
Entrevista com Islamabah Ali Islamabah

- Você se considera violento?
- Não.
- Você respeita o Papa?
- O antigo sim, que está morto.
- Você ficou chateado com o que o Papa disse?
- É bom ele andar olhando para trás.
- Como assim? Tipo o Michael Jackson?
- Estás zombando da minha cara, infiel?
- De modo algum. Ehr? você cometeria algum ato radical?
- Radical é deixar viver quem ironiza minha fé.
- Dizem que o Papa é pop. E Maomé o que é?

(câmera mostra Islamabah cortando a língua do repórter e acionando uma granada, que explode antes da resposta).

sexta-feira, setembro 15, 2006

"Da Lama Ao Caos, Do Caos À Lama"
ou
"blá blá blá blá" - em 3 movimentos.




Terceiro movimento - Serra gaúcha

Sendo tri direto: vá à serra gaúcha de carro, dirija 8 horas de Curitiba até Caxias do Sul, saia cedo, entre na serra ainda de dia, fique bobo com a paisagem, estique até Gramado. Ainda: vá no inverno, passe um frio do caralho, veja o Festival de Cinema (Agosto), chame o Antônio Fagundes de caminhoneiro e passe na lojinha de cinema do Gio. Tem camiseta, caneco, cadeira de diretor, etc. Vá na Rua Coberta, passe mais frio, pague caro por um cappuccino, compre vinho barato, fique bêbado e xingue o Fagundes de novo. Durma pouco, faça tudo de novo e dessa vez xingue a Regina Duarte. Queime a língua no chimarrão e volte pra casa com um monte de coisinhas de lã que você nunca mais vai usar. Bah, chega.

quinta-feira, setembro 14, 2006



Vai, escreve você sobre essa imagem, uma versão, uma teoria, uma visão. Eu ainda não consegui.