domingo, abril 06, 2014

Vai deixar a Publicidade educar o seu filho?




Tenho 42 anos e cresci vendo programas infantis na TV, como Sítio do Picapau Amarelo, Balão Mágico, Vila Sésamo e até Os Trapalhões. Não vivia pendurado na TV, pois tinha horário para isso. Assim como tinha horário para jogar bola com os amigos, para estudar, para comer, etc. Esses programas, sem exceção, eram recheados de comerciais dirigidos ao público infantil. E muitos desses comerciais eram fantasiosos, mostravam brinquedos e alimentos fazendo muito mais do que eles poderiam fazer na realidade. Eram fantasiosos, a meu ver, no bom sentido, pois mostravam como deveríamos usar a imaginação para tornar as nossas brincadeiras mais legais. E, com imaginação, nem precisávamos dos brinquedos e alimentos ali anunciados. Bastava imaginar e brincar. É claro que poder contar com um Falcon de verdade tornava a brincadeira mais legal, mas a importância estava mais na história que inventávamos e na interação com as outras crianças do que no personagem em si, que nada mais era do que um boneco inanimado. Até onde eu sei, cresci sem traumas e vacinado contra as mensagens publicitárias e o "bullying" praticado pelo Didi contra o Zacarias, o Mussum, o sargento Pincel e outros. 




Porém, com o "avanço" da civilização, com o oportunismo de políticos interessados em aparecer e a criação de inúmeros institutos de defesa do politicamente correto, o mundo foi ficando mais chato.
Não descarto e nem desmereço a importância de órgãos como o Instituto Alana, por exemplo, que são importantes para a discussão, mas que radicalizam na sua missão de proteger as crianças dos publicitários diabólicos e de suas malignas estratégias capitalistas.
A missão, a meu ver, deveria ser outra. Brinquedos e alimentos, por menos saudáveis que sejam, são produzidos e comercializados legalmente no país. São legais, pagam impostos, geram empregos, então por que sua publicidade deveria ser proibida? As respostas são variadas, mas têm sempre a publicidade como vilã.
- Ah, porque as crianças estão ficando muito tempo na TV.
- As crianças estão jogando videojogos e parando de correr e jogar bola. 
- Ah, porque tem criança que não pode comprar o que é anunciado.
- Ah, porque as crianças são vulneráveis e muito influenciáveis.
- Ah, porque as crianças estão tristes e gordas.

Ei, então por que não proibimos a venda de aparelhos de TV? Por que não criamos uma lei para obrigar os pais a disciplinarem o uso do aparelho? Por que não criamos uma lei para que os televisores saiam de fábrica com um limitador de exibição de 120 minutos por dia? Por que não criamos uma lei que obrigue pais a criarem seus filhos dentro de uma dieta alimentar saudável? Por que não criamos uma lei que puna com impostos mais altos pais que não obriguem seus filhos a praticar esportes? Por que não proibimos a venda do PlayStation e a fabricação de brinquedos no país? Por que não proibimos a criação e a disseminação de restaurantes de fast-food? Por que não proibimos a fabricação de refrigerante? A resposta é simples: proibir não é a saída. E ninguém precisa de mais uma lei.

Se bem que, com esta mentalidade atual, da superproteção infantil, do jogo para a plateia e da cubanização das liberdades, muitos deputados já devem ter pensado em implantar essas leis, se é que já não as colocaram na pauta do Congresso para futura votação. Para seu conhecimento, já existem mais de 350 projetos de lei tramitando por lá, apenas contra a Publicidade em seus mais diversos aspectos. 

Não vou nem entrar no mérito dos benefícios da Publicidade. Sim, eles existem. A novela que a senhora assiste só é possível graças a ela. O jornal que fala sobre os desmandos do Governo só é possível graças a ela. A imprensa livre é fruto direto da Publicidade, mas não é esta a questão.

A questão é que não é criando leis a rodo e proibindo a Publicidade infantil que vamos criar jovens melhores, preparados, com senso crítico e com a importante noção do que é certo ou errado, do que pode ou não pode, do que faz bem e do que faz mal. Criar crianças numa bolha não é a solução. É tapar o Sol com a peneira e criar um problema ainda maior no futuro. Um dia a bolha estoura, e aí? Que jovens teremos? 

O problema, insisto, não está na Publicidade, que tem inclusive um órgão próprio de auto-regulação, bastante atuante contra a publicidade enganosa, apelativa, antiética – o CONAR. O problema está na EDUCAÇÃO. E educação vem de casa. É preciso saber impor limites. É preciso saber conversar e argumentar com as crianças. É preciso aguentar o choro quando algo não pode ser feito, ou comprado, ou consumido. Mas isso não é fácil. Muitos pais não têm tempo e nem paciência de fazer isso. É mais fácil botar a culpa na Publicidade. É mais fácil proibir e fingir que o problema não existe e que não vivemos num mundo capitalista. É mais fácil fechar os olhos e jogar a culpa no outro. Culpar é mais fácil do que educar. 

Tem muita coisa errada no mundo, como a Publicidade Estatal, paga com dinheiro público, por exemplo, e que serve apenas aos governantes. Não preciso saber se o Governo fez uma ponte ou um hospital. Isso é obrigação dele. Se a ideia é criar uma lei realmente útil, que seja uma que determine que TODA A PUBLICIDADE DE GOVERNO SEJA EDUCATIVA, que todo dinheiro público investido em publicidade retorne à população na forma de algo que melhore suas vidas. Informação, formação de caráter, educação alimentar, nutricional, educação esportiva, educação no trânsito, enfim, educação para a vida. Aí sim teríamos o começo de um país melhor.

Qual é a sua opinião sobre isso?

Um comentário:

WERNER FIGUEIREDO disse...

Isso aí meu velho, falou tudo.