quinta-feira, dezembro 28, 2006

O Mario tinha razão.

domingo, dezembro 24, 2006


Post de Natal do kowalski


D´us abençoe a todos nós, porque 2007 vem aí com fúria redobrada. Quem tem olhos para ler e ouvidos para ouvir, que o faça neste texto de um(a) Pessoa especial - O Guardador De Rebanhos Alberto Caeiro. Feliz Natal. É o desejo nítido e sincero deste vosso amigo de sempre - DR.




Num meio-dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
Com
flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.

(...)
Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o sol
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.

Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.
(...)

A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.
(...)

Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo um universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.

Depois eu conto-lhe histórias das cousas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos-mares.
(...)

Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.

Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate as palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.

Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.

Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há-de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?

08-03-1914

quinta-feira, dezembro 21, 2006



Bichos Escrotos
Titãs

Bichos,
saiam dos lixos
Baratas,
me deixem ver suas patas
Ratos,
entrem nos sapatos
Do cidadão civilizado
Pulgas,
que habitam minhas rugas

Oncinha pintada,
Zebrinha listrada,
Coelhinho peludo,
Vão se foder!
Porque aqui na face da terra
Só bicho escroto é que vai ter!

Bichos escrotos, saiam dos esgotos
Bichos escrotos, venham enfeitar

Meu lar,
Meu jantar,
Meu nobre paladar

PS: Há alguns meses, num fim de tarde, chegando de avião em Brasília, meu instinto mandou ligar o iPod no volume máximo e ouvir essa música. Sei lá, a imagem da Esplanada dos Ministérios aumentou em 91% meu nojo pelos bichos escrotos.
Histórias Malcontadas II - Versão post de Natal


A noite só não estava mais escura pois havia no céu (onde mais?) uma grande e brilhante estrela cuja luz patinava pelos lagos congelados da Lapônia (que não é um anagrama de Polônia). O frio era de fazer fogo pegar gripe, e de trincar o saco de quem não usava cueca de lã. Por falar em saco, a data era especial: véspera de Natal. Estava marcada para o dia seguinte a cesariana da mãe de Hagios Nikolaos, futuro bispo de Myra, na atual Turquia. Como apenas uma rena bêbada sabia, o pequeno Hagios mais tarde viria a se tornar um velho boa praça e amigo das crianças, eternizado como Saint Nicholas, Santa Claus ou apenas Santa para os entendidos.
Os pais de Nikolaos eram gregos, mas ele acabou nascendo na Lapônia pois na Grécia as parteiras não se entendiam - pareciam falar grego - e a operação corria um grande risco de dar errado. Ao nascer, porém, o pequeno e barbudo Nikolaos disse em alto e bom som - ainda que com uma voz meio efeminada - a célebre frase: ?Vinde a mim as criancinhas?. Em seguida pôs uma mão no saco e outra na nuca, deu umas reboladas meio estranhas e saiu da barriga da mãe andando para trás num passo nunca antes visto nem por Abraão nem por Abrantes, os enfermeiros de plantão.
Até hoje, dois mil e tantos anos depois, esta estranha história é passada de geração para geração através do arcaico sistema de telefone sem fio. Um sistema, digamos, não muito confiável e cheio de ruídos, que tranformou por exemplo uma irretocável melodia chamada "Just beat it" em uma sinistra (cheia de sinos, para os menos letrados) composição chamada "Jingle Bells". Acredite se quiser. E ho-ho-ho para todos.

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Eu, hein.

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Kronos e a Arma Temporal



Num típico final de história em quadrinhos, ele se vê dependurado na beira do precipício, com apenas uma das mãos a lhe sustentar o corpanzil atlético de mais de 100 quilos. No topo, com pose de "já ganhei", o vilão maquiavélico conhecido como Kronos gargalha enquanto pisoteia a mão do pobre herói.
- Ainda não entendi o seu plano, Kronos - grita o herói, na esperança de ouvir os delírios megalomaníacos do cara do mal e assim ganhar tempo para usar o equipamento secreto oculto no solado falso de sua bota de herói.
- É simples, Ultra-Dude! Eu vou parar o tempo com a minha arma temporal e assim roubar todos os bancos do planeta. Uahuahuahuah! - gargalha Kronos qual nerd analfabeto navegando pela internet.
Ultra-Dude também ri. Só mais um segundo daquela ladainha de vilão e ele conseguirá alcançar o seu ultra-canivete-suiço, com direito a mini-cóptero, gancho de escalada e outros parangolés capazes de permitir uma escapada pirotécnica para tão vexatória situação.
- Tempo esgotado, Ultra-Dude.
Um pisão a mais e a mão do nosso herói desprende-se da beira do abismo. Ultra-Dude começa a cair em direção às rochas pontiagudas lá embaixo. Num giro rápido, ele alcança a sua bota. Num click, o fundo falso cai. O canivete pousa em sua mão. Agora é só... prungft!
A queda levou menos tempo do que Ultra-Dude esperava. Naquele instante, seu canivete deixou de ter função. Talvez ainda tenha num futuro próximo, quando o pessoal do IML tentar tirar o corpo do pobre Ultra-Dude, empalado nas rochas - afinal, o ultra-canivete-suiço tem também formão, pá e saca-rolhas.
Kronos gargalha ainda mais alto. E olha para o relógio, ansioso por ver o tempo parar. A arma temporal já está engatilhada. Um leve toque no botão principal e pronto - o tempo freia mais rápido do que perua em carro importado ao ver sinal amarelo. Tudo imóvel. Parado. Atemporado.
O que Kronos não previa, em seu plano mirabolante e perfeito, é que ele também ficaria parado quando o tempo deixasse de passar.
Por conta disso, ninguém foi roubado. Nem preso. Nem enterrado com honras de super-herói. Tudo porque o tempo continuou parado. De vez. Para sempre. E fim, até porque não tenho mais tempo pra enrolar com essa história.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Ligue a pessoa ao CD:





Obs.: cada CD acima foi encomendado por, pelo menos, um membro do staff Meditabundas, no tradicional (mas já extinto) Amigo CDcreto. Quem com qual? Ligue o nome ao som e tasque a sua conexão nos comentários. A resposta virá em breve, nos mesmos comentários. Quem acertar tudo ou chegar mais perto ganha um "muito bem, Flipper!".

E a resposta é: 1e; 2c; 3f; 4d; 5b; 6h; 7g; 8a.

terça-feira, dezembro 12, 2006

Cu Ritiba Tu Rística V

Sim, depois de mais de três anos de ausência injustificada, está de volta o roteiro de comilanças mais gostoso do sul do cu do mundo. Para saber quais foram as dicas anteriores, dá-lhe Google que você volta no tempo e chega lá. Mas agora, o papo é cá.



Lanchonete Montesquieu

Um dos mais famosos e desconhecidos lanches da cidade está aqui. Famoso porque todo curitibano que não se preza conhece o principal prato da casa, mimosamente chamado de X-Montanha. Desconhecido porque se depender do nome francês do lugar, ninguém vai saber que estamos falando do estabelecimento pilotado pelos japoneses Álvaro e Seu Zé. Pois é justamente desta salada que nasceu o já citado sanduíche, singelamente preparado com pão, alface, tomate, bolinho de carne e um risólis inteiro (e preferencialmente acompanhado por uma gasosa de framboesa). Resumindo: diliça. Uma verdadeira unanimidade na vizinhança - formada quase que exclusivamente pelos nerds e nerdas do (ex-)CEFET-PR - e em todos os cantos sujos da cidade por onde circulam gentes como eu.

> Sêlviço: Lanchonete Montesquieu - Av. Silva Jardim, em frente a UTFPR, Centro, Curitiba, PR.

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Nem Mesmo o Frio



Ela vagava devagar entre divagações e vaga-lumes. À luz da lua, o lago lembrava uma lúgubre laje sepulcral. Ali, alienada pelas aliterações, ela limitava-se a lançar pedras na água, buscando quebrar aquele efeito funéreo feito de reflexos prateados. De repente um medo. Medo de que as pedras estivessem quebrando aquele túmulo lacustre. Medo de que, a qualquer momento, o defunto de um afogado emergisse das águas agitadas em busca de vingança ou de qualquer outro clichê de filme de horror.
Parou. Olhou ao redor. Nada. Nada além do coaxar de sapos inabaláveis diante da breve turbulência aquática. Nada além de alguns faiscantes e frustrados vaga-lumes, incapazes de rivalizar com a luz da lua. Nada além dela, pés descalços, vestido branco, tristeza opaca.
Pousou um pé na água e não soube dizer se estava fria. Devia estar. Mas não sentia. Nada. Vasculhou sua memória recente em busca de uma sensação qualquer. Qualquer frio, calor ou mesmo dor. Não achou. Assim como não se achou ao buscar seu reflexo na água.
Então compreendeu porque a lúgubre analogia entre lago e lápide. O defunto afogado era ela. A busca por vingança ou qualquer outro clichê de filme de horror era a sua. Mas estava só, sem ninguém para assombrar. Voltaria a se deitar em sua tumba subaquática. Sozinha. Sem nem mesmo o frio para lhe fazer companhia.
Rumo A Tóquio!!!



Flávio, Peter, João Paulo, Edmílson, Eltinho, Pierre, Batista, Beto, Sandro, Cristiano, Leonardo (e Caio Júnior): obrigado, obrigado, obrigado, obrigado, obrigado, obrigado, obrigado, obrigado, obrigado, obrigado, obrigado (e obrigado)!

sexta-feira, dezembro 01, 2006

SuperYouTube



Este post começou com um e-mail do meditabundo Kornellius (quem?). Ele lembrou que num passado remoto eu tinha comentado sobre o seriado japonês do Homem-Aranha - é isso mesmo, seriado japonês do Homem-Aranha. No mesmo e-mail veio o link pra abertura do tal seriado. Em retribuição (inútil), enviei o link pra versão live-action (e muito tosca) dos Thundescats. E então, no meio de tais tosquices, eu comecei a pensar em outras tantas que povoaram o nosso imaginário infanto-juvenil. Não vou nem falar do Batman e da gostosa da Batgirl (que teve até um episódio piloto - cancelado antes de virar seriado próprio), ou da sensacional redublagem conhecida como a Feira da Fruta. Preferi pinçar coisas um pouco mais esquecidas, como o seriado (americano) do Homem-Aranha ou aquele do Shazam e da Ísis. Já o seriado da Mulher-Maravilha era famoso, mas será que você sabia que antes da Linda Carter havia outra Mulher-Maravilha, só que loira? E o que dizer do seriado do Capitão América motoqueiro? Pior ainda é descobrir que o Hulk, já em fim de carreira, enfrentou o (Não-Tão) Poderoso Thor (ou seria Thoscor?). E alguém aqui é capaz de lembrar que, bem antes de Smallville, as aventuras do SuperBoy eram assim (com direito inclusive ao vilão Bizarro)? Mais recente (e mesmo assim bem ruim) foi o seriado do Flash. E há pouco cancelaram, antes mesmo de ir por ar, o seriado do Aquaman. Ok, tudo isso é mais ou menos conhecido. Mas existem obscuridades maiores, como esta Liga da Justiça, este SuperPup, esta Geração X (qualquer relação com os X-Men é mera relação) e as inacreditáveis Electra Woman and DynaGirl. Chega de coisa ruim? Não? Então o que dizer do Quarteto Fantástico? Sim, antes do blockbuster hollywoodiano, o diretor-produtor-faz-de-tudo-um-pouco Roger Corman conseguiu os direitos pra produzir esta bomba que nunca foi lançada. Falando em bomba, lembra que tempos atrás conseguiram fazer um filme do He-Man pior ainda que o desenho? Vida um pouco melhor os heróis tiveram em comerciais, seja usando cartão de crédito (Visa ou American Express?) ou bebendo leite. As paródias, é claro, vão desde um Wasssup dos SuperAmigos até o divertido trecho da série Family Guy com o Superman e a Mulher-Maravilha. Mas nada no mundo supera os Trapalhões posando de super-heróis.

quinta-feira, novembro 30, 2006



Garota do Fogo

Pego a sombra e a luz e faço você. Determino tua simetria com a ponta dos dedos, num desenho simples, infantil e sincero, como as coisas simples, infantis e sinceras têm de ser. Boto fogo nos teus cabelos. O vermelho me atrai. Respiro fumaça e te beijo na boca. Nessa hora o mundo gira ao contrário, o ardido não dói, a xícara descai, as palavras se desescrevem, desescrev, desesc. Concentre-se na vertigem e suspire. Agora você consegue sentir o bem e o mal, o certo e o errado, doce e salgado, riso e choro. Tua pele é folha em branco onde meu calor te escreve com grão de ardósia, tabaco, pimenta e perfume.
Eu posso ler tudo em você, exatamente na altura do teu colo. Tateio feito cego em braile e descubro Baudelaire em todos os teus poros. Tua cor de neve incendeia meu sofá, bagunça minhas gavetas, acorda meus vizinhos. Este é o momento, esta é a hora em que as horas não têm mais sentido, mas nós temos. E usamos o sexto para subverter, pilhar, massacrar, porque a vida é uma só, o sapato aperta e o padeiro não tem troco. É preciso correr na grama e perder o fôlego, enfim. No fim, eu seguro tua mão e está tudo bem. E você agradece.
Ei, obrigada.
Ei, de nada.

quarta-feira, novembro 29, 2006

Olhos Além do Vazio



O vazio, o oco, o nada era dotado de olhos. Olhos que olhavam para além dali. E num olhar avançavam fugindo da opressão daquele zero feito vida. Mas eram só olhos. Nenhuma perna para escapar. Nenhuma mão para puxar o corpo. Nenhum corpo para deixar o oco. Apenas olhos que viam o que havia além dali. E havia tudo. E tudo era tanto para aqueles olhos. E mesmo no vazio, de quando em quando os olhos se viam cheios. De lágrimas.

segunda-feira, novembro 27, 2006



Mensagem do Kramer:
"Nego Lee, parabéns pelo teu aniversário. Como você viu três posts abaixo, gosto muito da tua raça. Sucesso."

sexta-feira, novembro 24, 2006

Pergunta da semana

Por que você deve ser mantido no emprego?

quinta-feira, novembro 23, 2006


De vez em quando eu entendo por que certas pessoas entram em escritórios ou salas de aulas nos EUA atirando em todo mundo. Não é fácil agüentar a imbecilidade de alguns americanos. Os carinhas do colégio, como aqueles de Columbine, por exemplo, além de terem um parafuso a menos, com certeza eram zoados de todas as formas por seus coleguinhas mais ricos, mais bonitos, mais garanhões ou mais bacanas no esporte, o que é a mesma coisa. Não que isso não aconteça por aqui. Acontece. Mas é que lá, não sei, deve ter algum hormônio estranho nos hambúrgueres ou nos milk shakes, ou algum vírus hereditário, que torna as pessoas mais inseguras e que potencializa o rancor, o ódio, a sede de vingança. E como lá se compram armas como se compram sanduíches do McDonalds, o resultado é uma sociedade cada vez mais paranóica. Uma sociedade que perdeu completamente a referência de valores e permite, por exemplo, que a TV passe filmes de violência explícita na sessão da tarde e, na mesma TV, proíbe que apareçam singelos seios de mulher. Quando mostram ao vivo um cara cortando o braço de outro, isso é legal. Quando numa transmissão ao vivo, um dos peitos da Janet Jackson saltou para fora do vestido, virou caso de segurança pública, tanques nas ruas, toque de recolher, presidente se explicando na TV e o escambal.
E, em vez de melhorar, a coisa toda só piora. Já tinham processado um piá de 4 anos por assédio sexual. E olha que tudo que ele fez foi beijar a coleguinha no rosto.
Tempos atrás, alguns estados dos EUA (Esquizofrênicos Unidos da América) proibiram que mães amamentassem seus filhos em locais públicos. Para os imbecis que aprovaram a tal lei, amamentar um filho deve ser uma visão do inferno. Tem que mandar prender esses caras. Tem que, no mínimo, interná-los em clínicas psiquiátricas e ficar dando choque para ver se o cérebro pega no tranco. Mas acho que não pega.
Na última segunda-feira, uma mulher foi obrigada a deixar um avião da Delta porque estava amamentado o seu filho. É sério, acredite. A mulher foi expulsa do avião.
Não sei se o avião estava no ar, mas do jeito que esses caras são eu não duvido nem um pouco.

Mídia gratuita

O Kramer do Seinfeld virou notícia esta semana ao ofender com comentários racistas alguns negros que assistiam à sua apresentação. O negão disse que ele não era engraçado e o Kramer perdeu a cabeça. Como tudo que é polêmico vira dinheiro para a mídia, o sujeito já foi convidado para aparecer no Late Show do David Letterman. E o pessoal da CBS não perdeu tempo colocando no You Tube um teaser da entrevista do sujeito sem graça, finalizando alguns trechos da resposta com "Não perca a entrevista inteira hoje no programa do Dave". Programa que, aliás, é a fonte de inspiração do Jô.

sexta-feira, novembro 10, 2006

Histórias Malcontadas - II



Deu nos jornais científicos e nem tanto de todo o mundo ou nem tanto: "Cérebro humano herda gene de Neandertal." Como todos ou nem tantos sabem, a Ciência e a História nem sempre se dão bem. Quando uma diz uma coisa a outra vai lá e desdiz. Isso porque nem todo acontecimento foi arquivado sob os olhares austeros da PricewaterhouseCoopers. Então vez por outra um fato da História é contestado pela Ciência. No caso da Bíblia, por exemplo, a Ciência mudou o maior best-seller do mundo de seção, achincalhando a versão dos 7 dias com uma história bem mais demorada. Mas isso não vem ao caso. O caso é que, apesar das inúmeras tentativas de separar os Homo sapiens dos hominídeos arcaicos, toda a teoria veio abaixo com a descoberta do tal do gene em nosso cérebro. Veio mais abaixo ainda quando simularam a foto de um Neandertal e viram que era a cara do Lenine.

sexta-feira, outubro 27, 2006

O Bom e o Melhor



A noite caia como uma espinha de peixe não digerida derrubada por uma gaivota em pleno vôo, ainda que ele não soubesse como caem as espinhas de peixe não digeridas derrubadas por gaivotas em pleno vôo.
Parado diante da analogia tacanha, segurando o riso nas entranhas, ele esperava pela mulher de sua vida. Somente o autor, no caso eu, e agora o leitor, no caso você, faziam companhia ao pobre homem quando o tiro ecoou e a rua já silenciosa silenciou de todo. Ele desejou entrar no prédio dela, mas não podia interfonar e correr o risco do pai atender e lhe soltar os cachorros, ou um balde de água fria, via terceiro andar, direto em seu tão calculado traje. Ainda se fossem espinhas de peixe, para que ele pudesse saber a razão da tal analogia com o cair da noite...
Mas não, não tinha para onde correr. Não tinha carro nem garelli. Poupava para isso, mas o serviço lá no seu Nilso (só pra rimar) pagava mal. E depois, as noites com Eunice nunca eram baratas. Muito pelo contrário. A mocinha gostava do bom e do melhor. E ainda não tinha liberado o bom e o melhor para ele. Talvez esta noite, não fosse o tiro.
Deitar no chão. Em algum lugar, alguém ou alguma coisa falou para se deitar no chão durante um tiroteio. Era feio, mas fazer o quê?
Foi quando viu os sapatos. As pernas bem torneadas. A saia curta. Os seios fartos a delinear a blusa justa. E antes de chegar ao rosto assustado de Eunice, algo parecido com um macaco hidráulico já o colocara de pé. Sempre de pé. Culpa da Eunice, que não liberava o bom e o melhor.
- Um tiro, querida...
E ao falar, como um imã, atraiu novo disparo. E novamente pôs-se aos pés de seu amor. Foi quando o corcel podre passou, com seu escapamento explosivo. Definitivamente, o bom e o melhor ficariam para outra vez. Ou para nunca mais.

quarta-feira, outubro 25, 2006


Finados

Do jeito que as coisas andam, deveriam mudar a data de Finados para o dia 29 de outubro.

sexta-feira, outubro 20, 2006

Petecas

Teresina é a capital do Piauí. Estive lá uma vez e a fiquei com a nítida impressão de que o diabo era de lá. Aí alguém me falou que ele não agüentou o calor e criou o inferno para se refrescar.
As saunas da cidade funcionam com ar condicionado e gelo seco. A água da ducha holandesa, por exemplo, tem que ser resfriada. Quando está gelada tem algo como 32 graus.
Fogão lá é artigo de luxo, sendo completamente desnecessário. Para assar, basta deixar o prato à temperatura ambiente. Para fritar, basta colocar uma frigideira no asfalto. E tem que vigiar para não torrar.
As cadeiras e espreguiçadeiras de hotel - aquelas de plástico, que ficam em volta da piscina - são deixadas à sombra. E tem que tomar cuidado na hora de usá-las, pois elas ficam pelando mesmo assim. As que são esquecidas ao sol derretem em poucos minutos.

Mas isso não tem nada a ver com o peixe. Ou melhor, com a revista. É que comprei uma revista chamada piauí. E é piauí assim mesmo, sem maíuscula.
A piauí é uma das melhores coisas que apareceram nas bancas nos últimos tempos, principalmente para quem gosta de ler. Os textos são ótimos, ricos, variados. Trazem histórias peculiares de pessoas comuns, entrevistas inusitadas, artigos bem-escritos. É uma grande e variada fonte de informações diferentes e gostosas de se ler.
Nela tem até algo sobre o Piauí. É um artigo que conta como o Badminton, um esporte cheio de petecas, começou a ser praticado em Teresina. Entre outras coisas, descobri que as petecas do Badminton são feitas com penas de ganso, e que as da asa esquerda são as melhores.

quarta-feira, outubro 11, 2006

Apresento a vocês o candidato ideal à presidência da república: o nonno. Só que você não vai achar um link neste post, já que este post não tem link, só texto. Resumo textual do vídeo: com sotaque carregado, um senhor mafioso fala sobre suas propostas de governo. Fim.

terça-feira, outubro 10, 2006

Battle Bands

segunda-feira, outubro 09, 2006

Olha aqui o que eu achei.
Rápido, rápido, arrume um espelho para a Marta


Para mim, foi a parte mais engraçada do debate de ontem. Na entrevista pós-debate, a Marta Suplicy, com a face 80% paralisada por causa de Botox, um olho que não funciona direito e a pele toda repuxada por uma série inimaginável de cirurgias plásticas, ironiza o Alckmin apelidando-o de "candidato de plástico".

sexta-feira, outubro 06, 2006

Melhor Assim?



Quantas frases joguei fora hoje? Tantas que perdi a conta. Ou menos, já que não contei pra saber. Mas eram várias. Algumas até começavam bem, mas não sustentavam outras para que juntas se fizessem textos ou ao menos parágrafos. Ou um, que fosse. E foi. Foi-se embora no limbo afora. Agora, as frases que jogamos fora não mais agonizam amassadas numa lixeira. Lixeira que estava sempre mal-colocada quando queríamos três pontos. Não marcamos mais três pontos com o que vilipendiamos. Simplesmente deletamos e pronto. Mas que pronto, se nada se apronta? Ficamos com o mesmo vazio. E nem ao menos temos a medida de nosso esforço inútil escancarada numa pilha de papel amassado.
E ainda dizem que estamos melhor assim.

quinta-feira, outubro 05, 2006

Quem sempre quis ver o Bush morto não pode deixar de ver este filme.

sexta-feira, setembro 29, 2006

Vote Brazil



Definitivamente, eu não consigo botar fé em candidato cujo adesivo eu vejo colado em carro importado. Diz, o problema são eles ou sou eu?

No mais, eis a minha dica para votar no domingo.

E boa eleição. ; )

quinta-feira, setembro 28, 2006

Cachorrada



Cachorro de apê me dá dó. Animal de corpo inteiro, mas alma capada. Para mim, bicho atrofiado. Não mais cão de guarda, caça, pesca, nada. Só bibelô, brinquedo à energia solar. Coisa de gente. Gente, ser humano me dá nojo, sabe? Não evolui nunca e ainda fode todas as outras espécies do lugar. Sempre. Tomara que só as baratas mesmo resistam ao hecatombe. Debaixo da terra, no meio da merda, eu vou gostar.
Lapso



Olhe, veje só: eu estávamos pensando que precisei contar uma história de pequena muita, mas eu se lembro que talvez não seremos fácils de lembrança esta. O fato é que nós pensava, pensava e já iu da cabeça, mas a gente coça e ainda quero se lembrar-me eu mesmo. Que é, então? Então. Eu era junto e de repentemente se viu só de tanto que falou de grátis e sem custódia nenhuns. É o preço que a gente pagarei por fechar-me a visão. Ah, a visão, que coiso sem igual, não será? É umas penas que a lágrima salga, das vezes, somente das vezes, o que era doce e se acabou-se.
E digarei mais. Basta um tempo ligeiro para que agora estamos eu aqui com este meu amigo ninguém que me bastará ontem, não que eu queira se gavar. É pura e simples mente insana que girava e rodopiava sem nunca saberei de nada além de tudo. Me falta faz a razão que me falta, mas eu ser só a metade emoção boba que não consigo andar reto, por isso eu se perdo. É, sim. É assim.
Fim.

terça-feira, setembro 26, 2006

Avalanche



Eu me vejo lá de cima, fora do corpo, e sou só um pontinho na neve. Um bip fraco me traz de volta. O relógio congela por baixo da manga de Gore-Tex, avisando que certas coisas têm data e hora inexatas. A falta de ar dá enjoo, seguro o vômito, levanto o queixo, respiro, aperto os olhos tentando lembrar de alguma coisa, qualquer coisa, do gosto de sangue, do primeiro grito de gol, daquela menina no ônibus. Nada. Com o jogo já perdido, puxo uma gavetinha do fundo da consciência e dali sai a visão do impacto. A avalanche vai me pegar de frente, distraído, olhando o sol. Só dá tempo de girar os olhos sessenta graus à esquerda.
Câmera lenta.
Silêncio.
A parede gigante vem crescendo, sussurrando consigo mesma, tranqüila e impassível como Bruce Lee. Um batuque de candomblé martela nos ouvidos, desliza pelo canal auditivo e tamborila no coração, que bate com violência, mas sem ritmo. Eu quero sentir medo, só que o medo não vem, acho até que ensaio um suspiro, como os suicidas durante o salto ou os elefantes quando pressentem o tiro.
De repente, o mundo fica branco. Depois vermelho. Depois verde. O corpo não se desloca, mas a terra sai do eixo. Então as lembranças explodem: cheiro de pão caseiro, Merthiolate na ferida, bicicleta com vento no rosto, apito de panela de pressão, tapa na mão, soluço engasgado, saudade, muita saudade, saudade doída, daquelas quando a gente é criança demais e não sabe o motivo, só sente.
Foi num piscar de olhos, tempo suficiente para uma seqüência de tapas na cara. Bem feito para mim, tomara que ninguém me encontre, nunca mais, nem as melhores equipes de resgate da Sessão da Tarde. Virei picolé azedo, piada sem graça.
Morri de tristeza, ali, no branco dos teus olhos.

segunda-feira, setembro 25, 2006

Será?



Será que as pessoas acham que as mensagens pps que elas repassam com lições de vida do Bill Gates, do Lincoln ou do Freddie Mercury vão mudar as suas vidas medíocres - ou a minha?
Será que as pessoas pensam que o que outros pensaram é o suficiente para eximi-las de pensar?
Será que as pessoas realmente se emocionam com fotos de flores e de sorrisos de criança tão mal e porcamente concatenados e ainda por cima embalados por uma musiquinha irritante, quando deveriam estar se emocionando com flores de verdade ou com os sorrisos sinceros de seus filhos, netos, irmãos, cônjuges ou outros entes queridos?
Será que as pessoas pensam que eu, que professo a minha fé de maneira absurdamente particular, vou me incomodar com o castigo divino de não repassar um e-mail qualquer que me fale de Deus, Buda, Jesus ou Plutão - que mesmo entrando para a segunda divisão do nosso Sistema Solar ainda é deus olímpico pra algum romano do tempo do epa?
Será que as pessoas acham que o meu voto vai mudar só porque alguém escreveu que o candidato X é tudo aquilo que eu já sei e que a Globo é do mal e que está provado que o candidato Y está na frente e que as pesquisas mentem e que você não sabe o que eu estou passando, quando o meu voto, ainda que inútil, é secreto e eu mesmo o fabrico com um pouco de discernimento e mais um tanto de informações não-confiáveis de meios um pouco mais confiáveis do que estes e-mails escritos por quem não sabe escrever?
Será que as pessoas pensam que eu estou assim tão preocupado com o meu orkut pra acreditar que a Folha e o Estadão noticiaram que se eu não repassar esse e-mail pra vinte e três pessoas e meia vou ser deletado da vida no nada e ainda por cima ficarei sem saber quem entra ou sai do meu perfil mesmo que este alguém esteja invisível ou algo estapafúrdio assim?
Será que as pessoas não poderiam simplesmente repassar e-mails de mulher pelada e pronto?

quinta-feira, setembro 21, 2006

Encontrado o bebê mais velho do mundo


Kindengarten Baby Jr foi encontrado ontem ao Norte da Etiópia. Ele estava meio morto depois de passar os últimos 3,3 milhões de anos entre pedregulhos e sedimentos fossilizados no leito de um rio seco. Ele foi parar lá provavelmente devido a uma forte enxurrada nos tempos em que o homem era mais parecido com um chimpanzé (se bem que o Bush é mais parecido com um chimpanzé do que a própria Chita, então isso não quer dizer muita coisa). Apesar de meio esquelético, Baby Jr está em ótima forma.
Seja Alguém, Vote Em Ninguém



Você percebe que está ficando velho quando lembra que já viu uma Plebe Rude um pouco diferente tocando esta mesma música em um programa chamado Perdidos Na Noite, comandado por um Fausto Silva também um pouco diferente, ou muito.

Quem viu? Eu não. Nunca. E se mais alguém que também nunca viu quiser ver, hoje os caras tocam no Jokers, lançando disco novo e tudo.

quarta-feira, setembro 20, 2006

Entendendo o fanatismo religioso
Entrevista com Islamabah Ali Islamabah

- Você se considera violento?
- Não.
- Você respeita o Papa?
- O antigo sim, que está morto.
- Você ficou chateado com o que o Papa disse?
- É bom ele andar olhando para trás.
- Como assim? Tipo o Michael Jackson?
- Estás zombando da minha cara, infiel?
- De modo algum. Ehr? você cometeria algum ato radical?
- Radical é deixar viver quem ironiza minha fé.
- Dizem que o Papa é pop. E Maomé o que é?

(câmera mostra Islamabah cortando a língua do repórter e acionando uma granada, que explode antes da resposta).

sexta-feira, setembro 15, 2006

"Da Lama Ao Caos, Do Caos À Lama"
ou
"blá blá blá blá" - em 3 movimentos.




Terceiro movimento - Serra gaúcha

Sendo tri direto: vá à serra gaúcha de carro, dirija 8 horas de Curitiba até Caxias do Sul, saia cedo, entre na serra ainda de dia, fique bobo com a paisagem, estique até Gramado. Ainda: vá no inverno, passe um frio do caralho, veja o Festival de Cinema (Agosto), chame o Antônio Fagundes de caminhoneiro e passe na lojinha de cinema do Gio. Tem camiseta, caneco, cadeira de diretor, etc. Vá na Rua Coberta, passe mais frio, pague caro por um cappuccino, compre vinho barato, fique bêbado e xingue o Fagundes de novo. Durma pouco, faça tudo de novo e dessa vez xingue a Regina Duarte. Queime a língua no chimarrão e volte pra casa com um monte de coisinhas de lã que você nunca mais vai usar. Bah, chega.

quinta-feira, setembro 14, 2006



Vai, escreve você sobre essa imagem, uma versão, uma teoria, uma visão. Eu ainda não consegui.

quarta-feira, setembro 13, 2006

Vera Ficha



Ela desceu do opalão marrom em pleno calçadão de Copacabana, fim de tarde, uma luz dourada refletida nos imensos óculos de sol by Zuzu Angel. Bom, era a Vera Fischer que eu lembrava das sessões do Cine Brasil: maquiagem pesada, cabelão oxigenado, tesudona, pouca roupa e cara de vadia. Foi andando, olhando para os lados, sorrisinho de quem vai fazer putaria. Vai, Vera, vai que eu tô ligado. Foi aos pulinhos para debaixo de uma árvore só para me encontrar. Eu, no caso, era bigodudo e usava calça de tergal boca-de-sino, tipo modelo da US Top de 1977. Ah, vai ser ali mesmo, eu conheço a Vera. Ela me pega pela gola da camisa, chega no ouvido e diz: Upa-lá-lá.
Upa-lá-lá? Upa-lá-lá, Vera Fischer? Puta que pariu! Faz vinte e cinco anos que eu não sonho com você e, quando me vem essa iluminação, você solta uma dessas? Fodeu, espalhou no meu sonho um cheiro de Domingo no Parque, de Bozo, sei lá. Upa-lá-lá o caralho. Vou te contar, viu? Vou é sonhar com a Maitê Proença, chupando pirulitinho, minissaia mostrando o rabo e tal.
Fazer o quê? Eu gosto de mulher mais nova.

terça-feira, setembro 12, 2006

Caçado



Logo à frente a estrada descrevia um "Z" serifado, com curvas de 90 graus que só mesmo o carro do Automan para conseguir vencer a mais de 60 quilômetros por hora. Seguiu mais devagar, já que não possuía nenhum veículo repleto de néons azulados desenhados por um cursor de computador. Mas não tão devagar assim, pois sabia que estavam nos seus calcanhares, que mesmo não sendo os de Aquiles, revelavam-se frágeis, aliás como todo o resto de seu corpo. Ouviu um baque surdo no topo da serra, e riu da definição do som, pois se o baque era surdo, coitado, não conseguia nem ouvir a si mesmo. Outro baque, bem mais perto, e então a visão do inferno se descortinou à sua frente, com um carro em chamas passando a centímetros do seu para depois continuar rolando desfiladeiro abaixo. Provavelmente aceleraram demais na serifa do "Z". Devem ter explodido no primeiro baque, como todo bom carro de filme americano. Mas aquilo não era filme. E se houvesse final feliz, ainda estava longe. Outros carros se seguiriam aquele. Talvez até mesmo um helicóptero. A razão de tal assédio? Não sei ainda. Talvez num próximo post.
Mini Geschichte



Eu conheço uma mulher chamada Lüge. Por uma deficiência de nascença, ela tem os membros inferiores proporcionalmente menores do que a média natural do ser humano. Chamam a pequena de Alemãzinha, olha só, que dó.

Ok, eu não conheço uma mulher assim não. Vocês descobriram, eu confesso. É mentira. Tem perna curta, né? A mentira, no caso, não a Lüge. Pegou, hein, hein?

Ah, esquece. Foi ruim.

quarta-feira, setembro 06, 2006


Era um dia frio e chuvoso quando saí de casa. Mas frio mesmo, daqueles em que sai fumacinha até de café morno. E chuvoso mesmo, daquela chuva que chove e molha até quem está dentro de casa. Mas eu já tinha tomado o meu café e já estava lá fora. Saí de japona e gorro de lã, coberto por um sobretudo impermeável, de um cinza quase esverdeado, que o meu pai me havia emprestado alguns anos antes. Eram 8 da manhã e eu estava sozinho na rua, esperando o ônibus amarelo surgir em meio à densa cortina de gotículas e gotonas que despencavam do céu. Foi quando vi passando um boi boiando rua abaixo. A rua era um rio e os sinais piscavam suas luzes laranjas. Ouvia ao longe um soar abafado de buzinas, que pareciam soltar bolhas de ar enquanto gritavam. As luzes dos postes piscavam e eu já não mais sabia se era porque as nuvens deixavam o dia escuro ou se água já interferia nos circuitos. Um poraquê cor-de-lama se enroscou em minhas pernas e ameaçou me dar um choque. Queria pipocas. Eu, claro, não tinha pipocas, mas ofereci um babalu morango no lugar. Ele queria pipocas e foi embora meio puto, mas sem me dar o choque. O ônibus apareceu. Era uma gôndola amarela, com um esquimó vesgo ao volante. Um urso polar de aqualung fazia as vezes de cobrador. A catraca estava quebrada e ele não tinha troco para dez. Desci. Voltei para casa. Liguei o aquecedor e me enfiei debaixo das cobertas. Ao fundo ainda ouvia as buzinas insistentes. Dei um tapa no despertador e dormi.

sábado, setembro 02, 2006

Álbum de Família









Já era tarde quando ela chegou.
Mesmo assim ele pediu alguns minutinhos antes de sair, era jogo rápido, precisava pegar uma coisinha no quarto.
Apesar de ocupadíssima, ela aceitou, vai lá, eu também cheguei atrasada e não posso dizer nada.
Ele passou correndo pela família inteira que estava conversando na sala, subiu as escadas como um raio e foi direto na terceira gaveta do armário. Papéis, papéis...Ah! A caixa de sapatos. Abriu. Elásticos grossos seguravam blocos de fotos antigas. Essa não, essa não. Nossa! Como minha mãe era bonita quando eu nasci. Se eu fosse meu pai eu pegava mesmo, aquele filho da puta. Mas não é essa. Não. Não. Também não. Porra! Como eu ficava engraçado com esse uniforme do colégio. Não, não e não. Carlinha... hum...Cadê, porra, cadê? Marcinha!? Não lembrava dessa! Cadê? Hahahahahaha. Que cabelo ridículo! O que eu tinha na cabeça? Onde foi que eu coloquei? Onde você foi parar? Não. Não. Não. Não. Não. Oh! Bia!...Linda! (beijo)... mas não é você, meu amor. Nem vocês, meus filhos mais lindos do mundo (beijo, beijo). Turma do futebol, não. Turma do pôker, não. Turma da faculdade muito menos. Arrrrrá! Aqui está!
Dobrou a foto, colocou no bolso e saiu nas pontas dos pés para não acordar quem dormia no quarto. A morte o esperava no portão.

E foi assim que Procópio partiu para a eternidade, levando consigo tudo o que realmente importava: uma foto dele abraçadinho com o Pluto, lá na Disney.

sexta-feira, setembro 01, 2006

Manual do Parasitismo - Dicas para fazer um campeão de votos


Se o seu candidato já é um parasita, ele deve dizer:
1. "Ajude-me a continuar trabalhando pelo nosso estado, pela nossa gente."
2. "Quero continuar sendo o seu representante na Câmara."
3. "No primeiro mandato eu entendi como fazer, agora prometo realizar."
4. "Peço mais um voto de confiança para continuar batalhando por você."
5. "20 anos é pouco. Ajude-me a finalizar minha casinha na Suíça."

Se o seu candidato ainda não é um parasita, mas quer ser, ele deve dizer:
1. "Não sou político, vote em mim."
2. "Vou manter o que presta e mudar o que está errado."
3. "Chega de corrupção e mensalão, vote no (nome do candidato)."
4. "Quero limpar a política e honrar o seu voto."
5. "Cansei de trabalhar honestamente. Ajude-me a virar um político."

quarta-feira, agosto 30, 2006

Questã



O adjetivo "fálico" tem contraparte feminina? E qual seria? "Bucetálico"?

terça-feira, agosto 29, 2006

Bran



Bran não gostava do seu nome. Até aí tudo bem, que o nome era lá meio estranho mesmo. Mas Bran não gostava de nenhum nome. Senão já teria trocado, dizia. Até que um dia, no fim de mundo em que vivia, um jornal chegou-lhe às mãos, voando com o vento. Ventão, pra ser mais exato. E naquelas páginas, ele achou o nome de sua vida: Charlie Brown Jr. Ou menos, já que Charlie era meio viado demais e Jr. era meio abreviado demais. Ficou com Brown. E dali pra frente, era só por Brown que ele atenderia.

Qual não foi a surpresa de Brown quando algum entendido metido a metido lhe disse que Brown era marrom em língua de gringo. Marrom da cor do cocô, falou alguém lá no fundo do bar. Alguém que Brown, agora quase Bran de volta, não conseguiu identificar pra quebrar de porrada. E decidiu de pronto voltar a ser Bran, no que o entendido metido a metido concordou com afinco, permitindo-se ainda um pensamento bobinho: ainda bem que o jornal não falava do Pink Floyd.
A VOLTA DO CRI-CRÍTICO


Eu estava no aeroporto quando este livro olhou para mim. Sobre ele havia uma tarja em que se lia: Xis semanas em nº1 na lista do NY Times. Não que americanos sejam minha referência na hora de escolher o que ver, muito menos o que ler, mas a tarja me fez pegar o livro da estante e ler a sinopse. Havia uma teia em sua capa, uma história de um tal deus-aranha em sua orelha e alguns aracnídeos caminhando em sua terceira capa. Por alguns instantes o livro grudou em minhas mãos, mas consegui recolocá-lo novamente na estante. Comprei "Além do Bem e do Mal", do Nietzsche, em seu lugar. Isso não tem nada a ver com a história, a não ser pelo fato de que acabei ganhando o livro do Gaiman alguns dias depois. Ele, aliás, um sujeito que eu apenas conhecia de nome. Sandman, para mim, era um herói feito de areia. Aliás, ainda não sei direito o que ele é, pois sou meio analfabeto em HQs, mas o Neil Gaiman sem dúvida sabe fazer uma história diferente.
Em Os Filhos de Anansi ele narra a saga de um contador americano que vai tentar a vida em Londres. O nome dele é Charles Nancy, mas desde a infância todos o chamam de Fat Charlie, pois ele era meio gordinho. A vida de Fat Charlie começa a mudar quando sua mãe vai pro além e ele descobre que seu pai é um deus meio sacana, que deixou a bicharada toda p. da vida com suas traquinagens e enrolações. Deixou também um irmão que herdou sua divindade e sua sem-vergonhice e que promete atenazar a vida de Fat Charlie até a última das 384 páginas do livro.
Particularmente, acho que a narrativa escorrega em alguns pontos do livro, mas nada que o faça desistir de ler a história, repleta de misticismo africano, figuras estranhas e fatos mais estranhos ainda. Vale a leitura.

sábado, agosto 26, 2006

"Da Lama Ao Caos, Do Caos À Lama"
ou
"Viagem De Férias Seguida De Um Transplante De Fígado" - em 3 movimentos.




Segundo Movimento - Lençóis Maranhenses

Não, esses lençóis não servem para fazer enxoval e não são feitos por um tal de seu Luís, mas prepare-se para ouvir essa piada um zilhão de vezes quando voltar. A mais ou menos 250 km de São Luís, os Lençóis Maranhenses fazem parte de um gigantesco parque nacional protegido pelo Ibama (confira no Google Earth). Uma boa definição do lugar foi feita certa vez pelo Xarape: "é outro planeta". Só estando lá para entender. Dica: leve máquina fotográfica ou arrependa-se para sempre, leve protetor solar ou idem ao item anterior e, por último, aliás, por primeiro, faça o passeio por meio de uma agência de turismo. Você vai em grupo, faz novas amizades e não se perde nas intermináveis dunas. Ok, só sendo uma anta para tanto, mas vai saber, né. Dica 2: compre o pacote completo, fique dois dias e faça também o passeio de barco pelo Rio Preguiças. Aviso: as dunas são lindas, já o município de Barreirinhas (onde você se hospeda) é um lixo, uma vila de pescadores sem estrutura turística. Aí você vai perceber o que a falta de vontade política + família Sarney - investimento em educação são capazes de fazer a um lugar tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza. Dica final: vá estressado, de cabeça cheia e mal humorado. Tudo isso sai na água já no primeiro mergulho, acredite em mim.
Bom passeio.

A seguir: Serra gaúcha.

sexta-feira, agosto 25, 2006

No Fun



Acho engraçado tanta gente achar isso daqui engraçado. A piada é fraca, previsível, longa, modorrenta e chulé. Apresenta alguns micro-lampejos de inspiração e interpretação, e é só. Mas pelas reações e retransmissões, até parece que esses caras (que até podem ter graça, mas não neste infeliz exemplo) reinventaram a comédia e/ou o humor com tal quadro banal.

Pelo jeito, falta mesmo graça na vida e na web (e não, as duas coisas não são a mesma coisa), a ponto de tanta gente conseguir se divertir com tão pouco.

E se tudo isso tem um lado bom, esse lado bom é saber que o mesmo YouTube que tem disseminado tais besteiras também reserva coisas realmente engraçadas, inteligentes, inusitadas e coisa e tal, tal qual isso, isso, isso, isso (legendado) e mais isso (na verdade, dá vontade de colocar tudo que esses caras já fizeram na vida), além disso, disso, disso, disso e disso. E até homenagens tipo isso, montagens espertas tipo isso e coisas antigas nacionais tipo isso e isso (do tempo em que esses caras também tinham graça) e mais isso, isso e até (e por quê não?) trasheirices como isso ou isso. Ufa!

Finalmente, veja isso (versão integral) ou isso (versão global). Também não tem graça (ou tem?), mas entrou porque teve gente que não viu e comentou, no almoço de horas atrás, que não viu, mas gostaria de ter visto.

P.S. - Só porque a gente se comprometeu a não fazer posts só de links, esse post deve ter batido o recorde de links em toda história do Meditabundas.
Esta porra vai voltar a ser o que era


Foi decidido em reunião de cúpula (cu só tem acento quando é proparoxítona) hoje que este blog voltará a ser o bom e velho Meditabundas. Chega de ficar copiando links e colando textos que algum outro imbecil já escreveu. Isso qualquer adolescente babão e "q fala acim falow? huahahuhauha" pode fazer. Então vamos voltar a postar coisas boas, frescas (ui!) e originais. Textos, contos, séries, mentiras, enfim, vamos voltar a ser o que era o Meditabundas antes. Quem não estiver a fim que se foda. Que vá postar batatas em outro blog. O Meditabundas tem que ser original, tem que ser referência e não servir de estacionamento de referências como tem sido ultimamente.
Ficou decidido em reunião de diretoria (foto - os outros macacos não foram), regada a muita costela e a diversas saideiras que isso vai mudar. Daqui pra frente, quem postar links ou textos de outrem terá que se explicar ao Conselho e pagar mais uma rodada de saideiras para todo o staff, ou conquistar mais de 1600 comentários para o seu post.
Enfim, o Meditabundas, a pedidos de muitos leitores indignados, vai voltar a ser o bom e velho Meditabundas, duas vezes blog of note e em breve o blog mais comentado de Plutão. Era isso. Obrigado pela preferência e volte sempre.
Citando (e adaptando) Chico Science: "Uma(s) cerveja(s) durante o almoço é muito bom pra ficar pensando melhor".

quinta-feira, agosto 24, 2006


Pinto-bomba
A história é verídica e aconteceu esta semana. Um sujeito de 29 anos ia embarcar com a mãe para uma viagem de avião. Ao passar pelo raio-x, os fiscais ficaram intrigados com o desenho de um objeto que ele levava na mala e pediram para que ele a abrisse. Para não chocar a mãe e evitar maiores constrangimentos (o que ele levava na mala era um extensor de pênis), o gênio disse que estava levando uma bomba. Por mais que ele tenha sido mal-interpretado (o troço não deixa de ser uma bomba), você pode imaginar a merda que deu. Além de provocar uma situação altamente embaraçosa e virar motivo de chacota do aeroporto inteiro, o cara ainda pode pegar 3 anos de prisão.
Política no Meditabundas

A VERDADE ESTÁ NA CARA, MAS NÃO SE IMPÕE
(Arnaldo Jabor)

O que foi que nos aconteceu? No Brasil, estamos diante de acontecimentos inexplicáveis, ou melhor, "explicáveis" demais. Toda a verdade já foi descoberta, todos os crimes provados, todas as mentiras percebidas. Tudo já aconteceu e nada acontece. Os culpados estão catalogados, fichados, e nada rola.

A verdade está na cara, mas a verdade não se impõe. Isto é uma situação inédita na História brasileira.

Claro que a mentira sempre foi a base do sistema político, infiltrada no labirinto das oligarquias, claro que não esquecemos a supressão, a proibiçãoda verdade durante a ditadura, mas nunca a verdade foi tão límpida à nossa frente e, no entanto, tão inútil, impotente, desfigurada, broxa.

Os fatos reais: com a eleição de Lula, uma quadrilha se enfiou no governo e desviou bilhões de dinheiro público para tomar o Estado e ficar no poder 20 anos. Os culpados são todos conhecidos, tudo está decifrado, os cheques assinados, as contas no estrangeiro, as provas irrefutáveis, mas o governo psicopata de Lula nega e ignora tudo.

Questionado ou flagrado, o psicopata não se responsabiliza por suas ações. Sempre se acha inocente ou vítima do mundo, do qual tem de se vingar. O outro não existe para ele e não sente nem remorso nem vergonha do que faz. Mente compulsivamente, acreditando na própria mentira, para conseguir poder. Este governo é psicopata.

Seus membros riem da verdade, viram-lhe as costas, passam-lhe a mão na bunda.

A verdade se encolhe, humilhada, num canto.

E o pior é que o Lula, amparado em sua imagem de "povo", consegue transformar a Razão em vilã, as provas contra ele em acusações "falsas", suacondição de cúmplice e comandante em "vítima". E a população ignorante engole tudo.


Como é possível isso?

Simples: o Judiciário paralítico entoca todos os crimes na fortaleza da lentidão e da impunidade. Só daqui a dois anos serão julgados os indiciados - nos comunica o STF. Os delitos são esquecidos, empacotados, prescrevem. A Lei protege os crimes e regulamenta a própria desmoralização. Jornalistas e formadores de opinião sentem-se inúteis, pois a indignação ficou supérflua. O que dizemos não se escreve, o que escrevemos não se finca, tudo quebra diante do poder da mentira desse governo. Sei que este é um artigo óbvio, inútil, mas tem de ser escrito....

Está havendo uma desmoralização do pensamento. Deprimo-me: "Denunciar para quê, se indignar com quê? Fazer o quê?". A existência dessa estirpe de mentirosos está dissolvendo a nossa língua. Este neocinismo está a desmoralizar as palavras, os raciocínios. A língua portuguesa, os textos nos jornais, nos blogs, na TV, rádio, tudo fica ridículo diante da ditadura do lulo-petismo .

A cada cassado perdoado, a cada negação do óbvio, a cada testemunha, aumenta a sensação de que as idéias não correspondem mais aos fatos! Pior: que os fatos não são nada - só valem as versões, as manipulações.

No último ano, tivemos um único momento de verdade, louca, grotesca mas maravilhosa, quando o Roberto Jefferson abriu a cortina do país e deixou-nos ver os intestinos de nossa política.

Depois surgiram dois grandes documentos históricos: o relatório da CPI dos Correios e o parecer do procurador-geral da República. São verdades cristalinas, com sol a pino. E, no entanto, chegam a ter um sabor quase de "gafe". Lulo-petistas clamam: "Como é que a Procuradoria Geral, nomeada pelo Lula, tem o desplante de ser tão clara! Como que o Osmar Serraglio pode ser tão explícito, e como o Delcídio Amaral não mentiu em nome do PT? Como ousaram ser honestos?".

Sempre que a verdade eclode, reagem. Quando um juiz condena rápido, é chamado de "exibicionista". Quando apareceu aquela grana toda no Maranhão, a família Sarney reagiu ofendida com a falta de "finesse" do governo de FHC, que não teve a delicadeza de avisar que a polícia estava chegando...

Mas agora é diferente. As palavras estão sendo esvaziadas de sentido. Assim como o stalinismo apagava fotos, reescrevia textos para coonestar seus crimes, o governo do Lula está criando uma língua nova, uma língua empobrecedora da ciência política, uma língua esquemática, dualista, maniqueísta, nos preparando para o futuro político simplista que está se consolidando no horizonte. Toda a complexidade rica do país será uma massa de palavras de ordem, de preconceitos ideológicos movidos a dualismos e oposições, como tendem a fazer o populismo e o simplismo. Lula será eleito
por uma oposição mecânica entre ricos e pobres, dividindo o país em "a favor" do povo e "contra", recauchutando significados que não dão mais conta da circularidade do mundo atual. Teremos o "sim" e o "não", teremos a depressão da razão de um lado e a psicopatia política de outro, teremos a volta da oposição mundo x Brasil, nacional x internacional.

A esquematização dos conceitos, o empobrecimento da linguagem visa à formação de um novo ethos político no país, que favoreça o voluntarismo e legitime o governo de um Lula 2 e um Garotinho depois.

Assim como vivemos (por sorte...) há três anos sem governo algum, apenas vogando ao vento da bonança financeira mundial, só espero que a consolidação da economia brasileira resista ao cerco político-ideológico de dogmas boçais e impeça a desconstrução antidemocrática.

As coisas são mais democráticas que os homens.

Alguns otimistas dizem:

"Não... este maremoto de mentiras nos dará uma fome de verdades!".

Não creio. Vamos ficar viciados na mentira corrente, vamos falar por antônimos.

Ficaremos mais cínicos, mais egoístas, mais burros.

O Lula reeleito será a prova de que os delitos compensaram.

A mentira será verdade, e a novi-língua estará consagrada.
Extra! Extra! Extra!



TIM Festival em Curitiba! É Nação Zumbi, DJ Shadow, Patti Smith, Yeah Yeah Yeahs e Beastie Boys na área! Tudo bem que 31 de outubro é uma terça-feira, mas qsf: Pedreira Paulo Leminski, cá vou eu!

P.S.: Dica da Mi. ; )

terça-feira, agosto 22, 2006

"Da Lama Ao Caos, Do Caos À Lama"
ou
"Viagem De Férias Seguida De Um Transplante De Fígado" - em 3 movimentos.




Primeiro movimento - Saint Louis of Marañon

Quer uma dica bacanuda de viagem? Conheça o Maranhão. Mais especificamente, São Luís do Maranhão. Mais especificamente ainda, São Luís do Maranhão + um pulo até os Lençóis Maranhenses.
Chegando em São Luís, esqueça os azulejos portugueses, o Bumba meu Boi e a Roseana Sarney. A principal atração turística chama-se Mário (que Mário?). O Mário é o tipo de pessoa absolutamente errada na concepção, porém absolutamente correta no caráter. Amigo como poucos, conhece todos os bares e cachaças da região - e conhece por degustação mesmo. Vá com tempo e disposição, porque há muito o que fazer. Dica importante: durma nos intervalos disponíveis, porque o Mário não dorme. No máximo, desliga e fica ali, em stand by, esperando uma freqüência de voz para ativá-lo. E a pilha dura, pode ter certeza. Não é à toa que a gente fez o melhor circuito cerveja-praia-cerveja-ostra-arroz-de-cuxá-cerveja-reggae-pinga-cerveja de todos os tempos. Via sacra obrigatória: visite o Projeto Reviver, veja o Tambor de Crioula e tome Guaraná Jesus, este último seguido de uma Coca-Cola bem gelada pra tirar o gosto. Melhor época para ir: verão, ou seja, entre Janeiro e Dezembro. Boa viagem.

A seguir: Lençóis Maranhenses.
Um pouco de Nina Simone



Este clipe foi produzido em stop-motion pelo estúdio Aardman Animations, o mesmo que fez Fuga das Galinhas e Wallace & Gromit. E a Nina é clássica, mítica, uma diva incomparável.

Sobre a música, "My baby just cares for me" foi escrita em 1930, para o musical "Whoopee". Entrou no repertório de Frank Sinatra em 1950 e foi incluída de última hora na primeira sessão de gravação de Nina Simone, em 1957. Mas a faixa só virou um hit mesmo em 1987, quando foi o tema de um comercial inglês do Channel nº 5. O sucesso criou uma grande demanda para shows de Nina na Europa, onde sempre foi mais reconhecida do que em seu país, os EUA.

quinta-feira, agosto 17, 2006

Minha sugestão para o Cow Parade em Curitiba:


Cow Parede

terça-feira, agosto 15, 2006

Airbag salva-vidas sim senhor!




Os implantes de silicone nos seios de uma israelense salvaram sua vida quando ela foi ferida por um foguete disparado pelo Hezbollah, disse o porta-voz de um hospital nesta terça-feira.

Os médicos acharam estilhaços enfiados nos implantes de silicone, a apenas algumas polegadas do coração da mulher de 24 anos.

- Ela escapou da morte - disse um porta-voz do hospital de Nahariya, no norte de Israel.

A mulher já recebeu alta do hospital.

Fonte: Reuters/Globo Online

segunda-feira, agosto 14, 2006

Oi.

sexta-feira, agosto 11, 2006

Róque Níus (?)



Do blog do Lucio Ribeiro (mais uma vez) de ontem, sobre o ex-Curitiba Pop (ou Rock) Festival e, pelo jeito, quase ex-Sonora Festival...

(...)

"Este grande evento indie de Curitiba, do jeito que foi armado, agora para setembro, não existe mais. Isso é notícia oficial de hoje. Ele pode acontecer no final do ano, com outro formato, mas nada está assegurado."

(...)

Do Nego Lee: Essa é a minha cidade. : (

segunda-feira, agosto 07, 2006


Foto de bebê mamando gera protestos

Onde? Nos Estados Unidos, é claro. O país que proíbe que mulheres amamentem em lugares públicos, que processa uma criança de 3 anos por assédio sexual (ela beijou a bochecha de uma coleguinha de classe) e que elege e reelege presidente um primata imbecil. Puta que pariu, como tem gente medíocre neste mundo!